quarta-feira, dezembro 07, 2005

LÚCIO FLÁVIO PINTO: "Folha de S. Paulo" abre espaço para o drama do jornalista paraense

Em sua edição desta quarta-feira, 7, a "Folha de S. Paulo" (cuja versão online só é acessível aos assinantes do próprio jornal e/ou do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/) abre espaço para o drama do jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, 56, editor do "Jornal Pessoal", a mais longeva publicação da imprensa alternativa brasileira, que em 2006 completará 20 anos em circulação. Uma das maiores autoridades sobre Amazônia e reconhecidamente um dos mais respeitados nomes do jornalismo brasileiro, Lúcio Flávio foi distinguido com o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa, dado pelo CPJ (Comittee to Protect Journalists), nos Estados Unidos, mas não pôde viajar para receber a homenagem, por temer perder prazos na avalanche de processos movidos contra ele em virtude de fazer um jornalismo independente.
Lúcio Flávio evita sair de Belém para não perder prazos processuais: há na Justiça 18 ações contra ele, 13 delas, segundo ainda ele, movidas pela família Maiorana, proprietária das ORM (Organizações Romulo Maiorana), maior grupo empresarial de comunicação do Pará. "No momento em que os processos estão muito ativos, não posso sair daqui. Um errinho, uma falha processual formal, pode me liquidar", desabafa em entrevista à "Folha" Lúcio Flávio, que em janeiro foi agredido fisicamente por Ronaldo Maiorana no restaurante do Parque da Residência, em uma escaramuça que teve a participação de dois PMs que fazem a segurança pessoal do empresário. Um dos PMs agrediu um amigo de Lúcio Flávio, que tentava evitar a agressão de Ronaldo.
O "Jornal Pessoal", editado por Lúcio Flávio Pinto, é uma publicação de circulação quinzenal, com análises e artigos pessoais, que não veicula anúncios e é vendido em bancas de jornais e revistas de Belém, por R$ 3,00. O "Jornal Pessoal" sustenta-se com a venda nas bancas e nele Lúcio Flávio dedica-se à prospecção dos fatos sem as limitações impostas pelas conveniências comerciais e/ou políticas que amordaçam a grande imprensa no Pará.
Em seguida, a transcrição da matéria publicada pela "Folha de S. Paulo":
IMPRENSA

Lúcio Flávio Pinto, que ganhou prêmio nos EUA, sofre 18 processos no Pará

Jornalista premiado teme sair do país

SÍLVIA FREIRE
DA AGÊNCIA FOLHA


O jornalista Lúcio Flávio Pinto, 56, proprietário do jornal "Pessoal", de Belém (PA), recebeu no último dia 22 de novembro o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa, dado pelo CPJ (Comittee to Protect Journalists), nos Estados Unidos, mas não pôde viajar para receber a homenagem.
Lúcio Flávio evita sair de Belém para não perder prazos processuais: há na Justiça 18 ações contra ele em razão dos artigos que publica no jornal. "No momento em que os processos estão muito ativos, não posso sair daqui. Um errinho, uma falha processual formal, pode me liquidar", disse.
Das 18 ações judiciais a que responde, 13 delas, segundo ele, foram movidas de janeiro para cá pela família Maiorana, proprietária do grupo ORM (Organizações Rômulo Maiorana), maior empresa de comunicação do Pará.
Segundo Lúcio Flávio, desde janeiro ele dedica a maior parte de seu tempo à sua defesa e vai ao fórum de Belém pelo menos três vezes por semana. O próprio jornalista é quem prepara a defesa: ele afirma que os advogados evitam defendê-lo, pois temem represálias do grupo de comunicação.
Em janeiro, Lúcio Flávio foi agredido por Ronaldo Maiorana, 37, editor do jornal "O Liberal", do grupo ORM, em um restaurante. Desde então, surgiram outras ações. Ronaldo Maiorana disse que a agressão "foi um erro", mas que defendeu a família de acusações de Lúcio Flávio.
Além da família Maiorana, pela qual ele se diz perseguido, Lúcio Flávio também foi questionado judicialmente por pessoas apontadas por ele como grileiros.
Segundo ele, o prêmio não mudou em nada sua situação. Desde que foi anunciado como um dos premiados, em 22 de outubro, disse que foram apresentadas mais duas ações contra ele pelos Maiorana: "As duas ações foram um recado: Vamos continuar".Na premiação, que ocorreu em uma cerimônia no hotel Waldorf Astoria, em Nova York, Lúcio Flávio foi representado pela filha.
Para a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do Pará, o caso do jornalista é uma briga pessoal dele com o grupo ORM e não configura cerceamento à liberdade de imprensa. "A liberdade de imprensa tem que ser defendida em todos os seus nuances, só que os jornalistas que escrevem alguma coisa estão sujeitos à reação da outra parte contra a qual escreveu. Nenhum direito é ilimitado", disse o presidente da OAB-PA, Ophir Cavalcante Jr.
O relatório anual sobre liberdade de imprensa no Brasil feito pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) e divulgado na semana passada também não relata o caso: "Para a ANJ, e nós discutimos muito isso internamente, é uma coisa pessoal. São dois empresários da área de comunicação brigando", disse Fernando Martins, secretário-executivo da entidade.

2 Comments:

At 7:18 AM, Blogger Aletheios said...

É necessário acentuar que tudo oque Lúcio Flávio Pinto escreveu sobre os Maiorana diz respeito às relações entre o grupo de comunicação e o inócuo mandarinato tucano no estado do Pará, onde gestões sem nenhum compromisso social e apenas com a perpetuação no poder condenam o estado a ostentar índices pífios de desenvolvimento econômicos (0,55% em 2005) e humanos. No Pará, onde inesistem programas sociais sérios, a educação é relegada à formalidade burocrática, da qua a questão de sua qualidade jamais se faz presente, onde ser vítima de crime e ilegalidade é quase que certeza para os seus habitantes, tudo isso é hipocritamente mascarado pela ação nada ética do grupo Maiorana. Independente das questões pessoais abordadas por LFP, essa conduta nociva para o estado desse grupo de comunicação precisa ser esclarecida e criticada.

 
At 9:40 PM, Blogger paroara said...

Pessoalmente, acho Lúcio Flávio um jornalista brilhante, mas, uma inteligência que há muito tempo deixou de produzir reportagens investigativas sérias.
É pena que se deixou enredar em questões que indicam ser mais pessoais do que de ideologia política com os Maioranas.
Lembro que sua postura com o governo Edmilson, por exemplo, foi completamente oblíqua, agindo sempre como se estivesse buscando moinhos de vento para travar um justo combate que lhe valesse as tintas da pena, ou a tendência inconfessa para um azedume pessoal.
Não é isento, nem santo, e enfezado vai se tornando assim uma espécie de Quixote simbólico da liberdade de imprensa.
Nesse sentido, as vezes fico matutando que, no íntimo, o dono do Jornal Pessoal almeja alcançar a sombra agitadora de um Patroni ou a inteligência efetivamente demolidora de um Paulo Maranhão.
Em uma e outra opção, contudo, falta-lhe a estatura histórica de que abriu mão há muito tempo, em algum momento, a quase ponto de se tornar uma Louella Parsons ou a Hedda Hopper do jornalismo político do Pará.

 

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