sábado, outubro 08, 2005

A (doce) voracidade da primeira-dama

Afável no trato pessoal, segundo é voz corrente entre aqueles que com ela se relacionam, nem por isso a primeira-dama, Ana Maria Chaves da Cunha Jatene, é menos voraz no exercício das prerrogativas embutidas na condição de mulher do governador .Até quando está nas nuvens, acompanhando o marido, dona Ana Maria não dá trégua e cultiva o nepotismo escancaradamente: o jatinho da governadoria tem como principal piloto o comandante Cunha, que vem a ser irmão da primeira dama. De acordo com relatos dos que transitam nos bastidores do Palácio dos Despachos, onde habitualmente despacha Simão Jatene, e do Centro Integrado do Governo (CIG), que abriga os secretários especiais, o poder que emana de Ana Maria explica o status do qual goza sua irmã, Rosa Maria Chaves da Cunha, que ocupa a estratégica Secretaria Executiva de Educação (Seduc), destinatária de uma previsão de aplicações de recursos que este ano chegam a R$ 472,7 milhões, valor correspondente a 8,44% da receita líquida estimada do Estado para 2005, segundo os números fornecidos pelo próprio governo. A secretaria é administrada pela sua atual titular com uma autonomia e um modus operandi que por vezes atropelam as regras básicas de civilidade.
Rosa Cunha exibe, à frente da Seduc, um perfil inequivocamente autocrático, que frequentemente resvala para a soberba levada ao paroxismo. Ela despacha unicamente com o governador, não recebe políticos e desconhece solenemente o secretário especial de Promoção Social, o ex-deputado federal Gerson Peres (PP), ao qual em tese é subordinada. Rosa Cunha sequer recebe os diretores das escolas da rede estadual de ensino. Seja qual for a gravidade dos assuntos a tratar, os diretores das escolas da rede estadual de ensino são obrigados a discuti-los com os prepostos da secretária, denominados de mediadores, sob pena de punição, caso tentem transgredir a determinação da primeira-cunhada. Segundo relatos de técnicos da área educacional, alguns desses mediadores não têm nenhuma afinidade com práticas pedagógicas. Mas isso certamente é apenas um detalhe, na ótica da secretária executiva de Educação que, sob a leniência do cunhado-governador, tem como eminência parda o irmão, Philadelfo da Cunha Júnior, contemplado com o cargo de secretário adjunto. Júnior, como é conhecido o irmão de Rosa Cunha, é consensualmente definido por funcionários da Seduc como uma pessoa gentil no trato pessoal, o que o distinguiria dos demais integrantes do entourage de Rosa Cunha e desta própria. Mas é também voz corrente que se valeria do tráfico de influência em benefício próprio, embora faltem provas documentais ou indícios consistentes a respeito.