domingo, agosto 28, 2005

A terceira idade nos dois Brasis

O Ministério Público e alguns outros seguimentos da sociedade civil organizada reuniram-se no auditório do próprio MP na última sexta-feira, 26, para discutirem questões relacionadas à terceira idade.
Sabemos que o Estatuto do Idoso, com menos de dois anos de vigência, ainda é, em muitos dos seus aspectos, uma utopia no Estado do Pará. Não é muito difícil perceber porque.
Os albergues para idosos em Belém são insuficientes e vivem lotados, além de sobreviverem com parcos recursos. As dotações orçamentárias do poder público não priorizam este setor. As políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de vida do idoso ainda estão longe de serem consideradas satisfatórias, e assim por diante. Para piorar o quadro, o setor privado trata o idoso como estorvo na maioria das vezes, como no caso do transporte coletivo e de muitos planos de saúde
Coincidentemente, na mesma sexta-feira, 26, o “Globo Repórter”, programa semanal da Rede Globo, teve como tema o envelhecimento e os avanços da ciência para desvendar os inúmeros mistérios desta fase da vida. Durante a exibição da matéria, me chamou atenção a reportagem sobre uma senhora de 94 anos que, ainda em plena atividade, dirige um fusca com a desenvoltura de uma pessoa de pelo menos 50.
Fiquei imaginando aquela linda senhora, tão maravilhosa nas suas peculiaridades, tentando subir num coletivo aqui, em nossa cidade. É quase certo que não conseguiria chegar ao seu local de trabalho com a pontualidade de sempre. Os motoristas daqui, ao que nos é dado perceber, não devem ter tido mãe ou avó, ou esqueceram que têm ou já tiveram.Ela ficaria, além do mais, torrando ao sol (porque aqui não tem local decente nem para se esperar o ônibus ). E se tentasse dirigir seu fusca neste trânsito enlouquecido? Meu Deus! Ou se quisesse andar a pé pelas nossas calçadas? Melhor nem comentar. Seria preocupante vê-la numa fila de caixa eletrônico, onde a “juventude” não tem a mínima paciência e consideração por quem já passou dos sessenta.
Quero muito envelhecer com a mesma qualidade de vida daquela velhinha. Mas, se possível, lá na Serra Gaúcha! O mesmo lugar onde ela vive e provavelmente morrerá - sabe Deus quando. (Laura Almeida*)

* LAURA ALMEIDA é assistente social e colaboradora deste blog.

3 Comments:

At 10:20 AM, Blogger paroara said...

Ora, fossem apenas os idosos carentes a viverem em situação aflitiva...
O problema é que no Pará as políticas públicas, e especialmente as de proteção social, vivem permanentemente atreladas à politiquice rastaquera, no Estado e nos municípios.
Não há nada, nos últimos 20 anos, que possamos exemplificar como expressão local, perene, de uma política estado. Quase tudo não vai além da expressão nanica de apêncice programático de grupos políticos em experimentação de governo.
Logo, quando são substituídos por outros, tudo se renova pelo pior método: o esquecimento, a desarticulação, para a partir da inanição somar àquela situação, que, cinicamente, alguem resumiu na conhecida frase do "Pará já teve".
O que temos vivido no Pará dá uma tristeza imensa quando vamos a estados bem mais pobres que o nosso, ao Nordeste, por exemplo, e observamos a energia da sociedade em enfrentar suas mazelas. Exemplo disto, sem dúvida, foi a indústria do turismo como solução de trabalho digno para os nordestinos.
Mas, aqui, como constatamos, turismo só compõe linha de discurso oficial em época de campanha. E depois para dar emprego aos apaniguados do eleito.
No Pará não há indústrias, escape aquelas que sangram as riquezas minerais e vão lucrar em outras terras e aos donos de outros portos.
A herança das chamadas elites paraenses para a história do século passado, descontados a derradeira materialidade legada pelos barões da borracha, é pífia e assemelhada ao prazer com que se satisfazem em registrar seus nomes em placas de inauguração e no efêmero das colunas sociais.
Com um histórico desses, o que mais a "sentinela do Norte" poderá esperar em sua velhice, senão decrepitude ?

 
At 12:51 PM, Blogger Anjo Mecanico said...

Estou nesse momento revendo a praxis no blog, em um movimento de abstração reflexiva sobre o projeto de revista, que lhe dá sentido. Estou estudando um bucado, mas um texto me chamou muita atenção, de fato me pareceu espécie de colírio alucinógino, não sei se em bom ou mau sentido, em todo caso, se tiver um tempinho, dá uma olhada no texto e me diz, mesmo que de forma curta, o que pensa sobre o que há escrito nele.

 
At 10:02 PM, Blogger açaí said...

anjo mecânico,céus que é isso?
ácido,pó,cogumelo,xouriço?
sei não que doideira,
é toda gente postando besteira.


(limpeza,Barata,limpeza)

 

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