Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Pelos jornais 1

Marta Brasil, Pedro Paulo Blanco, Anderson Araújo e Jorge Hebert, quatro competentes jornalistas, são as mais recentes contratações do jornal “O Liberal”.
Marta, uma profissional experiente, retorna a “O Liberal”, do qual pedira demissão para trabalhar na administração do ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues (PT).

Pelos jornais 2

Quanto a Pedro Paulo Blanco, Anderson Araújo e Jorge Hebert, são talentos revelados pelas mais recentes gerações de jornalistas.
Pedro Paulo Blanco – que tem experiência em rádio, TV e jornal, apesar da pouca idade – era repórter da Rede Record, pela qual fora contratado após breve passagem pelo “Diário do Pará”. Anderson Araújo foi revelado como repórter pelo “Diário do Pará”. E Jorge Hebert atuava na assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma).

Pelos jornais 3

“O Liberal” também abriu conversações com Arnaldo Torres, o Atorres, um profissional de talento multifacetado e respeitável experiência, competente como chargista e também como editor gráfico.
O “Diário do Pará”, porém, aparentemente cobriu a oferta e as negociações entre “O Liberal” e Atorres não evoluíram.

Pelos jornais 4

Depois do assédio de “O Liberal”, Atorres passou a responder apenas pela editoria gráfica do “Diário do Pará”, sendo desobrigado de também exercer as funções de editor de fotografia, como até então ocorria.

Transparência petista

Sob o título "Assessora parlamentar vai ao STF contra a quebra de sigilos", "O Liberal" (www.oliberal.com.br) desta quarta-feira, 31, publica matéria na qual revela a reação de Maria Joana Rocha Pessoa, assessora da senadora Ana Júlia Carepa (PT/PA), contra o ato do presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria, deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB/SP), que determinou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Em seguida, a íntegra da matéria:

“A assessora da senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA), Maria Joana Rocha Pessoa, ingressou ontem com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contra ato do presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria, deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), que determinou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A CPI funciona na Câmara dos Deputados desde 1º de abril do ano passado para investigar o tráfico de animais e plantas silvestres, a exploração e o comércio ilegal de madeira e a biopirataria no País.
“Maria Joana foi acusada, em depoimento prestado à CPI no dia 30 de junho passado pelo presidente por dirigente do Sindifloresta, dos Produtores Florestais e Reflorestadores do Estado do Pará (Sindifloresta), Mário Rubens de Souza Rodrigues, de integrar um esquema de venda de licenças do Ibama para madeireiros em troca de recursos para campanhas políticas de candidatos do PT paraense na eleição de 2004. De acordo com Mário Rubens, os repasses eram feitos com a utilização de atravessadores “para não comprometer a imagem do PT”. Após a liberação dos licenciamentos, a propina seria paga a Maria Joana.
“O sindicalista disse que para cortar árvores no Pará é preciso ter uma autorização de transporte de produtos da floresta (ATPF). Os integrantes da Associação dos Madeireiros de Anapu e Pacajá eram dispensados da obrigação de apresentar o documento nos postos de fiscalização. E acrescentou que um adesivo com os dizeres “oPTante do plano safra legal 2004” identificava os caminhões que transportariam a carga ilegalmente.
Nula - Maria Joana alega no mandado de segurança que a sessão da CPI que determinou a quebra de seu sigilo bancário, realizada no dia 4 de agosto último, deve ser anulada. Os advogados dela argumentam na ação, distribuída para ser apreciada pelo ministro Joaquim Barbosa, ter havido falta de quorum regimental para a aprovação do requerimento que pedia o acesso às informações sigilosas.
“Eles sustentam que “não há fundamentação legal para a quebra dos sigilos”. E afirmam que CPI estaria “invadindo o direito constitucional à intimidade”. A assessora de Ana Júlia pede ainda em caráter liminar que seja anulada a quebra dos sigilos e que, caso as informações já estejam em poder da CPI, que as mesmas sejam lacradas. No mérito, requer a confirmação da liminar. Quem pediu a quebra dos sigilos da assessora foi o deputado José Sarney Filho (PFL-MA).”

