terça-feira, setembro 27, 2005

CHACINA DE ELDORADO/As marcas da violência

A brutalidade dos PMs era atestada pelo exame, mesmo superficial, dos corpos das vítimas mortas, como verificaram os jornalistas deslocados para Marabá, em cujo Instituto Médico-Legal ficaram os corpos. “Manchas roxas informam que tomaram chutes e pontapés, enormes buracos de bala e manchas de pólvora comprovavam que foram dados tiros à queima-roupa, membros mutilados e cabeças arrebentadas denunciam uma selvageria”, descreveu a revista “Veja”, em sua edição de 24 de abril de 1996, cuja matéria de capa foi justamente sobre o massacre de Eldorado dos Carajás.
De acordo com a mesma edição da “Veja”, uma perícia realizada pelo legista Nelson Massini, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revela que nem todos os 19 mortos perderam a vida no confronto. Na avaliação do perito, pelo menos 10 – mais da metade das vítimas –foram chacinadas. Três morreram com balas na cabeça, em tiros a curta distância, prova inequívoca de que houve execução. Outros sete tiveram seus corpos retalhados a golpes de foice, segundo o mesmo perito, que registrou esmagamento de crânio, costas abertas e braços quebrados, indícios de que as vítimas foram liquidadas quando já estavam dominadas, sem condições de se defender ou reagir.