sexta-feira, julho 15, 2005

Governo Almir Gabriel consagrou nepotismo

Sob o estimulo do exemplo oferecido pelo governador, a prática do nepotismo se dissemina como fogo em capim seco na administração Simão Jatene, no prosseguimento de uma escalada deflagrada a partir da ascensão do PSDB ao proscênio da política paraense, cujo marco é a eleição de Almir José de Oliveira Gabriel como governador, em 1994. Ao tornar-se inquilino do Palácio dos Despachos, condição que manteve até 2002, ao ser reeleito em 1998, Almir também mandou os escrúpulos às favas, assumindo aquilo que os seus oito anos de governo iriam escancarar: a ética que os tucanos paraenses cultivam é, principalmente, aquela que corresponde às suas conveniências.
O mais escandaloso episódio de nepotismo patrocinado por Almir como governador foi nomear secretária do Trabalho e Promoção Social a primeira-dama, Maria do Socorro França Gabriel, posteriormente catapultada para a Secretaria Especial de Proteção Social, na esteira da reforma administrativa implementada no início do segundo mandato do tucano. Reconhecidamente competente como enfermeira, mas intelectualmente xucra e com notórias dificuldades para lidar com conteúdos, dona Socorro se notabilizou pelas interferências indébitas que protagonizou na Secretaria Executiva de Saúde Pública (Sespa), atropelando profissionais com qualificação bem superior a que é possível a uma enfermeira.
Incluindo no currículo um diploma de psicóloga, curso feito por mero diletantismo e iniciado em uma instituição de ensino superior chinfrim, ainda que concluído na Universidade de Brasília (UnB), na qual se matriculou favorecida pela sua condição de mulher de senador (mandato então exercido por Almir Gabriel), ela compensa suas limitações intelectuais intimidando as pessoas com seu estilo casca-grossa. A grosseria da então primeira-dama chegou ao limite de admoestar publicamente Suleima Fraiha Pegado, na época secretária executiva do Trabalho e Promoção Social, por estar conversando com terceiros sobre assuntos funcionais, durante um jantar no município de Marabá, em 2000.
Naquela ocasião, Suleima relevou de forma servil a descortesia. Assim, optou por prosseguir administrando a personalidade algo ciclotímica da então primeira-dama e, após o fracasso de sua candidatura à Câmara Federal em 2002, foi contemplada com o cargo de diretor-superintendente do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran), de onde comandou a eleição do filho, Daniel Fraiha Pegado (PL), para a Câmara Municipal de Belém.