sábado, agosto 13, 2005

Ficou faltando

“O que Duda não disse na CPI” é o título da elucidativa matéria publicada pela “Folha de S. Paulo” (www1.folha.uol.folha.br.fsp/), neste sábado, 13, a propósito do depoimento do mago do marketing político-eleitoral à CPI dos Correios. A matéria, abaixo reproduzida, é assinada pelo jornalista José Maschio.

“O publicitário Duda Mendonça tornaria mais claro o episódio dos depósitos que recebeu numa conta em um paraíso fiscal no exterior se revelasse algumas informações ainda mais simples do que as relatadas por ele, anteontem, à CPI dos Correios.
“Duda disse que foi orientado a abrir uma subconta numa offshore -empresa em que os sócios não são identificados- nas Bahamas. A offshore, chamada Dusseldorf Company Ltda., opera por uma conta no BankBoston de Miami (EUA).
“Se Duda tivesse também informado o nome ou a sigla de sua subconta na offshore aos parlamentares na CPI dos Correios, sua movimentação bancária já poderia ser analisada.
“O nome ou a sigla da subconta é uma espécie de "apelido" usado para evitar a identificação de seu dono pelo nome. A subconta é movimentada através de uma procuração dada pelo dono da offshore. A senha de Duda Mendonça seria o suficiente para puxar seu extrato.
“Mais simples ainda: o próprio Duda poderia entregar o extrato com o histórico de movimentação de sua subconta, que ele poderia acessar até pela internet.
“Durante o depoimento de Duda, houve perguntas sobre a origem do dinheiro depositado no paraíso fiscal: foi enviado já do exterior para sua conta ou partiu do Brasil?
“Na verdade, existia dinheiro aqui e lá fora. O dinheiro foi transferido pelo chamado sistema cabo, no qual ele não precisa entrar ou sair de um país. Pelo sistema cabo, doleiros em Belo Horizonte pediram a seus correspondentes no exterior para fazer depósitos na subconta de Duda Mendonça na Dusseldorf Company. Aqui no Brasil, esses correspondentes receberam depósitos em valores iguais, em reais, em suas contas.
“O fato de a subconta de Duda estar em uma offshore de um paraíso fiscal não atrapalha uma quebra de sigilo, que poderia mostrar os envolvidos no esquema. O Brasil e os Estados Unidos possuem um histórico de cooperação em crimes contra o sistema financeiro. Basta que a Procuradoria da República ou o Ministério da Justiça acionem seus correspondentes norte-americanos.”