quinta-feira, setembro 08, 2005

Empresário reafirma acusação contra Severino

De acordo com Globo Online (oglobo.globo.com/), em notícia sob o título "Empresário diz que pagou mais de R$ 120 mil a Severino", O empresário Sebastião Augusto Buani confirmou nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, que pagou cerca de R$ 128 mil ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, para garantir a prorrogação por três anos do contrato de restaurantes e cantinas da rede Fiorella na Câmara.
Em seguida, a matéria, assinada pelo jornalista Jailton de Carvalho, de "O Globo":

“BRASÍLIA - O empresário Sebastião Augusto Buani confirmou nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, que pagou cerca de R$ 128 mil ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, para garantir a prorrogação por três anos do contrato de restaurantes e cantinas da rede Fiorella na Câmara. Buani, que chegou a chorar ao lembrar que a filha Gisele certa vez o aconselhou a parar de pagar propina, disse que em 2002 pagou R$ 40 mil de uma única vez. O restante teria sido pago em parcelas mensais de R$ 10 mil, o chamado mensalinho, ao longo de 2003, quando Severino era o primeiro secretário da Câmara.
“A entrevista de Buani complica ainda mais a situação de Severino, que está em Nova York participando da reunião da Conferência Mundial dos Presidentes de Parlamentos, na ONU. O presidente da Câmara mais uma vez negou a denúncia e se limitou a dizer:
- É mentira, mentira, mentira.
“Buani revelou detalhes das negociações com Severino, indicou nomes de testemunhas que poderiam confirmar o suborno e até se dispôs a apresentar em breve a cópia de um dos cheques que usou para quitar parte da dívida com o deputado. O empresário disse ainda que o deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) participou das negociações que levaram ao suborno.
“- Ele foi obrigado a pagar, senão pagasse não teria a renovação do contrato de seus restaurantes - afirmou Sebastião Coelho, um dos advogados do empresário.
“Buani fez o primeiro pagamento, de R$ 40 mil, no primeiro semestre de 2002. Severino teria exigido R$ 60 mil para renovar o contrato do Fiorella até o fim deste ano. Seriam R$ 20 mil por cada novo ano de contrato. Depois de uma longa negociação, Severino concordou em baixar o valor do suborno para R$ 40 mil. Buani disse que pagou a propina com dinheiro sacado numa conta no Bradesco e com parte dos recursos arrecadados em seus restaurantes. Disse ainda que o dinheiro foi posto num envelope pardo e entregue a Severino.
“- Entreguei o envelope pardo a ele. Saímos andando pelos corredores da Câmara, ele (Severino) com o envelope na mão. Ele não fez questão do sigilo - afirmou o empresário, surpreso com a desenvoltura do então primeiro secretário.
“Meses depois, Buani recebeu uma carta da mesa da Câmara anunciando a rescisão do contrato, mesmo após o acerto entre ele, Gonzaga Patriota e Severino. No dia 31 de janeiro de 2003, data-limite para a confirmação da renovação do contrato nos termos pedidos por Buani, Severino concordou com o pleito do empresário e até endossou um reajuste de 30% nos preços da comida fornecida pelo Fiorella. Mas, de novo, o deputado exigiu uma contrapartida.
“Severino pediu um mensalinho de R$ 20 mil. O deputado teria alegado que precisava de dinheiro porque ainda estava às voltas com despesas de sua campanha eleitoral. Após uma tensa negociação, aceitou baixar a mesada para R$ 10 mil. O deputado estaria também de olho nos crescentes lucros do empresário.
“Buani disse ainda que, no início deste ano, depois de sofrer um infarto, decidiu registrar por escrito passo a passo o pagamento de propina.
“O empresário disse que ficou revoltado com a exigência da renegociação de uma propina que já estava paga. Mas, sem alternativa, concordou em pagar os R$ 10 mil por mês para Severino. O mensalinho teria sido pago de fevereiro a outubro de 2003. Ele suspendeu a mesada porque, com o aumento das despesas, estava sem recursos para pagar até os salários de alguns de seus empregados. O empresário disse que, em meio ao sufoco financeiro, teve que pagar a mesada de julho em cheque.
“Buani já pediu uma cópia do documento ao banco, que pode ser a primeira prova material contra Severino. O cheque teria sido descontado pelo motorista do deputado. Buani disse que as mesadas eram pagas em até três parcelas. O dinheiro era recolhido pela filha, Gisele, e levado pelos garçons José Ribamar da Silva, Hélio Antônio da Silva e um terceiro identificado apenas como Rosenildo.”