domingo, outubro 02, 2005

Cooptação do PSDB

"Base governista chega a 100 prefeitos" é a manchete deste domingo, 2, de "O Liberal" (www.oliberal.com.br), que remete à matéria sob o título "Simão Jatene amplia base governista", assinada pelo jornalista Frank Siqueira, repórter especial do jornal e que pelo menos até passado recente assessorava o deputado federal Anivaldo Vale (PSDB).

Simão Jatene amplia base governista

Coligação liderada pelo PSDB ganha novos prefeitos e deputados aliados. A parlamentar Ana Cunha deixou o PMDB para se tornar uma “tucana”.

Frank Siqueira

O governador Simão Jatene disse ontem, ao abonar a ficha de filiação ao PSDB da deputada Ana Cunha (ex-PMDB), que a “União pelo Pará”, a coligação pluripartidária que constitui a base aliada do governo desde a primeira campanha vitoriosa de Almir Gabriel, em 1994, deverá fechar o ano de 2005 com cerca de uma centena de prefeitos em todo o Estado. No final do ano passado, quando terminou a contagem de votos das eleições municipais de 2004, a coligação contabilizava a eleição de prefeitos em 91 dos 143 municípios paraenses.
Irmã do atual prefeito de Barcarena, Laurival Magno Cunha, a médica Ana Cunha vem de uma família historicamente vinculada ao PMDB e com longa tradição política na região do Baixo Tocantins. Ontem, logo depois de assinar a ficha de filiação ao novo partido, a deputada declarou que passa a integrar a base aliada como “mais um soldado” para lutar, ao lado do governador Simão Jatene e de outras lideranças políticas do Pará, pela alavancagem do processo de desenvolvimento econômico do Estado. “Eu venho para colaborar”, disse Ana Cunha, acrescentando que seu projeto político tem por objetivo imediato para 2006 a reeleição, ficando assim descartada, pelo menos em princípio, a hipótese de sua candidatura a deputada federal. Agora, a bancada do PMDB na Assembléia Legislativa do Pará tem apenas três integrantes. No início da atual legislatura, chegou a ter nove deputados.
O governador Simão Jatene, ao comentar o ingresso de Ana Cunha no PSDB, não poupou elogios ao trabalho político desenvolvido pela deputada na Assembléia Legislativa e associou sua decisão a um cenário político muito mais amplo. Destacou Simão Jatene que, desde a campanha, ele vem afirmando que o Pará é mais importante do que qualquer partido ou liderança política. “Esta é uma bandeira em torno da qual eu sempre defendi a união de todos”, acrescentou.
É importante ter em conta essa concepção, conforme frisou o governador, para compreender mais claramente, também, o significado das adesões que estão ocorrendo ao PSDB e demais partidos da base aliada. “Mais importante que o crescimento quantitativo dos partidos, no meu entender, é a união de tantas lideranças, com histórias políticas distintas, em torno de um projeto político de transformação do Estado”, assinalou o governador. Assim sendo, disse ele, as adesões registradas nos últimos dias não podem ser interpretadas como gestos individuais de apoio ao governador ou mesmo ao governo. “São, sim, demonstrações de apoio a um projeto de Estado”, enfatizou.
Esse projeto de Estado, ainda de acordo com Simão Jatene, expressa de forma muito clara qual é a missão do governo, que é a de sobrepor sempre os interesses coletivos aos interesses de pessoas ou grupos. “Nós entendemos que esta é a única forma que temos de superar os desafios e defender os interesses legítimos do Estado e de sua população”, aduziu. Quanto ao acerto dessa política e à aprovação que ela recebe da sociedade paraense, Simão Jatene ressaltou ter evidências de que está no caminho certo. A melhor demonstração disso, conforme frisou, é o carinho da população em todos os lugares por onde ele passa, em suas viagens pelas mais diferentes regiões do Estado.
Sobre a permanência do senador Luiz Otávio Campos no PMDB, o governador Simão Jatene considerou natural a decisão. O senador, segundo ele, chegou por força de circunstâncias políticas ao espaço que hoje ocupa e tem dado importante contribuição à República. O tom cordial usado por Jatene ao se referir a Luiz Otávio não é, aliás, a única evidência de que se mantém inalterado o relacionamento do senador com o grupo que desde 1994 detém o comando do poder político no Estado. “O senador Luiz Otávio é e continuará sendo um grande parceiro, um amigo e um companheiro importantíssimo, e assim sempre será tratado”, assinalou.
Adesões - Até ontem, nenhum partido político tinha um quadro muito nítido e confiável das mudanças eventualmente ocorridas em seus quadros de filiados. Em alguns casos, adesões tidas antes como certas acabaram se frustrando na última hora. Também houve casos de lideranças que garantiam sua permanência até o fim no partido de origem enquanto negociavam, com adversários, a transferência por debaixo dos panos. Criou-se, assim, uma zona cinzenta que só vai começar a se clarear a partir da semana que vem, quando os documentos relativos às filiações partidárias terão que ser apresentados à Justiça Eleitoral.
No último dia do prazo para filiação partidária dos candidatos a cargos eletivos no ano que vem, a base aliada ganhou ontem mais um reforço. Gervásio Bandeira, duas vezes prefeito do município de Breves, na ilha do Marajó, e duas vezes deputado estadual, deixou o PMDB, partido no qual havia ingressado em 1981 (na época, MDB) e assinou a ficha de filiação ao PTB, passando a seguir a liderança do deputado Mário Couto, atual presidente da Assembléia Legislativa.
Já um outro prefeito - Walmir de Araújo Alves, de Concórdia do Pará -, citado como tendo ingressado no PV (Partido Verde), continuou na verdade onde estava. Ontem, o deputado Arnaldo Jordy informou que Walmir Alves permanece filiado ao PPS, por cuja legenda foi eleito no pleito municipal de 2004.