sábado, julho 16, 2005

Ascensão sob tráfico de influência

Em sua ascensão, Orly Bezerra, o marketeiro-mor do PSDB paraense, contou não apenas com a sua própria habilidade e o talento de Antônio Natsu, o seu sócio na Griffo Comunicação e Jornalismo, mas também com um empurrãozinho do tráfico de influência. Quando Hélio Gueiros (PMDB) assumiu o governo estadual, em 15 de março de 1987, decidiu dar transparência à contratação das agências de publicidade, promovendo uma concorrência, da qual a Griffo foi uma das vencedoras, ganhando a visibilidade indispensável à conquista de novos clientes. De acordo com seus próprios relatos, logo depois, em 1989, Orly contou com a ajuda do jornalista e empresário Romulo Maiorana Júnior, presidente executivo das Organizações Romulo Maiorana (ORM), por interferência do qual o então prefeito eleito de Belém, Sahid Xerfan (PTB), deu uma das contas da prefeitura à Griffo. “Esse favor eu devo ao Rominho”, admitiu ele certa vez, em 1994, em um raro surto de gratidão, durante uma conversa de mesa de bar, na qual revelou a ajuda recebida do sucessor de Romulo Maiorana.
Depois disso, a Griffo fez as campanhas eleitorais do próprio Xerfan, derrotado por Jader Barbalho na disputa pelo governo do Estado em 1990, e de Hélio Gueiros (PFL), que venceu a corrida pela Prefeitura de Belém em 1992, disputada com Socorro Gomes (PC do B), a quem coube substituir na última hora Almir Gabriel (PSDB), que renunciara à candidatura a pretexto de desvios éticos, conforme sua vaga justificativa. Nessa época, relatam testemunhas privilegiadas, Orly era tão ou mais gueirista que a própria professora Terezinha, a esposa de Gueiros, então rompido com Jader Barbalho. Mas logo Orly se tornaria o mais almirista dos almiristas, ao fazer a vitoriosa campanha de Almir Gabriel (PSDB) ao governo do Estado, em 1994, para cujo êxito foi fundamental o apoio de Gueiros, como prefeito de Belém. Mas o marketeiro tratou de sepultar sua admiração por Gueiros diante do rompimento deste com o ex-aliado tucano, mantendo-se ao lado de Almir, e na boca do cofre do governo, em 1998, quando o tucano se reelegeu governador, na única derrota eleitoral sofrida por Jader Barbalho (PMDB), enquanto Hélio Gueiros, já de volta ao PMDB e candidato favorito ao Senado, foi atropelado por Luiz Otávio Oliveira Campos, naquela altura no PRP (do qual é sucedâneo o PP), e apresentado aos eleitores como “o senador do governador”, em uma campanha pontuada por denúncias de abuso de poder econômico e de uso da máquina administrativa estadual. Coube a Orly também fazer as campanhas à Prefeitura de Belém de Ramiro Bentes (PFL), em 1996, e Zenaldo Coutinho (PSDB), em 2000, quando voltou a experimentar o gosto da derrota, ambas impostas pelo PT, que elegeu e reelegeu Edmilson Rodrigues nas duas disputas.