A caixa-preta do Paysandu

Em sua (excelente) coluna em "O Liberal" (www.oliberal.com.br) desta quarta-feira, 31, o jornalista Carlos Ferreira, um dos profissionais de competência e experiência reconhecidas da crônica esportiva paraense, revela o explosivo ofício no qual o advogado Roberto Mendes Cavalleiro de Macedo, conselheiro e benemérito do Paysandu, renuncia ao cargo e à benemerência, além de anunciar medida judicial para cobrança de prestação de contas “correta e legal” da diretoria do clube. O ofício foi endereçado ao presidente do Paysandu, José Arthur Guedes Tourinho, que é também deputado estadual pelo PMDB, e ao presidente do Conselho Deliberativo do clube, Antônio Carlos Trindade, empresário da educação e um dos sócios do colégio Ideal.
Profissional respeitado, Cavalleiro de Macedo é tido como uma das maiores autoridades em direito tributário no Pará e foi consultor do Estado no segundo mandato como governador (1991-1994) do hoje deputado federal Jader Barbalho (PMDB). Ele é reconhecido como moralmente inatacável.
O deputado José Arthur Guedes Tourinho tem como patrono político Jader Barbalho. Foi por indicação do mesmo que Tourinho ocupou o cargo de superintendente da extinta Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), da qual foi defenestrado sob acusação de corrupção. O deputado-cartola é parte em 13 ações que tramitam na Justiça Federal no Pará.
A carta de Cavalleiro de Macedo, pelo que permite concluir a notícia, resume os questionamentos feitos por Pautalivre.com na edição de 24 de julho, sobre a caixa-preta nas quais foram transformadas as contas do Paysandu. A matéria de abertura deste blog, sobre o assunto, teve por título "Tourinho e a caixa-preta do Paysandu", conforme o leitor poderá verificar clicando nos arquivos do mês de julho (à direita do blog).
No ofício, revela ainda Carlos Ferreira em sua coluna, Cavalleiro de Macedo justifica a decisão dizendo que não pode “compactuar com os desmandos administrativos e financeiros existentes, além da utilização descarada do Paysandu como instrumento de jogo político, inclusive e especialmente de familiares”. O advogado adianta, acrescenta Carlos Ferreira, que vai cobrar na Justiça, em conjunto com outros ex-conselheiros e conselheiros, “as prestações de contas formais, decentes, adequadas e devidamente legalizadas, que jamais foram apresentadas, de forma correta e legal, ao deslumbrado presidente do Conselho Deliberativo”.
O ofício - Em seguida, o ofício, na íntegra:

“Exmo. Sr . Dr. Artur Tourinho

“DD. Deputado da Assembléia Legislativa do Pará
“DD. Presidente do PAYSANDU SPORT CLUB

“Prezado Senhor,

“Diante do fraco e omisso Presidente do Conselho Deliberativo do Clube venho, pela presente, RENUNCIAR, de forma irrevogável e irretratável, ao Conselho Deliberativo do glorioso PAYSANDU SPORT CLUB, em vista de não poder compactuar com os desmandos administrativos e financeiros existentes, além da utilização descarada do PSC como instrumento de jogo político, inclusive e especialmente de familiares.
“Também irá ser cobrada na Justiça, na forma do que autoriza a legislação em vigor (em conjunto com outros conselheiros e ex-conselheiros), as prestações de contas formais, decentes, adequadas e devidamente legalizadas, que jamais foram apresentadas, de forma correta e legal, ao deslumbrado Presidente do Conselho Deliberativo.
Igualmente renuncio ao Título de Benemerência que me foi outorgado pelo Paysandu Sport Club por serviços prestados ao clube, dentre os quais o caso Aldo - a respeito do qual recebi telefonema para minha residência, em Icoaraci, com pedido de desculpas envergonhadas de V. Exa. pelo vexame da derrota do time depois de todo o esforço jurídico.

“Atenciosamente,

“JOÃO ROBERTO MENDES CAVALLEIRO DE MACEDO”

Contra-ataque

"CPIs se unem para fazer só um relatório de cassações" é a manchete desta quarta-feira, 31, de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/), que remete para a matéria sob o título "CPIs unidas contra o abafa", assinada por Adriana Vasconcelos, de Brasília, e em seguida reproduzida integralmente:

“Para impedir qualquer manobra protelatória do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que reforce uma eventual operação abafa a favor de parlamentares envolvidos no suposto esquema de pagamento de mesadas, as CPIs dos Correios e do Mensalão decidiram elaborar relatório parcial conjunto que será apresentado amanhã. Em reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi acertado que o relatório apresentará as provas contra os 18 políticos sob investigação e os crimes nos quais podem ser enquadrados, embasando a abertura de processos de cassação.
“A ação conjunta foi proposta depois que Severino anunciou que remeteria o relatório parcial da CPI dos Correios à CPI do Mensalão e não ao Conselho de Ética da Câmara, o que retardaria a punição dos que receberam dinheiro das contas de Marcos Valério.
“— O mensalão é uma maneira de carimbar um ato, uma conduta. Se alguém entender que é o gesto de um deputado todo mês receber um dinheiro, aí não houve. Agora, receber dinheiro em espécie, como nós vimos e está comprovado, representa uma vantagem ilícita e a conseqüência é a mesma — rebateu o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que deverá se reunir hoje com o relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG).
“Ainda contra manobras para retardar processos de cassação, o PPS assumiu o compromisso de subscrever pedidos de abertura de processo contra parlamentares citados pelas CPIs.
“— As CPIs não podem ficar na mão de um irresponsável como Severino — afirmou o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), ao anunciar a decisão do partido.

