sexta-feira, julho 15, 2005

Nepotismo é prática corrente no governo tucano

“Unidos para vencer”, o slogan cunhado para assinalar a ascensão do PSDB ao governo do Pará e hoje arquivado como peça de marketing político, ao que parece tornou-se uma espécie de mantra para as famílias dos tucanos encastelados no poder. Deletando o rigor ético que cobrava dos adversários, sem qualquer vestígio de pudor o tucanato paraense sucumbiu unido à tentação do nepotismo, o que evidencia de forma eloqüente a administração Simão Jatene. Entre o governador e os auxiliares que incorporaram a prática do favorecimento aos parentes, a diferença, quando muito, é de grau, não de nível.
A parcimônia de uns poucos, na prática do nepotismo, não obscurece o vício de origem. Esse é o caso, por exemplo, de Francisco Sérgio Belich de Souza Leão, secretário especial de Governo, que tucanos de farta plumagem chegaram a imaginar como credenciado a ser o sucessor de Simão Jatene. Ex-secretário especial de Produção, cargo que ocupou depois de ter sido secretário especial de Gestão no governo Almir Gabriel, seu prestígio certamente tem turbinado a trajetória da sua mulher, Lucy Araújo de Souza Leão, na administração pública estadual. Diretora-geral da Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon) no segundo mandato de Almir Gabriel, ao ser desalojada do cargo por Simão Jatene ela foi uma das pessoas ungidas para fazer parte de um certo Núcleo de Planejamento Estratégico, abrigado no gabinete da governadoria e cuja utilidade é até aqui desconhecida.
Aparentemente, o tal Núcleo de Planejamento Estratégico serviu, sobretudo, para abrigar alguns dos expoentes do nepotismo tucano. A começar, por Lucy Araújo de Souza Leão, mulher de Francisco Sérgio Belich de Souza Leão, atual secretário especial de Governo e personagem ilustre do tucanato paraense. Ele é processado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por corrupção passiva, sob a acusação de intermediar a concessão de benefícios fiscais à Cervejaria Paraense S/A (Cerpa), em contrapartida a um propinoduto da empresa que abasteceu com R$ 16,5 milhões os cofres do PSDB do Pará, entre o final do governo Almir Gabriel e o início da administração Simão Jatene, em um período que coincide com a campanha eleitoral do atual governador. Juntamente com ele são processados, sob a mesma acusação, o próprio governador Simão Jatene, Teresa Luzia Mártires Coelho Cativo Rosa, atualmente secretária especial de Gestão; e Roberta Ferreira de Souza, na época secretária executiva da Fazenda, em exercício, além do dono da Cerpasa, Konrad Karl Seibel, também conhecido como “Alemão”, este acusado de corrupção ativa e falsidade ideológica.
Do tal núcleo faziam parte ainda, além de Lucy Araújo de Souza Leão, Izabela Jatene, filha do governador, uma das ex-cunhadas de Simão Jatene, Heloísa da Silva Mota Pereira, agora secretária adjunta da Seteps, e até recentemente Rosyan Caldas Brito, economista que é também formada em jornalismo, mas que nunca freqüentou uma redação de jornal ou de outro qualquer outro veículo de comunicação, embora tenha sido coordenadora de Comunicação do governo Almir Gabriel. A falta de intimidade de Rosyan com o jornalismo, inusitada diante da função exercida na administração anterior, nunca constrangeu nenhum tucano, até por conta do precedente: ela sucedeu no cargo Sula Maciel, que sempre ficou circunscrita a condição de estagiária nas suas investidas para trabalhar em jornal. Após um período no ostracismo, Rosyan foi nomeada presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), diante da prematura morte do ex-presidente do órgão, Sérgio Luiz Almeida Maneschy.