segunda-feira, setembro 19, 2005

Goianésia: sinal de alerta

A revolta popular ocorrida sábado, 17, em Goianésia, onde mais de duas mil pessoas destruíram a delegacia de polícia, o fórum, secretarias municipais e a casa do prefeito, além de veículos, nos quais atearam fogo em protesto contra o desaparecimento de uma menina de cinco anos, surda e muda, soa como uma advertência ao poder público. A hipótese de que a revolta possa ter sido insuflada por adversários do prefeito não exclui a constatação que o terreno é fértil, diante do abandono em que vivem as populações do interior do Pará.
O tradicional imobilismo das administrações municipais, o desaparelhamento das polícias Civil e Militar e a ação lenta e parcimoniosa da Justiça, quando somados, constituem-se em nitroglicerina pura. Logo, não é difícil que a ira popular, em situações limites, se alastre como fogo em capim seco. A realidade do Pará nada tem a ver com a fantasia da publicidade oficial, que vende a imagem de um Estado próspero e de um povo satisfeito com o governo.
Espera-se que o episódio de Goianésia sirva para acionar o sinal de alerta às autoridades em geral e ao governo do Pará, em especial.