Corregedor: relatório fortalecido

“O corregedor Ciro Nogueira (PP-PI) e Severino reafirmaram que seguirão o trâmite dos relatórios: a Mesa manda para a corregedoria, que analisa os relatórios e devolve com um parecer. Mas Ciro admitiu que qualquer partido tem poderes para passar por cima da Corregedoria e mandar os processos ao Conselho de Ética. Para Serraglio, o relatório conjunto deverá forçar Severino a dar prosseguimento às denúncias das CPIs:
“— O relatório já vai mais fortalecido, porque sai de duas CPIs. Será enviado ao presidente da Câmara, que poderá mandar ao Conselho de Ética. A população tem 360 milhões de olhos voltados para cá.
“Serraglio adiantou que a situação do ex-ministro José Dirceu, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de comandar o pagamento do mensalão, e do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, cuja mulher sacou R$ 50 mil da conta da SMP&B Propaganda na agência do Banco Rural em Brasília, é bastante delicada. Já contra o líder do PL, deputado Sandro Mabel (PL-GO), e o deputado Pedro Henry (PP-MT), Serraglio admitiu só ter indícios da participação de ambos no esquema.
“— A situação de João Paulo é complicada. A do deputado José Dirceu também e exige condução severa. Alguém da República teve responsabilidade. A situação deveria ter sido contida a partir dos que decidiam as nomeações. Minha percepção é que não chega ao presidente. Aparentemente tínhamos um chefe de governo e um de Estado. E o chefe do governo era o ministro Dirceu — disse Serraglio.
“Não está descartada a inclusão no relatório do presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), cuja campanha à reeleição ao governo de Minas em 1998 teria sido beneficiada por um empréstimo contraído por Valério. Para Serraglio, parlamentares que sacaram e aqueles que mandaram parentes ou assessores fazerem a retirada cometeram o mesmo crime:
“— Não faz diferença sacar pessoalmente ou mandar alguém. A idéia é apresentar os crimes em que todos podem ser enquadrados. O enquadramento específico, não faremos.”

De olho na pizza

Da coluna "Painel", da edição desta quarta-feira, 31, da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/):

Ensaio geral 1

“Em prévia da pizza que ameaçam promover, os membros da Mesa da Câmara se reuniram recentemente para decidir o que fazer com o caso do deputado Paulo Marinho (MA), cuja cassação já havia sido determinada pelo Supremo Tribunal Federal.

Ensaio geral 2

“No encontro, o corregedor Ciro Nogueira (PP-PE) e Severino queriam dar prazo para Paulo Marinho se defender, apesar de a decisão do STF ser liminar. Só quando membros da Mesa ameaçaram pedir ata da reunião eles desistiram da manobra.

Moral da história

“No final, Severino Cavalvanti se revelou o melhor amigo de Lula. Prepara a pizza dos "mensaleiros", concentrando a ira do público sobre o Congresso, enquanto o presidente sai do foco e fica livre para se dedicar exclusivamente à sua reeleição.

Lixo atômico 1

“Sem alarde, emissários do Planalto garimpam ajuda no Congresso para salvar José Dirceu da cassação. A súbita generosidade coincide com a boa memória exibida pelo ex-ministro em conversas recentes.

Lixo atômico 2

“Dirceu, que já havia lembrado ao mundo ter sido Lula, e não ele, o inventor de Delúbio Soares, agora recorda que a famigerada base aliada foi construída conforme o desejo do presidente e à revelia de seu "capitão", que defendia entendimento preferencial com o PMDB.”

Dirceu é o chefe, diz relator

"Relator apontará Dirceu como chefe da corrupção" é a manchete desta quarta-feira, 31, de "O Estado de S. Paulo" (www.estadao.com.br), que remete para a matéria sob o título "Relator da CPI vai responsabilizar Dirceu por esquema em estatais", assinada por Eugenia Lopes Luciana Nunes Leal, de Brasília, e abaixo transcrita:

