sábado, julho 16, 2005

Orly Bezerra, o marketeiro que tem um quê de Marcos Valério

Em época de Marcos Valério Fernandes de Souza, é inevitável que as peripécias do empresário que atuava sob a fachada de publicitário e é acusado de ser o operador do mensalão (neologismo que designa a propina supostamente paga pelo PT para garantir apoio parlamentar ao governo Lula) remetam à figura do jornalista e publicitário Orly Bezerra, um dos proprietários da Griffo Comunicação e Jornalismo, agência de propaganda que monopoliza a fatia do leão da publicidade do governo estadual do Pará. Operando nas sombras do poder, no que faz lembrar Marcos Valério e serve para explicar a associação do seu nome ao do empresário íntimo do PT, segundo reza a lenda Orly é um personagem onipresente nos bastidores do tucanato paraense. De mais concreto, sabe-se que ele comanda, com destreza, a prestidigitação publicitária que dissimula o imobilismo do governo Simão Jatene. Mas a ele são atribuídos poderes tais como o de inspirar a decisão da Cervejaria Paraense S/A (Cerpa) de sustar toda a publicidade da empresa nos veículos de comunicação da família Barbalho, depois que o jornal “Diário do Pará” ecoou as denúncias do Ministério Público Federal sobre o propinoduto da Cerpa que abasteceu os cofres tucanos antes, durante e logo após a campanha eleitoral de 2002, em troca de benefícios fiscais. Sua desenvoltura financeira alimenta a versão de que ele banca, do próprio bolso, a coluna mantida por um jornalista, que dele receberia mensalmente R$ 5 mil. Dizem ainda – sem provas ou indícios consistentes – que hoje Orly seria sócio, em negócios na iniciativa privada, do governador Simão Robison Oliveira Jatene e do secretário de Governo, Francisco Sérgio Belich de Souza Leão.
Um vencedor, à semelhança daqueles que, com determinação, driblam as adversidades, superam seus limites e, sepultando escrúpulos se for preciso, atingem seus objetivos, no melhor figurino dos alpinistas sociais. Assim pode ser definido Orly Bezerra, marketeiro-mor do PSDB paraense, que começou a vida como um humilde diagramador da “Folha do Norte”, já nos estertores do jornal da família do jornalista Paulo Maranhão, comprado, no início dos anos 70 do século XX, pelo jornalista Romulo Maiorana, um bem sucedido empresário da comunicação. Romulo Maiorana foi dono de “O Liberal”, jornal que originalmente era o porta-voz no Pará do Partido Social Democrata (PSD) e que, ao adquirir, ele transformou no diário de maior circulação da Amazônia, dando origem as Organizações Romulo Maiorana (ORM), o maior grupo de comunicação da região Norte, do qual ainda fazem parte a TV Liberal, afiliada da Rede Globo de Televisão, e as rádios Liberal, AM e FM.
Com seu prestígio em alta junto ao tucanato, era inevitável, por exemplo, que Orly tivesse seu quinhão no nepotismo que se dissemina no governo Simão Jatene, o que ocorreu ao patrocinar a nomeação como diretora de Operações Técnicas da Secretaria Executiva de Saúde Pública (Sespa) de uma irmã, Orlylda Bezerra, profissional cujos desafetos dizem ostentar mais empáfia que substância. A Sespa é uma secretaria privilegiada em termos de recursos: a previsão de aplicação de recursos na saúde em 2005 é de R$ 472,7 milhões, valor que corresponde a 8,44% da receita líquida do Estado estimada para este ano, segundo informações do próprio governo. Na partilha política do poder, a secretaria pertencer à cota de órgãos que coube ao deputado federal Vic Pires Franco Neto (PFL), cuja mulher, Valéria Vinagre Pires Franco (PFL), vem a ser a vice-governadora, função que acumula com o cargo de secretária especial de Estado de Proteção Social.
Orlylda Bezerra, aliás, é uma pessoa de sorte, mas muita sorte, mesmo. Além de ter como avalista o ilustre irmão, ela tem a simpatia do secretário-executivo de Saúde Pública, Fernando Agostinho Cruz Dourado, que é casado com Ana Maria Cardoso Dourado, que vem a ser irmã da ex-mulher de Orly, Conceição Cardoso Bezerra. Orlylda, de acordo com fontes da própria Sespa, goza de muito prestígio junto a Dourado, o secretário executivo de Saúde que figura no epicentro de uma denúncia feita ao Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE) sobre supostas irregularidades na contratação de serviços de frete de táxi aéreo pela secretaria, destinadas a privilegiar uma empresa paulista.
Segundo aqueles que com ele já conviveram profissionalmente, Orly exibe a profundidade intelectual de um livro de auto-ajuda, mas é exímio em matéria de esperteza, na esteira da qual contornou os obstáculos próprios da origem humilde e desenvolveu a arte de fazer amigos influentes. Seu maior investimento, que é o segredo de seu sucesso profissional, tem nome e sobrenome, e chama-se Antônio Natsu, um nissei paulista, que veio tentar a sorte em Belém, por volta de 1978, e aqui ficou, casando-se, descasando-se, casando novamente, constituindo família e fixando raízes no Pará. Com consistência intelectual e profissionalmente competente, com a vantagem (para Orly) de ser extremamente discreto, ele é o sócio do marketeiro tucano na Griffo, respondendo pelo departamento de criação na agência. A Orly cabe a captação de clientes e as costuras políticas pelas quais passa o tráfico de influência, do qual historicamente ele se vale. Além, é claro, de fazer o velho e bom mise-em-scène para o público externo, principalmente quando se trata das novas gerações de publicitários e jornalistas, aos quais se apresenta como um dos expoentes da propaganda paraense.

3 Comments:

At 2:27 PM, Blogger careca said...

Tem um quê?
Ora Barata ,tem um buquê!

 
At 4:58 PM, Blogger 23x8 said...

Ei Barata,e o Francisco Cavalcanti,o "cap" da Vanguarda?
Qual é o quê que ele tem?

 
At 8:39 PM, Blogger 23x8 said...

A propósito,Barata,a curva de enriquecimento do Chiquinho é muito mais empinada(rápida)que a do Orly.E com menos tempo de ,digamos,estrada.

 

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