sexta-feira, julho 15, 2005

Tucanato também tem fantasma

Mas nem só de nepotismo vive o tucanato paraense. Há tucano que , por obscuras conveniências, alimenta insondáveis mistérios. Aparentemente esse é o caso de Rosa Maria Lima de Freitas, auditora-geral do Estado no segundo mandato do ex-governador Almir Gabriel e integrante da coordenação das campanhas eleitorais do PSDB. Célebre pelo temperamento irascível, no atual governo ela submergiu no anonimato, algo inusitado em se tratando de uma pessoa que fica extasiada com as pompas e circunstâncias do poder, a despeito de faltar-lhe verniz para cultivar a liturgia que o mesmo exige.
Frequentemente acusada de mesquinha por seus desafetos, Rosa Maria Lima de Freitas não se esforça para livrar-se desse estigma. Em 1999, por exemplo, ela foi capaz de excluir da lista de convidados para um jantar oferecido pelo governador Almir Gabriel, na granja do Icuí, o então vice-governador Hildegardo de Figueiredo Nunes, ao qual devotava uma antipatia gratuita. A sua ousada deselegância rendeu-lhe, na ocasião, uma admoestação pública do próprio governador, que naquela altura ainda não hostilizava o seu vice, com o qual posteriormente entraria em rota de colisão, diante da decisão de Hildegardo de sair candidato a governador pelo PTB nas eleições de 2002.
Embora figurando na folha de pagamento do Estado como assessora especial II do gabinete do governador, segundo informação do Departamento de Recursos Humanos do Gabinete Civil, seu paradeiro é um mistério e ninguém sabe informar ao certo o que ela faz para justificar o dinheiro que mensalmente cai na sua conta bancária, saído dos cofres públicos. “Parece que ela faz assessoria política”, informou vagamente, quando indagado a respeito, um funcionário do Departamento de Recursos Humanos do Gabinete Civil.