quinta-feira, setembro 29, 2005

CÂMARA/Vale-tudo petista

Em sua edição desta quinta-feira, 29, a "Folha de S. Paulo" (acesso restrito aos assinantes do jornal e/ou do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/) define a eleição de Aldo Rebelo (PC do B-SP) para presidente da Câmara dos Deputados, embora apertada, como o mais significativo trunfo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vários meses, desde que seu governo foi derrotado na Câmara em fevereiro e, depois, mergulhou na sua mais profunda crise com o escândalo do "mensalão". Com isso, acentua a matéria da "Folha", Lula ganha um aliado estratégico contra eventual tentativa de abertura de processo de impeachment.
Abaixo, a transcrição da matéria da "Folha":

Aldo vence, dá gás a Lula e esperança aos "mensaleiros"

O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), 49, é o novo presidente da Câmara. Ele derrotou ontem, em segundo turno, José Thomaz Nonô (PFL-AL), por 15 votos de diferença -258 a 243. Ambos haviam obtido 182 votos cada um no primeiro turno. Aldo sucede o ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou ao cargo e ao mandato após ser envolvido em denúncias de corrupção que são objeto de apuração.
A vitória de Aldo, embora apertada, é o mais significativo trunfo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vários meses, desde que seu governo foi derrotado na Câmara em fevereiro e, depois, mergulhou na sua mais profunda crise com o escândalo do "mensalão". Lula ganha um aliado estratégico contra eventual tentativa de abertura de processo de impeachment.
O Planalto jogou pesado para afastar o risco de ter o PFL à frente da Câmara. Combinou liberação de verbas para parlamentares, ameaça de retaliação e promessas a aliados. Antes da votação, o novo presidente da Câmara fez um discurso afirmando que teria "coragem e isenção" para defender aqueles que ele considerar inocentes nos processos de cassação. O ex-ministro José Dirceu (PT-SP), ameaçado de perder o mandato, foi um dos que mais comemoraram a vitória do nome do governo.
Aldo já havia exercido o cargo de ministro da Coordenação Política sob Lula. Caiu em julho, arrastado pelo desarranjo político da base governista. Segundo analistas, o resultado é bom para o governo, mas reflete uma maioria frágil, o que dificulta que Aldo lidere sem mais uma "operação abafa" para livrar colegas da cassação.