domingo, julho 31, 2005

Omissão patética

Como governador Almir Gabriel permaneceu silente em situações que não comportavam a omissão pela qual optou. Foi assim, por exemplo, quando preferiu sobrepor a fidelidade política ao correligionário Fernando Henrique Cardoso a seu dever de, como governador do Pará, cobrar um melhor tratamento do governo federal ao Estado. Almir sequer se encorajou em cobrar as promessas de campanha de FHC, que acenou com investimentos de R$ 2 bilhões no Estado, caso fosse eleito presidente, em 1994. Passada as eleições, a promessa foi solenemente esquecida. E não só por Fernando Henrique, o que é pior.
Outro exemplo do imobilismo de Almir Gabriel foi sua postura omissa na sucessão da professora Adélia Rodrigues na diretoria do Museu Paraense Emílio Goeldi, que pertence ao governo do Pará mas é cedido à União em regime de comodato. Por isso, o tradicional ritual do governador do Estado ser sempre consultado por Brasília a respeito da sucessão no Museu Goeldi. Uma tradição quebrada justamente com Almir, quando no Palácio do Planalto encontrava-se seu companheiro de legenda, o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na sucessão da professora Adélia Rodrigues, do governador Almir Gabriel e do vice-governador Hildegardo Nunes ao então senador Jader Barbalho, passando pelo senador José Sarney (PMDB/AP), havia um endosso de algumas das mais expressivas lideranças políticas da região ao nome do professor Antônio Carlos Albuquerque dos Santos, doutor em políticas públicas pela Yale University (uma das mais respeitadas instituições de ensino superior dos Estados Unidos), como o preferido para o cargo de diretor do Museu Goeldi. Endosso formalizado por todos os avalistas de Antônio Carlos, com exceção de Almir, que justificou o gesto dizendo-se cansado de ser desprestigiado pelo governo FHC, razão pela qual gostaria de evitar sofrer nova descortesia política por parte do Palácio do Planalto.
Um técnico de competência e experiência comprovadas, apartidário e com um currículo respeitável, que incluía na época um excelente desempenho na coordenação do Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), além da indiscutível qualificação para o cargo Antônio Carlos revelou dispor ainda de legitimidade, ao vencer a eleição universal entre os funcionários e a votação no âmbito do Conselho Técnico-Científico (CTC) do Museu Goeldi. Por conta de injunções políticas, que a certa altura colocaram Jader Barbalho e José Sarney na mira oculta do Palácio do Planalto, Antônio Carlos acabou preterido pelo comitê de busca constituído pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), daí resultando a escolha de Peter Toledo. A Almir restou, como revide, não comparecer à posse do sucessor de Adélia Rodrigues, delegando a missão ao vice-governador, Hildegardo Nunes, que dela também declinou.