quinta-feira, setembro 08, 2005

As trapalhadas de Levy 1

Ao que parece, dessa vez o presidente do Clube do Remo, engelheiro Raphael Levy, 64, se superou em seu gosto por factóides, ou seja, por fatos, verdadeiros ou não, divulgado com sensacionalismo, no propósito deliberado de gerar impacto diante da opinião pública e influenciá-la. Depois de ameaçar retirar o Remo do Campeonato Estadual, no início da temporada, sem ter condições para fazê-lo diante das drásticas consequências que o gesto teria para o clube, agora ele veio a público imputar à Justiça do Trabalho uma intransigência que não encontra correspondência nos fatos, tal qual eles foram revelados pelo jornalista Carlos Ferreira, em sua coluna desta quinta-feira, 8, de "O Liberal" (www.oliberal.com.br).
Em sua coluna, Carlos Ferreira comenta o imbróglio do bloqueio da renda do jogo do Clube do Remo com o São Raimundo, confrontando a versão do cartola remista com os fatos:

“Remo: a verdade contra o discurso

“Ao queixar-se da Justiça Trabalhista pelo confisco de toda a renda do jogo contra o São Raimundo-RR, o presidente do Remo, Raphael Levy, pareceu convincente no discurso de vítima. Mas contou a história pela metade. Deixou de dizer que o confisco aconteceu porque no jogo anterior, contra o São José-AP, o Remo ficou com toda a renda, não pagando os 30% (R$ 40 mil) do acordo feito com a Justiça Trabalhista.
“O acordo, que já havia sido feito e quebrado pelo clube em outras ocasiões, foi reafirmado no início deste ano, pela nova diretoria, com a Justiça restabelecendo o limite de 30% no bloqueio de renda. Como no Campeonato Brasileiro, o próprio clube comercializa os ingressos, o valor destinado a pagamento de débitos trabalhistas é entregue à Federação Paraense de Futebol, que faz o repasse à Justiça. Como o clube não cumpriu o acordo no jogo contra o São José-AP, cuja renda bruta foi R$ 193.724,00, a Justiça levou do jogo seguinte, contra o São Raimundo-RR, não só os 30% (R$ 18 mil) do acordo, como também os R$ 43 mil que caberiam ao Remo, e mais R$ 19.168,00 foram recolhidos por conta de um débito trabalhista do clube com Livaldo Gomes, ex-técnico das divisões de base. No final das contas, o Remo ficou devendo R$ 3 mil à FPF, que precisou completar o pagamento das despesas do evento.
“Um clube que não cumpre compromisso nem mesmo com a Justiça não pode fazer discurso de vítima. É isso que faz o descrédito e dá margem para a pressão de atletas, comissão técnica, funcionários e fornecedores. Vê-se que a crise do Clube do Remo não é apenas financeira. Há também uma crise moral, à medida que falta credibilidade.”

“A necessidade de ser patrão

“Por força de sua crise, em vez de reagir, o Remo se viciou em “fazer de conta”. O clube faz de conta que está tudo bem, faz de conta que paga, faz de conta que cobra... Assim o Remo chegou à 3ª divisão do futebol brasileiro. A estrutura só funciona, mesmo precariamente, quando a ordem se inverte. É quando o técnico vira patrão e se impõe diante da cartolagem, como está fazendo Roberval Davino.
“No “faz de conta” do Remo, ou o técnico é “gerentão” e se impõe, ou não é se perde no desgastes inevitáveis, como aconteceu com Agnaldo de Jesus em 2004 e Válter Lima em 2005. Tita conseguiu se desgastar com a diretoria e com o elenco.
“O presidente Raphael Levy diz que Davino está estressado porque se propôs a ser intermediário entre o elenco e a diretoria, se deixando levar pela angústia de não ver os problemas resolvidos. Isso acontece porque o técnico se vê obrigado a agir como supervisor e diretor, suprindo cargos que não funcionam efetivamente no Baenão. Pior ainda quando os jogadores passam a não acreditar na diretoria.
“No Baenão, ninguém foi melhor no acúmulo de funções que Paulo Bonamigo. Em 2000 ele passou pelos piores apertos para conduzir o elenco em situação muito pior que a atual, sempre mostrando que com trabalho o time poderia reverter o quadro. O Remo fez sucesso na Copa João Havelange e todos ganharam dinheiro. Esta Série C está plenamente favorável ao lucro financeiro, desde que haja trabalho, cumplicidade e relação profissional entre o clube e seus profissionais.
“O Remo precisa derrotar a mentalidade do “faz de conta”, se quiser decolar rumo à Série B.”
Diante do exposto, lamenta-se constatar que o atual presidente do Clube do Remo seja só isso. Principalmente porque já chegou em uma idade que não comporta a irresponsabilidade, que fatalmente conspira contra o discernimento e reduz a capacidade de se conferir aos problemas a dimensão que eles realmente têm.

1 Comments:

At 10:35 AM, Blogger açaí said...

Levy sempre foi presepeiro
como se dizia naquela época
Com um Corcel negro,rasteiro
Zoava contando lorota
A placa era de Nova York,sublime
mas a do Maranhão, imagine.

Hoje velhusco papudo,
se agarra no Remo zolhudo
quem sabe traz sorte e fama
ao clube que Barata ama.

Não sei se vai dar certo,
mas ninguém duvide,é esperto.
Com Ferreira e Barata no lombo
também pode levar um tombo.


(poema políticamente correto)

 

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