terça-feira, setembro 27, 2005

Debandada petista 3

O esquartejamento do PT também foi destaque na edição desta terça-feira, 27, de “O Globo” (oglobo.globo.com/jornal/), cuja manchete foi: “PT perde fundadores e já não é o maior da Câmara”.
Em seguida, a transcrição da matéria à qual remete a manchete do jornal:

Petistas batem em retirada

Ricardo Galhardo e Isabel Braga

SÃO PAULO e BRASÍLIA


A debandada no PT começou antes mesmo da divulgação do resultado oficial das eleições internas, prevista para hoje. Ontem, o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, fundador do partido e ex-candidato à presidência nacional, e o deputado federal Ivan Valente (SP) anunciaram que estão indo para o PSOL. Também o ex-vice-prefeito de São Paulo Helio Bicudo, outro fundador, decidiu sair, mas ainda não escolheu o novo partido. Com isso, o PT deixou de ser a maior bancada da Câmara: até anteontem tinha 88 deputados contra 87 do PMDB. Com a saída dos paulistas Ivan Valente e Orlando Fantazzini (SP), passou a ter 86 dois dias antes da eleição que escolherá o sucessor de Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou semana passada sob suspeita de corrupção.
Além de ter sido obrigado a tirar dos cargos seu presidente (José Genoino), o tesoureiro (Delúbio Soares) e o secretário-geral (Sílvio Pereira) por causa das denúncias de corrupção e caixa dois, o PT sofrerá debandada ainda maior do que a anunciada ontem. Deputados do grupo de esquerda reuniram-se ontem à noite em Brasília e, dos 21 integrantes, seis ou sete devem mudar de legenda até sexta-feira, prazo final de filiação para quem vai disputar a eleição ano que vem. Além dos dois paulistas, hoje outros dois petistas devem formalizar a mudança: os deputados Chico Alencar (RJ) e Maninha (DF).

Plínio: militantes em currais eleitorais

Plínio disse que as eleições internas serviram para comprovar ser impossível tentar mudar o PT por dentro.
— Apesar da crise e de toda a vigilância da imprensa, o que nós vimos foi a repetição dos métodos que transformaram o PT em uma máquina eleitoral. Os militantes foram tratados como rebanhos em verdadeiros currais eleitorais. O Campo Majoritário continua com a maioria do diretório nacional.
Juntamente com os deputados federais que saem, vão dezenas de vereadores, deputados estaduais e líderes sindicais ligados à corrente Ação Popular Socialista. Segundo Plínio e Valente, a opção pelo PSOL é provisória e tem o objetivo de garantir a legenda para os candidatos às eleições do ano que vem.
— O PSOL deixou claro que tanto o programa como o manifesto são provisórios. Eles tomaram esta decisão para tornar mais fácil o ingresso de pessoas que ainda querem discutir mais profundamente esta nova agremiação — disse Plínio.
Também deixam o PT cinco integrantes do diretório nacional do partido e três membros do bloco petista na executiva nacional da CUT. Para Valente, os líderes do PSOL foram generosos em aceitar os ex-petistas desgarrados.
— É uma generosidade dos companheiros do PSOL que tiveram o mérito de legalizar esta legenda. É uma legenda que trataremos neste primeiro momento de uma forma que não signifique perda de liberdade para as partes — disse o deputado.

Tarso Genro lamenta as saídas

O presidente interino do PT, Tarso Genro, divulgou nota na qual não lamenta as saídas: “A decisão de saída de um partido político é um ato de consciência, logo, uma tomada de posição unilateral. Desejamos aos companheiros que estão buscando outra sigla que realizem o seu desejo de contribuir de uma forma mais eficaz para a construção de um país melhor”. Semana passada, o deputado João Alfredo já se havia desfiliado do PT. No domingo foi a vez de 400 militantes dissidentes da CUT e das tendências Articulação de Esquerda e Democracia Socialista anunciarem a saída do PT.