domingo, dezembro 11, 2005

Caso Dorothy Stang ilustra a escalada da violência

Em sua edição deste domingo, 11, no noticiário sobre a condenação do assassino da missionária americana Dorothy Stang, morta em fevereiro deste ano, “O Globo” (oglobo.globo.com/jornal/) faz uma radiografia da escalada de violência que faz o Pará ser conhecido como uma terra sem lei. Rayfran das Neves, que disparou contra a missionária, foi condenado a 27 anos de prisão. Seu cúmplice, Clodoaldo Carlos Batista, foi condenado a 17 anos. Ambos haviam confessado participação no crime. Antes do veredito, Rayfran das Neves se disse arrependido.
Durante o julgamento, a promotoria afirmou que a morte de Stang foi ecomendada por R$ 50 mil e defendeu a tese de que um consórcio foi formado para planejar e financiar o crime. Os promotores acrescentaram que esse consórcio também envolveria os advogados de defesa que acompanharam o caso.
Em seguida, a transcrição da matéria de “O Globo” sobre o julgamento de dois dos algozes da missionária americana Dorothy Stang:

Assassinos de Dorothy Stang são condenados

Ismael Machado - O Globo
Globo Online
Agência Brasil
TV Globo

BELÉM - A Justiça condenou neste sábado os assassinos da missionária americana Dorothy Stang, morta em fevereiro deste ano. Rayfran das Neves, que disparou contra a missionária, foi condenado a 27 anos de prisão. Seu cúmplice, Clodoaldo Carlos Batista, foi condenado a 17 anos. Ambos haviam confessado participação no crime. Antes do veredito, Rayfran das Neves se disse arrependido.
- Estou muito arrependido. Fiz uma coisa que não devia ter feito. Assumo meu erro e espero pagar pelo que eu cometi - afirmou.
Americana e naturalizada brasileira, a religiosa foi assassinada por tiros à queima-roupa próximo ao Projeto Esperança, no município de Anapu, no Pará. Três outros acusados de envolvimento no crime ainda aguardam julgamento.
ACUSAÇÃO FALA EM CONSÓRCIO. Durante o julgamento, a promotoria afirmou que a morte de Stang foi ecomendada por R$ 50 mil e defendeu a tese de que um consórcio foi formado para planejar e financiar o crime. Os promotores acrescentaram que esse consórcio também envolveria os advogados de defesa que acompanharam o caso.
Com base nestes argumentos, a acusação queria a punição máxima para os acusados: 30 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado - crime de encomenda e sem chance de defesa. A defesa pedia a condenação por crime comum, cuja pena máxima é de sete a dez anos de prisão. O depoimento de uma testemunha do crime, no entanto, fez com que os defensores públicos mudassem de estratégia e pedissem a absolvição de Clodoaldo. A testemunha disse que ele não estava armado no momento do assassinato.
ONU E ENTIDADES ACOMPANHAM JULGAMENTO. Os pais de Rayfran dos Santos foram ao tribunal com proteção policial. A mãe do acusado alegou ter sido ameaçada de morte, por telefone, pela esposa de Amair Feijoli. Feijoli é acusado de ser mandante do crime. Segundo a mãe de Rayfran, nas ameaças a mulher teria dito que Rayfran teria falado demais no depoimento.
O julgamento também foi acompanhado por movimentos sociais, pela representante especial do Secretário-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) para Defensores dos Direitos Humanos, a paquistanesa Hina Jilani, além do ministro interino da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Mario Mamede.
STANG DAVA APOIO A AGRICULTORES. A missionária Dorothy Stang, da Ordem Notre Dame, foi assassinada a tiros no dia 12 de fevereiro, no município de Anapu, a 600 quilômetros de Belém. Ela estava a caminho de uma gleba na área rural de Anapu para dar apoio a agricultores acampados. Dorothy, que já havia denunciado ameaças de morte a ela e alguns agricultores da região, e chegou a entregar um documento ao secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, estava à frente de projetos de desenvolvimento sustentável com mais de mil agricultores da região. O crime teve repercussão mundial e sua resolução virou uma questão de honra para o governo federal.