sábado, julho 23, 2005

Nem Cannes, nem Gramado. Um festival no tucupí

LAURA ALMEIDA*

Entre os dias 14 e 21 de julho aconteceu o 2º Festival de Belém do Cinema Brasileiro. Foi um sucesso. Em pleno mês de férias, época tradicionalmente monótona para quem não quer ou não pode ir até Salinas tentar ver o mar.
Tudo funcionou com simplicidade, elegância e, principalmente, sem estrelismos (pelo menos por enquanto). Os curtas foram os campeões de público. Entre estes, dois tiveram a sensibilidade e a brasilidade bem definidas e exploradas: “A origem dos nomes”, da cineasta paraense Marta Nassar, e “Santa Helena em os fantasmas da botija”, de Petrônio Lorena e Tiago Scorza, cineastas do Rio de Janeiro. Importante mesmo foi esse movimento em direção a Belém, que parecia esquecida e inclusive, por conta desse abandono, teve o cine Palácio, uma de nossas mais belas salas, extinta por puro descaso daqueles que teriam obrigação de preservá-la. Um espaço que protagonizou grandes momentos do cinema paraense.
Tomara que exista fôlego para uma terceira edição do festival, logo para o ano que vem. Os cinéfilos de Belém agradecem. Quem quiser saber quais os grandes vencedores do prêmio Ver-o-Peso do Cinema Brasileiro, é só acessar o site http://www.festcinebelem.com.br/. Para quem perdeu, que pena! Fica para a próxima. Quanto ao cine Palácio, só um descompromissado milagre.


PÉROLAS DO FESTIVAL

A atriz Dira Paes precisou pedir inúmeras vezes, entre os intervalos das sessões, que alguns presentes desligassem seus celulares. Uma das pragas que assolam os cinemas, teatros, missas e salas de aula.


Conseguiram quebrar um dos mimos do Paulo Chaves: o porta-papel do banheiro feminino do cine Doca. Uma lástima.


Um espelho d’água da Estação precisou ser esvaziado. Estava sendo transformado em lixeira.


* LAURA ALMEIDA é assistente social e colaboradora deste blog.