sábado, outubro 08, 2005

O (mau) exemplo se dissemina

Na esteira do exemplo do próprio governador, a prática do nepotismo se disseminou no governo estadual do Pará. Um dos mais próximos e prestigiados auxiliares de Simão Jatene, Francisco Sérgio Belich de Souza Leão, secretário especial de Governo, bancou, com seu prestígio, a nomeação da mulher, Lucy Araújo de Souza Leão, para um certo Núcleo de Planejamento Estratégico, abrigado no gabinete da governadoria e cuja utilidade é até aqui desconhecida. No segundo mandato do ex-governador Almir José de Oliveira Gabriel (PSDB), eleito em 1994 e reeleito em 1998, Lucy Leão, tonificada pelo marido ilustre, ocupou o cargo de diretor-geral da Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon).
Teresa Lusia Mártires Coelho Cativo Rosa, atual secretária especial de Gestão e que já foi secretária executiva da Fazenda, após ter sido secretária adjunta, tem como chefe de gabinete uma sobrinha, Carmen Helena Watrin Coelho, e mantém em cargos de relevo na administração estadual dois irmãos e mais um sobrinho. Um dos irmãos, Waldir Coelho, é lotado na Secretaria Executiva de Cultura (Secult); outro irmão, o historiador Geraldo Mártires Coelho, é diretor do Arquivo Público do Pará; e um outro sobrinho, Alan Coelho, filho de Geraldo, é diretor do museu do Feliz Luzitânia, complexo turístico-cultural, que inclui edificações históricas, da época da fundação de Belém do Pará.
Teresa Lusia Mártires Coelho Cativo Rosa é acusada pelo Ministério Público Federal de corrupção passiva, em ação ajuizada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), na esteira do escândalo envolvendo a Cervejaria Paraense S/A (Cerpa), flagrada regando com R$ 16,5 milhões, através de um caixa dois, os cofres do tucanato paraense, imediatamente antes, durante e logo depois das eleições de 2002, em troca do perdão fiscal de uma dívida de R$ 47 milhões e da prorrogação por mais 12 anos de benefícios fiscais. A farra fiscal da qual se beneficiou a cervejaria foi consumada já no governo Simão Jatene, em 29 de setembro de 2003. Juntamente com Teresa, respondem ao mesmo processo no STJ, sob idêntica acusação, o próprio governador Simão Jatene; o atual secretário especial de Governo, Francisco Sérgio Belich de Souza Leão; e Roberta Ferreira de Souza, na época secretária executiva da Fazenda, em exercício; além do dono da Cerpa, Konrad Karl Seibel, também conhecido como “Alemão”, este acusado de corrupção ativa e falsidade ideológica.
Outro expoente do nepotismo no Pará é o arquiteto Paulo Roberto Chaves, que empregou na Secretaria Executiva de Cultura, por ele comandada, a mulher, a arquiteta Rosário de Fátima Souza Lima da Silva; a cunhada, a jornalista Lorena Souza Lima da Silva; e o cunhado, o veterinário Roberto Souza Lima da Silva. Chaves, que se notabilizou por torrar o dinheiro público com obras faraônicas e de prioridade discutível, tem a companhia, na farra do nepotismo, do médico Adenauer Marinho de Oliveira Góes, atual diretor-presidente da Companhia Paraense de Turismo (Paratur), cuja mulher , a médica Rosemary Silva de Oliveira Góes, foi contemplada com o cargo de diretora-geral do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, por conta do prestígio político do marido.
Dentre os que patrocinaram o nepotismo na administração Simão Jatene figura ainda o publicitário Orly Bezerra, marketeiro do PSDB do Pará e um dos proprietários da Griffo Comunicação e Jornalismo, agência de propaganda que monopoliza a fatia do leão da publicidade do governo estadual. O marketeiro tucano é marido da jornalista Lorena Souza Lima da Silva, beneficiária do nepotismo patrocinado pelo cunhado, Paulo Roberto Chaves, titular da Secretaria Executiva de Cultura. Já Bezerra utilizou seu prestígio junto ao tucanato paraense para viabilizar a nomeação de uma irmã, Orlylda Bezerra, como diretora de Operações Técnicas da Secretaria Executiva de Saúde Pública (Sespa).