sábado, outubro 08, 2005

Almir, o (inesquecível) precursor do nepotismo tucano

A prática do nepotismo no Pará, que se disseminou como fogo em capim seco no governo Simão Jatene, teve como precursor entre os tucanos paraenses o ex-governador Almir Gabriel, eleito em 1994 e reeleito em 1998. A primeira providência de Almir, ao assumir o governo em 1º de janeiro de 1995, foi nomear secretária do Trabalho e Promoção Social a primeira-dama, a enfermeira Maria do Socorro França Gabriel, posteriormente catapultada para a Secretaria Especial de Proteção Social, na esteira da reforma administrativa promovida em janeiro de 1999, no início do segundo mandato do tucano-mor no Pará. No governo Simão Jatene, mesmo sem dispor de formação e/ou experiência capazes de qualificá-la para o cargo, dona Socorro se mantém em cena como presidente da Associação São José Liberto, a quem cabe gerir o pólo joalheiro abrigado no extinto presídio São José, devidamente restaurado e adaptado para o atual fim pelo secretário executivo de Cultura, Paulo Chaves.
Ao assumir o governo do Pará, em 1995, Almir nomeou também, além da própria mulher, um sobrinho, Inácio Kouri Gabriel Neto, e a esposa deste, Martha Cristina Arouck Ferreira Gabriel. Inácio, que viria a falecer precocemente, cruelmente dizimado por uma esclerose múltipla, inicialmente ocupou o cargo de presidente da empresa pública Processamento de Dados do Estado do Pará (Prodepa), migrando posteriormente para a Secretaria Executiva de Obras Públicas (Seop), da qual saiu, diz-se nos bastidores do PSDB, sob rumores de omissão diante de suposto superfaturamento de obras e estremecido com o tio-governador, pelo qual era tratado como um filho. Martha Cristina foi abrigada no Gabinete Civil da governadoria do Estado.
A partir daí ocorreu o inevitável, que foi a recorrente promiscuidade entre o público e o privado. Marcelo Gabriel, o filho de Almir que é empresário dos segmentos de segurança e de transportes intermunicipais, sempre transitou nas sombras do poder durante os dois mandatos do pai como governador. Em 2002 a produtora de uma das filhas de Almir, Samia Gabriel, foi aquinhoada com recursos públicos, em um total de R$ 80 mil, para rodar uma mísera seqüência de “Conspiração do Silêncio”, um filme sobre a guerrilha do Araguaia e que teve algumas tomadas feitas no município de Marituba, cuja prefeitura também subvencionou a empreitada. Ainda em 2002 outro filho do governador, Almirzinho Gabriel, compositor e cantor, faturou uma quantia expressiva do erário público para promover uma das etapas do Expoema, um circuito esportivo. Falou-se na época em algo em torno de R$ 450 mil.
A desfaçatez de Almir fez escola. Um dos mais fiéis colaboradores de Almir, o advogado Ronaldo Barata, seguiu as pegadas no seu guru político em matéria de nepotismo. Recentemente defenestrado do cargo de diretor-geral da Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon), mas comodamente abrigado em uma sinecura no gabinete do governador, Barata, que por três vezes foi presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa) nos dois mandatos do ex-governador, aproveitou a ocasião para abrigar na administração pública estadual a atual mulher, Elizete Amador Alves, a filha, Patrícia Maroja Barata Chamié, que posteriormente exonerou-se ao decidir fixar residência em São Paulo, e um sobrinho, José Ohana. Nesse mesmo período, o Pará despontou como o recordista em mortes por conflitos agrários.
Quando presidiu o Iterpa, Barata ainda aproveitou para dar uma ajuda extra ao seu casal de filhos. O filho, Rodrigo Maroja Barata, professor de literatura brasileira, foi contratado em 2001 para ministrar um curso de gramática aos funcionários do Iterpa, de prioridade obviamente discutível. À filha, Patrícia Maroja Barata Chamié, naquela altura recém-formada em Arquitetura pela Universidade da Amazônia (Unama) e a quem empregara na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Regional (Sedurb), ele encomendou em 2000 o projeto de reforma da sede do Iterpa, cujos cálculos – diante dos erros detectados - tiveram que ser refeitos pelo responsável pelas obras, o arquiteto Paulo Pimenta, ex-marido e pai dos filhos da atual mulher de Ronaldo Barata, Elizete Amador Alves.

1 Comments:

At 10:20 PM, Blogger 23x8 said...

Puxa vida,pelo menos o Ronaldo Barata é moderninho.

 

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