sexta-feira, setembro 09, 2005

PT X PT: debate em Belém

Em sua edição desta sexta-feira, 9, "O Liberal" (www.oliberal.com.br), dedica um privilegiado espaço para o debate entre os candidatos a presidente do PT realiza em Belém, nesta última quinta-feira, 8.
Sob o título "Petistas atacam o governo", a matéria é reproduzida abaixo:

“Apoio à reeleição do presidente Lula e propostas de mudanças no Partido dos Trabalhadores (PT) marcaram o debate entre os seis candidatos à presidência nacional do PT na noite de ontem. A discussão acalorada aconteceu na sede do Clube do Remo, com a presença de dezenas de militantes e pessoas filiadas ao partido, que manifestaram suas preferências através de faixas e aplausos. A eleição acontecerá no próximo dia 18, e a expectativa é que grande parte dos filiados do PT em todo o Brasil - cerca de 820 mil - votem no Processo de Eleição Direta do Partido (PED), realizado de quatro em quatro anos.
“Cada um dos candidatos teve dez minutos para expor as propostas. Em seguida, aconteceu também um debate entre candidatos e pessoas presentes. De acordo com o candidato Markus Sokol, da chapa “Terra, Trabalho e Soberania”, o presidente Lula ainda não cumpriu muitas metas previstas na campanha eleitoral. “Os 53 milhões de brasileiros votaram por uma reforma agrária, por um salário decente para os trabalhadores. E é chocante lembrar que nos últimos sete meses, R$ 69 milhões saíram dos cofres públicos para pagar juros da dívida brasileira”, afirmou.
“A única candidata do sexo feminino, Maria do Rosário (da chapa “Movimento”), falou sobre a crise. “Estamos apresentando ao povo brasileiro uma oportunidade de reestruturação do PT”, frisou. Segundo ela, o partido continua forte e de pé, dirigindo-se “ao caminho da mudança, com democracia na vida partidária”, segundo suas palavras.
“Plínio de Arruda (da chapa “Pro PT voltar a ser PT”), acredita que esta é a maior crise enfrentada pelo partido até agora. “Sabemos que todas as crises são negativas. Mas é também uma oportunidade para revermos os rumos do PT”, salientou. Na opinião dele, é preciso verificar a origem da crise e, em seguida, fazer mudanças. “A origem de uma crise é um partido passar 25 anos falando uma coisa e chegar à Presidência da República fazendo exatamente o contrário”, disse. Plínio foi aplaudido quando disse que “é fundamental substituir a equipe do ministro Palocci”.
“O candidato Raul Pont enfatizou que a população brasileira ainda não recebeu os devidos esclarecimentos por parte do governo. De acordo com ele, em três meses de crise, já aconteceram cinco reuniões da direção nacional, o que representa um recorde. “E mesmo assim, não tivemos nenhuma sinalização no sentido de mostrar para a população que estamos trabalhando, que iremos punir os culpados e apurar todas as denúncias”, argumentou.
“O debate faz parte da agenda do Diretório Nacional e acontece em todas as capitas e muitos municípios do país. Além da presidência nacional, também serão eleitos os presidentes estaduais, municipais e zonais, compondo assim os diretórios em todos os níveis da estrutura partidária para os próximos quatro anos. Os candidatos à presidência nacional são Maria do Rosário, Plínio de Arruda, Markus Sokol, Ricardo Berzoini, Raul Pont e Walter Pomar. O debate contou ainda com a presença do deputado federal Paulo Rocha e do ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues, além de outras autoridades.
Os militantes presentes no debate também emitiram opiniões sobre o momento político do Brasil e sobre as eleições próximas, reforçando idéias como mudança, ética, política de alianças para as próximas eleições, dívida externa, entre outras.
De acordo com o coordenador estadual do PED, Hamilton Corrêa, o debate foi uma oportunidade para que os petistas belenses conhecessem as propostas de cada candidato. “A eleição não foi instituída em função da crise atual na esfera governamental. Esse é um processo que já estava previsto e agendado.
E o momento é ideal, sem dúvidas”, complementou. Segundo ele, o PED foi instituído a partir do 12º Encontro Nacional do PT, que aconteceu em 2001.
Os candidatos a presidente do Diretório Estadual do Pará são: a senadora Ana Júlia, a deputada estadual Araceli Lemos, Bira Rodrigues, Gumercindo Gusmão e o deputado federal Zé Geraldo.

