sexta-feira, julho 15, 2005

Na Secult, parentesco pavimenta ascensão

Um dos nichos do nepotismo tucano encontra-se na Secretaria Executiva de Cultura (Secult), na qual desde 1995 reina absoluto Paulo Roberto Chaves Fernandes, um arquiteto competente e perfeccionista, que é também conhecido pelo temperamento atrabiliário e por cultivar a mesma intolerância que ainda adolescente revelou ao participar do episódio da invasão da sede da União Acadêmica Paraense (UAP) pelos jovens quadros da direita ensandecida, às vésperas do golpe militar de 1964. Na Secult ele comanda um arrojado e faraônico resgate arquitetônico, do qual é ícone a Estação das Docas, instalada em armazéns do porto de Belém e projetada para ser um complexo turístico-cultural, cujo custo final, estimado inicialmente em torno de R$ 12 milhões, chegou a quase R$ 20 milhões, segundo consta. A Estação das Docas é point da classe média alta e, após uma certa hora, de garotas de programa de michê só compatível com homens de bens
A maior realização de Chaves, porém, foi certamente conseguir dar relevância à sua atual mulher, Rosário de Fátima Souza Lima da Silva, e à sua cunhada, Lorena Souza Lima da Silva, respectivamente, diretoras de Patrimônio e Cultural da Secult, sem que necessariamente fossem, no elenco de nomes disponíveis, as opções mais recomendáveis, em matéria de qualificação, para os cargos que ocupam. Da mesma forma como não cultiva pudores éticos, o secretário executivo de Cultura trata com absoluto menosprezo o erário público, notabilizando-se por obras cujo custo final costumam ultrapassar, em muito, o orçamento inicial, conforme ilustra a Estação das Docas. Foi assim também com o Mangal das Garças, o luxuoso parque naturalístico encravado em um cinturão de pobreza, cujo custo final, inicialmente orçado em R$ 7 milhões, bateu em torno de R$ 15 milhões. Como os laços de afeto não conhecem limites, Chaves empregou como veterinário do Mangal das Garças um cunhado, Roberto Souza Lima da Silva, irmão da sua mulher, Rosário de Fátima Souza Lima da Silva.
Na esteira da promiscuidade entre o público e o privado, Paulo Chaves, como é conhecido o secretário executivo de Cultura, optou por aquinhoar a mulher e a cunhada com cargos estratégicos, no melhor estilo daquele tipo de promoção compre-um-e-leve-dois, com o qual os lojistas costumam atrair os consumidores. Sobre Rosário de Fátima pouco se sabe, além da sua condição de mulher do secretário. Quanto a Lorena, trata-se de uma jornalista que investiu na formação acadêmica, após uma opaca passagem pelo jornal “O Liberal”, onde foi repórter e depois editora do “Jornal dos Bairros”, suplemento em forma de tablóide, cuja extinção ensejou sua demissão da empresa.
Além do ilustre cunhado, a quem deve sua ascensão na Secult, Lorena tem um importante avalista, que é o seu companheiro, o jornalista e publicitário Orly Bezerra. Orly é marketeiro-mor do PSDB e um dos proprietários da Griffo Comunicação e Jornalismo, agência de propaganda que detém a fatia do leão da publicidade do governo estadual.