quarta-feira, agosto 31, 2005

Contra-ataque

"CPIs se unem para fazer só um relatório de cassações" é a manchete desta quarta-feira, 31, de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/), que remete para a matéria sob o título "CPIs unidas contra o abafa", assinada por Adriana Vasconcelos, de Brasília, e em seguida reproduzida integralmente:

“Para impedir qualquer manobra protelatória do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que reforce uma eventual operação abafa a favor de parlamentares envolvidos no suposto esquema de pagamento de mesadas, as CPIs dos Correios e do Mensalão decidiram elaborar relatório parcial conjunto que será apresentado amanhã. Em reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi acertado que o relatório apresentará as provas contra os 18 políticos sob investigação e os crimes nos quais podem ser enquadrados, embasando a abertura de processos de cassação.
“A ação conjunta foi proposta depois que Severino anunciou que remeteria o relatório parcial da CPI dos Correios à CPI do Mensalão e não ao Conselho de Ética da Câmara, o que retardaria a punição dos que receberam dinheiro das contas de Marcos Valério.
“— O mensalão é uma maneira de carimbar um ato, uma conduta. Se alguém entender que é o gesto de um deputado todo mês receber um dinheiro, aí não houve. Agora, receber dinheiro em espécie, como nós vimos e está comprovado, representa uma vantagem ilícita e a conseqüência é a mesma — rebateu o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que deverá se reunir hoje com o relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG).
“Ainda contra manobras para retardar processos de cassação, o PPS assumiu o compromisso de subscrever pedidos de abertura de processo contra parlamentares citados pelas CPIs.
“— As CPIs não podem ficar na mão de um irresponsável como Severino — afirmou o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), ao anunciar a decisão do partido.

Corregedor: relatório fortalecido

“O corregedor Ciro Nogueira (PP-PI) e Severino reafirmaram que seguirão o trâmite dos relatórios: a Mesa manda para a corregedoria, que analisa os relatórios e devolve com um parecer. Mas Ciro admitiu que qualquer partido tem poderes para passar por cima da Corregedoria e mandar os processos ao Conselho de Ética. Para Serraglio, o relatório conjunto deverá forçar Severino a dar prosseguimento às denúncias das CPIs:
“— O relatório já vai mais fortalecido, porque sai de duas CPIs. Será enviado ao presidente da Câmara, que poderá mandar ao Conselho de Ética. A população tem 360 milhões de olhos voltados para cá.
“Serraglio adiantou que a situação do ex-ministro José Dirceu, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de comandar o pagamento do mensalão, e do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, cuja mulher sacou R$ 50 mil da conta da SMP&B Propaganda na agência do Banco Rural em Brasília, é bastante delicada. Já contra o líder do PL, deputado Sandro Mabel (PL-GO), e o deputado Pedro Henry (PP-MT), Serraglio admitiu só ter indícios da participação de ambos no esquema.
“— A situação de João Paulo é complicada. A do deputado José Dirceu também e exige condução severa. Alguém da República teve responsabilidade. A situação deveria ter sido contida a partir dos que decidiam as nomeações. Minha percepção é que não chega ao presidente. Aparentemente tínhamos um chefe de governo e um de Estado. E o chefe do governo era o ministro Dirceu — disse Serraglio.
“Não está descartada a inclusão no relatório do presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), cuja campanha à reeleição ao governo de Minas em 1998 teria sido beneficiada por um empréstimo contraído por Valério. Para Serraglio, parlamentares que sacaram e aqueles que mandaram parentes ou assessores fazerem a retirada cometeram o mesmo crime:
“— Não faz diferença sacar pessoalmente ou mandar alguém. A idéia é apresentar os crimes em que todos podem ser enquadrados. O enquadramento específico, não faremos.”

1 Comments:

At 6:51 AM, Blogger tucupi said...

Digna de nota foi a defesa do presidente da câmara feita pelo deputado paraense Wladmir Costa (PMDB/PA). Com base na posição favorável do deputado Gabeira (PV/RJ) no que concerne à liberação do uso da maconha, o deputado paraense tentou desqualificar a crítica de Gabeira em favor dos hábitos, cultura, moral e bons costumes do cidadão brasileiro! (Liberal. 31.08.05). Sem tentar identificar uma patologia para um tal “bastião da Moralidade” como o deputado do PMDB, é de se lastimar o nível da representação parlamentar do estado em Brasília.

 

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