domingo, julho 24, 2005

Um golpe de mestre

Do ponto de vista estritamente formal, o questionamento sobre a prestação de contas de 2003 da diretoria bicolor soa extemporâneo, mas indiscutivelmente serve para evidenciar a caixa-preta na qual Tourinho transformou as finanças do Paysandu, o que justificou o recente recurso à Justiça dos auditores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para que, munidos de um mandado de busca e apreensão, pudessem viabilizar o acesso à contabilidade do clube bicolor. Favorecido pelo estatuto do clube, Tourinho, em um golpe de mestre, teve a prestação de contas relativa a 2003 aprovada por decurso de prazo, para recorrer à figura que baliza o processo parlamentar. Explica-se: o estatuto do Paysandu estabelece que, se ao cabo de três convocações consecutivas do Conselho Deliberativo (Condel) o balancete não for apreciado, a prestação de contas da diretoria é automaticamente aprovada.
Naquela ocasião, segundo denúncias veiculadas pela imprensa, Tourinho inicialmente tentou aprovar suas contas sem o quorum exigido estatutariamente, de 3/5 dos membros do Condel. Como o conselho era constituído por 100 membros, seria necessária a presença de pelo menos 60 conselheiros. “Mas tentaram referendar as contas com a presença de apenas 37 conselheiros”, denunciou na época, em entrevista ao jornal “O Liberal”, o empresário Ricardo Rezende, ex-presidente do Paysandu e que hoje faz oposição a Tourinho, do qual no passado foi aliado. Diante da grita da oposição, que se deu em um momento adverso do Paysandu no Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, o que tornava a fanática torcida bicolor permeável às acusações a Tourinho e fazia repercutir na opinião pública a grosseria da manobra, o cartola recuou e valeu-se do decurso de prazo para ter suas contas aprovadas. Não sem antes encenar uma renúncia, em carta lida em reunião do Condel e que foi teatralmente rasgado pelo presidente deste, o professor Antônio Carlos Trindade de Morais, um próspero empresário da educação, que é um dos proprietários do colégio Ideal, um dos mais conceituados de Belém.
Seja como for, desde então as suspeitas de gestão fraudulenta ganharam combustível, sobretudo diante de determinadas circunstâncias. Como, por exemplo, um filho de Tourinho, Marcos José Fonseca Tourinho, ser então membro suplente do Conselho Fiscal, o que agride o estatuto do clube e os mais elementares princípios éticos. Marcos José Fonseca Tourinho assinou o balancete, aprovando as contas relativas a 2003, juntamente com Luiz Otávio Rabelo e Pedro Rosário Crispino, este também suplente do Conselho Fiscal. O presidente do Conselho Deliberativo bicolor, Antônio Carlos Trindade de Morais, aprovou o parecer do Conselho Fiscal, que recomendava a aprovação do balanço patrimonial referente ao exercício de 2003.

2 Comments:

At 8:01 PM, Blogger 23x8 said...

Voce usa nesta notícia uma palavra muito interessante;combustível.O que será que a desembargadora Maria do Céu Cabral Duarte teria a dizer sobre esse líquido?O que o nobre "governador" poderia dizer sobre o assunto?

 
At 1:40 PM, Blogger 23x8 said...

Antonio Carlos Trindade de Moraes,o vira-broto,cara feio prá caramba,parece um jaraqui...

 

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