sábado, setembro 17, 2005

Sucessão de Severino já tem 15 pretendentes

Segundo o plantão do iG Último Segundo (ultimosegundo.ig.com.br/materias/brasil/), a sucessão de Severino Cavalcanti (PP-PE) na presidência da Câmara dos Deputados traz todos os elementos para se tornar um processo tumultuado. A corrida já envolve pelo menos 15 parlamentares, que tentam se cacifar como candidatos de seus partidos e obter apoio nas demais legendas. Na avaliação de líderes partidários, é necessário o apoio de pelos menos 200 deputados para a eleição.
Abaixo, a matéria sobre a mobilização para a sucessão de Severino Cavalcanti:

Vaga de Severino já tem pelo menos 15 concorrentes

Dada como inevitável, a sucessão de Severino Cavalcanti (PP-PE) na presidência da Câmara dos Deputados traz todos os elementos para se tornar um processo tumultuado. A corrida já envolve pelo menos 15 parlamentares, que tentam se cacifar como candidatos de seus partidos e obter apoio nas demais legendas. Na avaliação de líderes partidários, é necessário o apoio de pelos menos 200 deputados para a eleição.
Na disputa, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), que já presidiu a Câmara duas vezes, saiu na frente. Mas ele enfrenta resistências, que afloraram inclusive em seu próprio partido, onde emergiu também a candidatura de Osmar Serraglio (PR), o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios.
Temer não só enfrenta resistências internas, como assusta ao PFL. Os pefelistas entendem que a decisão fortaleceria demasiadamente o PMDB, que já conta com a Presidência do Senado e com um licenciado de sua bandeira, Nelson Jobim, na Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja, já existem peemedebistas em dois outros postos da linha de sucessão do presidente da República. Adversário afiado de Lula, Temer tenderia a ser menos sensível a apelos governistas se chegar à sua mesa, na Presidência da Câmara, um processo de impeachment.
No jogo intrincado, o PT ressurge com pelo menos quatro candidatos - José Eduardo Cardozo (SP), Paulo Delgado (MG), Sigmaringa Seixas (DF) e Arlindo Chinaglia (SP). A escolha, que deverá ocorrer apenas cinco dias úteis depois da possível renúncia de Severino à Presidência - embora ele ainda insinue que poderá apenas se licenciar do cargo - é tumultuada ainda pelo fato de que cabe ao presidente da Câmara a decisão de engavetar ou de levar adiante os processos de impeachment contra os presidentes da República.
Embora nenhum processo esteja em elaboração, essa hipótese não chega a ser completamente descartada e dependerá do rumo das três CPIs (Correios, Bingos e Mensalão) que investigam atos de corrupção de integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e de seu partido.
O PSDB e o PFL pretendem trabalhar juntos e buscar uma fatia do PMDB. Essa aliança poderia garantir a eleição de um nome que não tivesse grande resistência nas demais bancadas. Mas esses mesmos partidos, até o momento, não conseguiram unidade interna sobre o tema.
Entre pefelistas, uma corrente prefere dar ao PT a Presidência da Câmara, sob o argumento de cumprir com a regra da proporcionalidade - a tradição de conceder ao partido com maior representação o direito de indicar o presidente. Para tanto, o partido de Lula teria de elaborar uma lista de nomes e submetê-la à negociação com os demais partidos. Apesar de buscarem essa solução de consenso, os líderes partidários sabem que há o risco de a disputa se dar voto a voto, no plenário.