sexta-feira, agosto 26, 2005

PT X PT

Sob o título "Petistas pressionam Dirceu a favor de Tarso", a "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/) publica a seguinte matéria, assinada por Catia Flávia, da Editoria Local:
“O presidente do PT, Tarso Genro, fixou domingo como prazo para definir se mantém sua candidatura ao comando do partido. Até lá, uma legião de petistas tentará convencer o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu a deixar a chapa do Campo Majoritário para a disputa interna de 18 de setembro. Essa foi a conclusão do jantar que reuniu, na noite de quarta-feira, 52 deputados da corrente: que Dirceu deveria se afastar.
“Para facilitar a negociação, os deputados João Paulo Cunha e Professor Luizinho admitiram até a possibilidade de deixar a chapa. O cenário, porém, é incerto, e os dirigentes estão divididos. Até ontem, Dirceu resistia. E, mantido seu nome, Tarso deverá renunciar. Ontem, com o impasse, a tendência era mesmo de que Tarso desistisse, abrindo espaço para a candidatura do secretário-geral do PT, Ricardo Berzoini.
“Pela manhã, particularmente irritado com declarações de Dirceu, Tarso reafirmou a ameaça: "No momento em que vi Dirceu falando pelo Campo Majoritário, cheguei à conclusão de que todos os movimentos que fiz, todo o debate e as questões que coloquei eram corretas", disse, concluindo: "Agora, o Campo Majoritário vai ter que dizer à sociedade e a si mesmo quem fala por ele".
“Após reiterar suas condições, Tarso levou essa queixa ao coordenador do Campo, Francisco Rocha. Obteve uma dura resposta: "Ninguém fala pela maioria individualmente. Nem ele nem Zé Dirceu. Só fala pela maioria quando tiver acordado", reagiu.
“No encontro, Rochinha, como é chamado, também rechaçou a hipótese de pedir que Dirceu deixe a chapa e reclamou das críticas feitas por Tarso à equipe econômica.À tarde, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) admitiu: ‘A hipótese de renúncia existe’. O secretário de Mobilização Francisco Campos foi categórico: ‘A saída é o Tarso sair. Foi um erro enveredar por esse caminho, de crítica à política econômica’. Sobre a pressão para a saída de Dirceu, disse: ‘Dirceu é rocha difícil de quebrar’.
“Mercadante reconheceu as dificuldades para costurar um acordo com Dirceu. Para ele, é ‘possível, porém, improvável’: ‘Vou continuar trabalhando por uma solução. Mas ainda não há.’ A exemplo dos deputados do Campo, disse que Tarso errou na forma ao exigir a saída de Dirceu. Reafirmou que a renovação do PT pressupõe mudanças na chapa.
“O senador se reuniu ontem com Tarso e dois governadores do partido na sede do PT, em São Paulo. Ao chegar, o governador do Acre, Jorge Viana, apoiou o afastamento de Dirceu: ‘Querer estar na chapa e fazer a defesa é um erro. Mas não podemos impor isso. Temos de tentar convencê-lo’.
“Na véspera, os deputados do Campo decidiram trocar sua coordenação, excluindo nomes de acusados de envolvimento no ‘mensalão’. ‘Reconhecemos o trabalho desses companheiros. Mas o partido não pode ficar à deriva por causa de alguns envolvidos’, disse o deputado Odair Cunha (MG). Na reunião, a nova coordenação ficou encarregada de procurar Tarso propondo encontro com os deputados do Campo, inclusive Dirceu, semana que vem. Nela, Tarso deverá obter garantias de que não enfrentará comando paralelo se eleito no PT - desde que amenize o tom.”