quinta-feira, novembro 03, 2005

A intriga da escumalha

Na esteira da escaramuça com Hamilton Ribamar, em 1996, acabei sumariamente dispensado do “Diário do Pará”, para o qual trabalhava em regime de serviços prestados. A dispensa ocorreu na esteira de uma intriga feita por dois lídimos representantes da escumalha que orbita em torno do Clube do Remo. Ambos os áulicos (um dos quais, notabilizado por viver de sinecuras e em achacar até jogadores, era então comparsa de Hamilton Ribamar nas tramóias para atingir-me) bajulavam o patriarca da família Barbalho, o jornalista Laércio Barbalho, já falecido, fundador do “Diário do Pará”. A trama, até onde consegui apurar, foi costurada com o auxílio de um dos filhos de Laércio Barbalho, um radialista chinfrim, hoje submerso no anonimato, mas devidamente amparado, segundo consta, em uma sinecura federal.
Fiel ao seu estilo, Laércio Barbalho não só determionou minha dispensa sumária, como chegou a baixar uma portaria proibindo o meu ingresso nas dependências do "Diário do Pará", em um ato absolutamente dispensável, porquanto muito excepcionalmente pisei em redação de jornal de Belém sem que fosse expressamente convidado a fazê-lo. A portaria foi revogada por interferência de Jandira Lúcia Melo dos Santos, diretora geral do jornal. Permito-me permanecer silente sobre a postura de Laércio Barbalho nesse incidente, em respeito à máxima segundo a qual dos mortos só se fala para dizer o bem.
Disseminada a intriga, construída a partir da balela de que eu supostamente estaria desafiando deliberadamente Laércio Barbalho, sequer fui ouvido, o que ironicamente atropelou o mais elementar princípio do jornalismo, que é cotejar as versões. Embora indignado, não recorri à Justiça para não comprometer o jornalista Guilherme Barra, um profissional reconhecidamente competente e experiente, que era então editor geral do jornal e cuja amizade muito me honra. Foi de Barra que recebi o convite para editar o “Diário Esportivo”.
Minha dispensa do “Diário do Pará” chegou a ser comemorada antecipadamente por alguns cartolas remistas. Um deles, um radiojornalista que é também publicitário, chegou a jactar-se de que meus dias no jornal estavam contados. Esse episódio, que ilustra a sordidez dos áulicos, teve pelo menos duas testemunhas e ocorreu em junho de 1996, durante uma partida disputada pelo Clube do Remo no estádio Evandro Almeida, o popular Baenão.
Como o imponderável nos reserva surpresas inimagináveis, menos de um ano depois, em junho de 1997, o “Diário do Pará”, via Guilherme Barra, contratou-me para fazer uma edição especial, de 12 páginas, sobre o pentacampeonato paraense conquistado pelo Clube do Remo. A edição - que teve a participação do jornalista João Elysio Carvalho, atual editor de esporte de "O Liberal" - foi um sucesso e esgotou tão logo chegou às ruas, conforme relato do diretor industrial do jornal, José Maria Barbalho, corroborado por donos de bancas de jornais e revistas.
Em seguida, já em agosto de 1997, a convite do jornalista Mauro Bonna, formulado via Guilherme Barra, fiz quatro cadernos especiais que assinalaram a passagem dos 15 anos do jornal. Nos cadernos especiais que editei revelei em primeira mão, dentre outras coisas, a decisão de Edmilson Rodrigues (PT), então prefeito de Belém, em transformar o buraco da Palmeira em praça, com estacionamento subterrâneo, e a escalada dos preços dos serviços em nossa capital, reajustados por índices absurdamente superiores ao da inflação acumulada nos três anos de Plano Real. Ambas as pautas serviram inclusive de manchete do jornal.
Até hoje ainda presto eventualmente serviços ao “Diário do Pará”, no qual a minha interlocução é feita, atualmente, com o jornalista Jader Filho ou com Francisco Melo, respectivamente, presidente e diretor executivo do grupo de comunicação da família Barbalho. A eles - dos quais já mereci, mais de uma vez, demonstrações de consideração e respeito - sou grato pela confiança em mim depositada, que procuro retribuir com lealdade, sem confundir esta com subserviência.
Também já prestei serviços, inclusive em passado recente, a “O Liberal”. Neste, aliás, passei grande parte da minha vida profissional, sem decair da confiança com a qual fui distinguido mais de uma vez, e sem que para isso fosse compelido a abdicar de minhas preocupações éticas, naquilo que me foi confiado fazer.
Em "O Liberal" permanecem pessoas que me são extremamente caras, pessoal e/ou profissionalmente, como, por exemplo, os jornalistas Walmir Botelho, Edson Salame, João Elysio Carvalho e Paulo Bemerguy. Sem esquecer, naturalmente, daqueles com os quais mantenho eventualmente contatos estritamente profissionais, mas que também merecem minha admiração e respeito, como é o caso dos jornalistas Luís Roberto Cruz e Lázaro Moraes, dentre outros.