quinta-feira, setembro 08, 2005

Marinho é demitido dos Correios

Segundo notícia do Globo Online (oglobo.globo.com/), O ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, foi demitido nesta quinta-feira por justa causa. Ele trabalhava nos Correios há 28 anos, e foi admitido por concurso público. O motivo da demissão foi a comprovação de que o funcionário valeu-se do seu cargo para tirar vantagens pessoais. Depois de negociar a redução de sua pena pelo sistema de delação premiada, o próprio Marinho admitiu em depoimento ao Ministério Público sua participação no esquema de corrupção.
Em seguida, a íntegra da notícia, assinada por Adriana Vasconcelos, de "O Globo":

“BRASÍLIA - O ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, foi demitido nesta quinta-feira por justa causa. A decisão foi anunciada pelo presidente da estatal, Jânio Pohren. Uma sindicância nos Correios, que durou 90 dias, respaldada por parecer do Departamento Jurídico da empresa, respalda a decisão da direção da estatal.
“A demissão de Marinho só será efetivada em 26 de outubro, quando termina a licença médica por diabetes concedida ao ex-chefe de administração.
“- A demissão de Marinho agora está nas mãos dos peritos do INSS - resumiu um assessor da estatal.
“Marinho trabalhava nos Correios há 28 anos, e foi admitido por concurso público. O motivo da demissão foi a comprovação de que o funcionário valeu-se do seu cargo para tirar vantagens pessoais. Depois de negociar a redução de sua pena pelo sistema de delação premiada, o próprio Marinho admitiu em depoimento ao Ministério Público sua participação no esquema de corrupção. Ele confessou ter recebido aproximadamente R$ 20 mil entre setembro de 2004 e abril de 2005 para favorecer empresas de consignação de produtos e de materiais gráficos.
“Segundo Marinho, essa seria a "parte menor do que foi repassado diretamente a superiores". Ele chegou a indicar o nome das empresas das quais teria recebido esse dinheiro, entre elas a Polycart, a Incomir, a ELC/Starlock e a Multiforma. Marinho acusou ainda o ex-diretor de Administração Antônio Osório, seu assessor Fernando Godoy, ambos indicados pelo PTB, e o ex-diretor Comercial Carlos Eduardo Fioravanti, da cota do PMDB, de usarem a estrutura dos Correios para arrecadar fundos para seus respectivos partidos.
“O ex-chefe do Departamento de Contratação desencadeou a crise política ao ser flagrado por uma câmera escondida recebendo um maço de R$ 3 mil de supostos empresários interessados em fornecer equipamentos de informática à estatal. No vídeo, Marinho, indicado para o cargo na cota do PTB, diz que agia com o aval de Antônio Osório Batista, e em nome do deputado e então presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ).
“Segundo ele, Jefferson 'comandava com mão-de-ferro' o esquema de arrecadação de dinheiro nos Correios para o partido. Depois, Marinho negou em depoimentos o que dizia na gravação. E, mais tarde, falando no Ministério Público, reafirmou as acusações contra o deputado do PTB.
“Marinho contou, no depoimento, que Jefferson de fato coordenava o suposto esquema em outras estatais, que seriam as 'fabriquinhas de dinheiro' para o partido. Para fiscalizar a arrecadação, disse Marinho, Jefferson designara o genro Marcus Vinícius Vasconcelos Ferreira, que trabalhava na Eletronuclear.”