“Berzoini afirma que nem todas as denúncias são verdadeiras

“O candidato do grupo majoritário do PT, deputado federal e ex-ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse que é preciso separar as denúncias. O deputado classificou as denúncias de corrupção nos fundos de pensão e na publicidade do Banco do Brasil como completamente falsas. “Se investigou e não se achou nada. É preciso que haja o mesmo espaço para quem acusa e quem se defende. O mensalão na Câmara Municipal de São Paulo foi denunciado e depois o denuncuiante confessou que tinha inventado tudo e ninguém sabe nada disso”, desabafou Berzoini.
“Quanto à questão do caixa dois em campanha, Berzoini defendeu uma investigação rigorosa e adiantou que o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, terá que se explicar sobre os empréstimos e sobre como isso seria pago. Berzoini comentou que existe graves indícios de caixa dois na campanha do Serra, por conta da não contabilização de R$ 30 milhões e ninguém está investigando a questão. Até mesmo a campanha do senador tucano Eduardo Azeredo, que em 98 concorria à reeleição ao governo de Minas Gerais, foi citada por várias pessoas ouvidas nas CPIs e ninguém investigou mais nada. “É preciso uma investigação total, e não algo parcial. O mais importante é que, se comprovadas as denúncias, as providências jurídicas sejam tomadas”, complementou o deputado.
“Segundo Berzoini, outra idéia errada que vem sendo implantada na sociedade está relacionada ao termo “direita do PT”. Para o deputado, isso não existe porque o PT é um partido socialista e, portanto, seus militantes são de esquerda. Uma das políticas de curto prazo que Berzoini encarou como prioridade seria uma divulgação maior à sociedade de todas as conquistas significativas do governo Lula. Ele destacou as políticas de transferência de renda e de geração de empregos, como a média mensal de 104 mil empregos por mês. “A disputa política tem que se feita sobre como os problemas do País vêm sendo resolvidos”, comentou o deputado.

“Sampaio quer mudanças na política econômica

““O PT tem que exigir a apuração dos fatos, punir os culpados e, no governo federal, mudar a política econômica, que não é igual a de FHC, mas não é a que queremos”, disse o jurista Plínio de Arruda Sampaio, candidato à presidência nacional do PT pela chapa “Esperança Militante”, que no Pará tem o apoio da deputada estadual Aracele Lemos, do ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues e da vereadora Marinor Brito. Para Arruda, o presidente Lula tem que enfrentar o problema da dívida, renegociá-la, para que o País tenha recursos para promover melhorias na saúde, educação, sistema de transporte e na geração de empregos.
“Na avaliação de Plínio Arruda, o Brasil tem grandes chances de conseguir melhores condições de pagamento da dívida, que é sufocante e inibe os investimentos necessários. “Esse pagamento é uma sangria brutal que vai sacrificar essa e a próxima geração. Isso atrapalha o Brasil numa época em que está havendo uma nova divisão internacional do trabalho”, comentou Arruda. Na política social, Arruda destacou que houve melhoras significativas na agricultura familiar e microcrédito, mas logo em seguida voltou a atacar na questão da dívida e a libertação do pensamento de ter que cumprir as metas do superávit primário. Arruda destacou que o Brasil está sendo chantageado pelo capital privado internacional em troca de paz econômica no mercado financeiro.
“O jurista reconheceu que o enfrentamento de questões como o pagamento da dívida poderá provocar turbulências na economia e, para isso, o presidente Lula tem que preparar o povo para entender o que pode acontecer. Segundo Arruda, se Lula partir para essa mudança na política econômica, terá o apoio da maior parte da população, que quer mudanças e por isso votou nele. “O PT é um partido democrático de organização popular, pressão de massa. Paralelo a esses enfrentamentos, é preciso promover mudanças maiores em políticas para o microempresário, o pequeno agricultuor e o combate ao déficit habitacional”, acrescentou Arruda.

“Pont diz que a saída para o PT é a “refundação”

“Refundação. É com essa estranha sonoridade que o deputado estadual Raul Pont (RS) propõe a reconstrução do Partido dos Trabalhadores (PT), que ele pretende presidir a partir de uma mudança no próprio estatuto do partido que retome documentos presentes na sua gênese. À frente da chapa “Coragem de Mudar”, Pont afirma que o partido afastou-se por completo do projeto que ele próprio ajudou a defender em 25 anos de militância política. Pont, porém, não trata apenas da sua frustração enquanto parlamentar pelo partido, mas reporta-se com ênfase aos 800 mil filiados que ajudaram a construir a trajetória da chegada ao centro do poder político, que é a Presidência da República. “O partido (PT) não foi construído por um único homem, alguém cheio de poderes, mas por um número imenso de militantes que defendiam um projeto de governo popular e isso não pode ser esquecido”, afirmou ele.
“Candidato ligado à Democracia Socialista (DS), uma das correntes do PT com representação em várias capitais brasileiras e, em Belém, apoiada pela senadora Ana Júlia Carepa, Raul Pont está inconformado com a crise política vivida pelo partido. Para ele o governo Lula deveria ter sido mais agressivo na implementação das políticas sociais que tanto defendeu, bem como na defesa da apuração das responsabilidades pelas denúncias que macularam a imagem do partido. “Pelo peso e pela força que tem o presidente Lula, ele deveria ter cobrado uma investigação dos fatos com muito mais agilidade e eficiência”, diz Pont, que ainda espera que as Comissões Parlamentares de Inquérito dêem essa resposta à sociedade e à militância. Como saída para a crise Pont defende uma reforma política mais profunda do que a aprovada recentemente no Senado e critica a política de alianças do governo, que entregou a metade dos ministérios a outros partidos, além da submissão do governo e do ministro Palocci (da Fazenda) à uma política neoliberal."