sábado, julho 16, 2005

Antecedentes reforçam suspeita

Como os antecedentes sugerem que Orly devota pouco apreço à ética, no entender de alguns o estilo do marketeiro tucano confere verossimilhança à versão da suposta coação à Cerpa para favorecer a Griffo Comunicação e Jornalismo, agência de propaganda que monopoliza a fatia do leão da publicidade do governo estadual do Pará. Contemporâneos do publicitário na época em que ainda era diagramador recordam que mesmo quando circulava em um Volkswagem sucateado e dava aulas de matemática no colégio Cearense para reforçar o orçamento, Orly já atropelava a decência para atingir seus objetivos. Um exemplo disso, frequentemente citado, é o episódio no qual Orly ofereceu carona a uma humilde funcionária do jornal, a qual convidou a descer do carro no meio do percurso a ser cumprido, no melhor estilo dá-ou-desce, após a jovem repelir seu assédio. Até para obter o registro profissional, comentam, ele revelou pouco apreço aos escrúpulos: ao invés de ser registrado como jornalista diagramador, conforme exigia a lei, tratou de omitir a condição de diagramador, possivelmente por considerá-la subalterna, para registrar-se apenas como jornalista, o que lhe permitiria, tal qual ocorreu, ocupar cargos para os quais não tinha qualificação e sequer experiência.
Seja como for, não há como negar que Orly Bezerra se inclui no elenco de profissionais vitoriosos. Nada mal para quem começou a vida profissional na função de diagramador (que exercia com muita competência, diga-se) e até passado não tão remoto confundia-se ao fazer a distinção entre concerto (peça musical extensa) e conserto (ato ou efeito de repor em atividade o que se acha desregulado, parado ou que não funciona a contento). A ascensão profissional e social por ele experimentada deve-se também a méritos que seria injusto negar-lhe, dentre os quais a determinação e a disciplina, virtudes que potencializou com a audácia dos arrivistas.