sábado, julho 16, 2005

Artimanhas asseguram ascendência

Para sedimentar sua ascendência junto aos tucanos de farta plumagem, Orly Bezerra, um mestre das artimanhas, valeu-se do pacto da mediocridade, fiel à máxima segundo a qual em terra de cego quem tem olho é rei. Para tanto, o marketeiro tucano tratou de se livrar do jornalista Euclides Bandeira, mais conhecido como “Chembra”, precocemente falecido e que foi o primeiro assessor de Imprensa de Almir Gabriel no governo. Culto, competente e com vasta experiência profissional, mas sem élan para os rituais do poder, logo Bandeira caiu em desgraça e asilou-se na Secretaria Executiva da Fazenda (Sefa), então Secretaria de Estado da Fazenda. Depois dele, sucederam-se na coordenadoria de Comunicação do governo Sula Maciel e Rosyan Brito, ambas desprovidas da experiência profissional indispensável ao cargo, permitindo a Orly pontificar, impressionando positivamente a tucanagem. Só no governo Simão Jatene a coordenadoria de Comunicação passou a ser tocada por jornalistas de competência e experiência comprovadas, ganhando um perfil mais profissional.
Em 2002 a Griffo, a agência de Orly, foi responsável pelo marketing eleitoral de Simão Jatene (PSDB), eleito governador em uma árdua disputa com Maria do Carmo (PT), a quem o candidato tucano venceu no segundo turno, por uma diminuta diferença e sob denúncias de uso da máquina administrativa do governo Almir Gabriel. A campanha de 2002 tornou o marketeiro tão próximo do governador que circulam versões segundo as quais Orly teria se tornado sócio de Simão Robison Oliveira Jatene e Francisco Sérgio Belich de Souza Leão, o secretário especial de Governo, em diversos negócios na iniciativa privada. Diz-se até, nos bastidores da publicidade paraense, que por interferência direta do governador a Cervejaria Paraense S/A (Cerpa) se viu compelida a destinar sua conta à Griffo, em detrimento da agência escolhida a partir de uma tomada de preços. Se essa coação de fato existiu, não chega a surpreender. Existem fortes indícios de uma relação promíscua entre o PSDB paraense e a Cerpa, que é acusada pelo Ministério Público Federal de manter um propinoduto no qual se locupletou o tucanato antes, durante e depois das eleições de 2002, em troca de benefícios fiscais concedidos à empresa pelo governo Simão Jatene.