quinta-feira, outubro 06, 2005

ELEIÇÕES 2006/O perfil de Benedicto Wilfredo Monteiro

Benedicto Wilfredo Monteiro ganhou projeção política defendendo a reforma agrária, militando no Partido Trabalhista Brasileiro, na época em que o PTB inclinava-se para a esquerda, atraindo as emergentes lideranças progressistas. Secretário de Agricultura do governo Aurélio do Carmo (PSD), foi preso e teve os seus direitos políticos cassados pelo golpe militar de 1964.
Ao ficar no limbo político, retomou a advocacia, compondo uma próspera e respeitada banca com Alarico Barata. A essa altura, despontou como uma das mais promissoras revelações da literatura brasileira contemporânea, com o romance "Verdevagomundo", entusiasticamente festejado pela crítica.

Ambivalência

Ao retornar à militância partidária, com a anistia de 1989, Benedicto Wilfredo filiou-se ao PDT, pelo qual lançou-se candidato a governador em 1982, retitando seu nome da disputa para apoiar o candidato de consenso das forças que faziam oposição ao regime militar, Jader Barbalho (PMDB). Candidato a deputado federal em 1982, acabou em uma suplência, o que envenenou sua relação com Jader Barbalho, pontuada por uma ambivalência entre o respeito à liderança política do então jovem governador e o ressentimento que alimentava, por entender não ter sido devidamente ressarcido politicamente, diante do seu gesto de retirar sua candidatura a governador.
Eleito governador, Jader o nomeou procurador geral do Estado, cabendo a Benedicto Wilfredo Monteiro implantar a Defensoria Pública, que ajudou a turbiná-lo politicamente. Posteriormente, nas eleições de 1986 elegeu-se deputado federal, protagonizando um nebuloso episódio na Assembléia Nacional Constituinte, ao desaparecer no dia de uma importante votação sobre a reforma agrária, na qual seu voto seria fundamental.

Ostracismo

Depois desse episódio na Constituinte, Benedicto Wilfredo resvalou para o ostracismo político, passando a desempenhar papéis de coadjuvante, embora sempre alinhado com os adversários de Jader Barbalho. Esteve ao lado de Hélio Gueiros (então no PFL), durante o mandato do ex-governador como prefeito de Belém, e aliou-se ao governo do PSDB, quando Almir Gabriel assumiu o papel de principal adversário político de Jader Barbalho, seu ex-patrono político.
Após amargar a perda irreparável de sua admirável companheira de jornada, dona Wanda, e enfrentar a luta contra um câncer de próstata, Benedicto Wilfredo preparava-se, com sua candidatura a senador pelo PPS, para uma despedida em grande estilo da vida pública, que embutia planos, por parte da legenda, de fazê-lo um porta-voz da consciência crítica de todos os que lutam pelos interesses do Pará e da Amazônia. Um papel que tonificava, até a quinta-feira, 29 de setembro, o entusiasmo de Benedicto Wilfredo.
Esse sonho, acalentado pelos românticos do PPS, também acabou.