terça-feira, setembro 20, 2005

De saída, Severino garante emprego de cinco parentes

Na edição desta terça-feira, 20, “O Estado de S. Paulo” (www.estadao.com.br) revela que o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) vai renunciar ao mandato de presidente da Câmara, mas não deixará os parentes na mão. Ele garantiu a permanência de quatro familiares na Câmara e do filho em órgão público de Pernambuco.
Severino negociou a permanência na Câmara de quatro parentes diretos que ocupam cargos de confiança: a nora Olga Maria, a filha Catharina Amélia, a irmã Marlene Cavalcanti e a neta Rafaella, que têm salários entre R$ 1,6 mil e R$ 7,5 mil. Ele também garantiu a permanência do filho José Maurício Valadão Cavalcanti na delegacia regional do Ministério da Agricultura de Pernambuco. José Maurício é marido de Olga e pai de Rafaella. Só depois que o presidente Lula nomeou José Maurício, que trabalhava no gabinete do pai, Severino anunciou que passaria a integrar, com toda fidelidade, a base de apoio ao governo. Prometeu e cumpriu.
Também está assegurada a permanência do ministro das Cidades, Márcio Fortes, da cota de Severino e do PP. Todos os secretários de programas da pasta serão mantidos.
Auxiliares do presidente Lula informaram ontem que a decisão de manter no cargo tanto Márcio Fortes quanto José Maurício deve-se, principalmente, ao fato de que o governo trabalha para que o PP permaneça na sua base de sustentação no Congresso e não quer abrir nova crise. Além do mais, disse um auxiliar de Lula, Fortes tem demonstrado competência para servir ao governo desde que era secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento.
Quanto a José Maurício, a informação no Palácio do Planalto é de que o presidente Lula gosta do trabalho que ele faz. O Planalto pretende manter todo o pessoal do PP na administração federal, para mostrar que a queda do presidente da Câmara não vai abalar a sua base de sustentação.
Quem ainda não está com a situação definida é Gabriela Kênia Martins, secretária de Severino. Foi ela quem descontou o cheque de R$ 7,5 mil emitido por Sebastião Buani, dono do Restaurante Fiorella, que acusa Severino de ter-lhe cobrado propina para prorrogar a concessão do serviço. À PF Kênia disse que o cheque fora uma contribuição para a campanha de Severino Júnior a deputado estadual em 2002. Júnior morreu em acidente de carro antes da eleição. Kênia ocupa um cargo de natureza especial no gabinete da presidência da Câmara.

Pupilo no TCU

"O Estado de S. Paulo" acrescenta, na notícia, que o deputado Augusto Nardes (PP-RS), pupilo de Severino, toma posse hoje no cargo vitalício de ministro do Tribunal de Contas da União. O presidente do TCU, Adylson Motta, comandará o ato. Motta havia pedido ao presidente Lula - depois de fazer a comunicação a Nardes - que não assinasse o ato de nomeação até que fossem esclarecidas as suspeitas sobre o envolvimento do novo ministro no esquema do mensalão. Uma lista apócrifa que circulou pela CPI dos Correios incluiu Nardes entre aqueles que supostamente receberiam uma mesada para votar a favor de projetos de interesse do Palácio do Planalto. Como não se confirmou a suspeita, Lula nomeou Nardes na semana passada.
Nardes se despediu ontem de seus colegas de Câmara. "Combati o bom combate, cumpri a carreira, guardei a fé", disse ele, repetindo o apóstolo Paulo (Segunda Carta a Timóteo, capítulo 4, versículos 7-8).