quinta-feira, setembro 15, 2005

Severino: renúncia depende da aposentadoria

Segundo Tiago Pariz, repórter iG em Brasília (www.ig.com.br), o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), está decidido a renunciar e só não divulgou oficialmente sua definição por uma pendência jurídica em relação à sua aposentadoria. O anúncio da sua renúncia, informa o jornalista, deve ficar para meados da próxima semana.
A matéria do iG revela que a assessoria jurídica de Severino informou que caso renuncie ele pode perder o direito de aposentadoria de seus 28 anos como deputado estadual em Pernambuco, restando apenas o soldo referente aos cinco mandatos na Câmara. “Ele reluta em jogar fora essa parte da vida dele”, afirmou um parlamentar próximo de Severino, que pediu para não ser identificado. Segundo seus assessores, o salário de R$ 12.720 é sua única fonte de renda.
A matéria acrescenta que Severino pode renunciar até que o Conselho de Ética abra o processo contra ele. O deputado Ricardo Izar (PTB-SP) disse que abrirá o processo na segunda-feira, mas para que isso ocorra a mesa diretora da Câmara, da qual o deputado do PP faz parte, precisa remeter o pedido. Há um acordo para que isso seja protelado até que Severino anuncie sua renúncia.
O deputado do PP está reunido com seus familiares e parlamentares mais próximos, revela o Ig. A notícia acrescenta que todos o aconselham a renunciar ao mandato para preservar os direitos políticos e retornar à Câmara na eleição do ano que vem. Severino não teria, segundo políticos próximos, condições para enfrentar um processo arrastado de cassação. Partidos de oposição pediram a cassação do presidente da Câmara.
Severino é acusado pelo empresário Sebastião Buani de ter cobrado propina para que fosse garantida sua concessão do uso de restaurantes na Câmara. Buani teria pago R$ 40 mil e parcelas mensais de R$ 10 mil entre 2002 e 2003 por essa “facilidade”. Para tentar comprovar suas denúncias, o empresário mostrou um documento assinado por Severino e um cheque de R$ 7.500 dado a uma de suas secretárias em julho de 2002.
GLOBO ONLINE CONFIRMA INFORMAÇÃO - Notícia do Globo Online (oglobo.globo.com/online/), que confirma a informação do iG, revela que depois de encontro com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, o vice-presidente José Thomaz Nonô (PFL-AL) disse nesta quinta, 15, que até quarta-feira Severino decide seu futuro, se renuncia ou não à presidência da Câmara e ao mandato. Segundo Nonô, Severino está tenso e vai analisar a situação com sua base em Pernambuco. Indagado se tinha dado algum conselho a Severino, já que é um maiores interessados no assunto, Nonô respondeu que "se conselho fosse bem, era vendido".
Se Severino renunciar à presidência, será realizada uma nova eleição em cinco sessões. Caso ele peça licenciamento do cargo, Nonô assume enquanto durar o afastamento. O governo não quer saber da hipótese de ter um pefelista na presidência da Câmara.