“O deputado José Dirceu (PTSP) será apontado pelo relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), como o responsável pela montagem de um esquema que permitia aos aliados do governo indicar para empresas estatais dirigentes encarregados de arrecadar recursos para seus partidos políticos. Este será um dos pontos centrais do relatório parcial que Serraglio vai apresentar amanhã. 'Acho que alguém da República teve responsabilidade. E está se isentando o presidente Lula. Mas houve uma situação que deveria ter sido contida. Minha percepção é que não chega ao presidente Lula. Mas alguém é responsável por isso.
“‘Aparentemente havia um chefe de governo e um chefe de Estado. E Dirceu era o chefe de governo', disse Serraglio.
“O texto vai apontar 18 deputados contra os quais há indícios de envolvimento em irregularidades. O relator não vai pedir claramente a cassação dos parlamentares, mas indicará as evidências capazes de levar à perda dos mandatos. 'Segundo o meu juízo, a situação de José Dirceu é muito complicada e exige uma condução um tanto quanto severa', acrescentou.
“Dirceu não comentou as declarações, mas seus assessores avaliam que as posições do relator caracterizam um julgamento meramente político, o que pode acabar ajudando o ex-ministro. Serraglio vai se reunir com o relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), para fechar um parecer conjunto.
“De acordo com Serraglio, há provas fortes contra um grupo de 12 a 15 deputados. 'Imaginar que parlamentares não percam o mandato é contrariar a expectativa da sociedade e as provas que estão sendo colocadas', disse. O líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO), e o ex-líder do PP deputado Pedro Henry (MT) vão ter seus nomes incluídos no relatório, mas com a ressalva de que contra eles não foram encontradas provas.
“Outro que está com a cabeça a prêmio no relatório de Serraglio é o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), que recebeu R$ 50 mil de caixa 2 de Marcos Valério. Como agravante, João Paulo fechou um contrato de cerca de R$ 7 milhões com a DNA, empresa de Marcos Valério, para fazer a publicidade da Câmara. O deputado José Mentor (PT-SP) ficou também em situação complicada por ter recebido R$ 120 mil do esquema de Valério, além de ter excluído o Banco Rural do relatório final da CPI do Banestado, que investigou remessas ilegais para o exterior.
“Serraglio diz estar certo de que havia esquema de pagamento a parlamentares para votar com o governo. 'Está comprovado o recebimento em espécie de dinheiro por parlamentares. Havia recebimento de vantagem indevida, ilícita', comentou. Para ele, não há diferença entre quem foi ao banco retirar dinheiro e quem mandou um assessor.
“Além disso, 'no relatório teremos as evidências contra alguns muito comprometedoras e contra outros que são menos graves. O Sandro Mabel está nesse limiar, assim como o Pedro Henry', informou ainda o relator. Serraglio lembrou que Mabel está sendo investigado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Ele estuda, ainda, a inclusão na lista do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que recebeu recursos de Valério em 1998.”

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta quarta-feira, 31.

“O Liberal” (PA) – Frente tenta evitar pizza nas CPIs. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Indisponível no momento. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – CPIs se unem para fazer só um relatório de cassações. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Câmara reage a proposta de Severino. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Relator apontará Dirceu como chefe da corrupção. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Deputados rebatem pizza com acordão. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Pesquisa revela: 23 mil servidoras federais sofreram assédio sexual. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Pizza. Eles juram que não. Será? (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Popularidade de Roriz atinge 75%, a maior do atual mandato. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Terça-feira, Agosto 30, 2005

Estelionato

Uma fonte fidedigna, com acesso a informações privilegiadas, garante que exala estelionato eleitoral a versão segundo a qual a Prefeitura de Belém apenas aguarda o desfecho de supostas negociações com o Banco da Amazônia para iniciar a construção de um camelódromo no terreno em frente aos Correios, na esquina da avenida Presidente Vargas com a rua Aristides Lobo.
Há impedimentos legais que inviabilizam o projeto, garante a fonte.

Exigência

“O processo relativo a esse terreno já deve possuir umas dez pastas, com papel, traças e muita poeira”, ironiza a mesma fonte, revelando que o termo de doação da maior porção do imóvel só permite que ali seja construída uma agência bancária.
De resto, acentua o atento observador da prestidigitação eleitoral, a área total do terreno não é muito grande. “Ali não cabem nem 30% dos camelôs da Presidente Vargas!”, salienta.

Novela

A fonte recorda que o termo de doação do terreno envolveu até a extinta UAP (União Acadêmica Paraense), entidade que até o golpe militar de 1964 era o epicentro da efercência do movimento universitário.
A destinação do terreno, resumindo, constitui-se em uma novela aparentemente sem fim.
Uma das alternativas cogitadas, mas que não prosperou, foi a construção de um prédio de apartamentos para funcionários do próprio Banco da Amazônia, revela ainda a fonte privilegiada.

Estilo

Da coluna "Painel", da edição desta terça-feira, 30, da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), sobre o desapreço do presidente Lula à liturgia do cargo:

Só para maiores

“Chamou a atenção de participantes da reunião com os presidentes de Poderes, quarta-feira passada no Palácio do Planalto, a profusão de termos impublicáveis usados por Lula.”

PT X PT: "Sob velha direção"

"Tarso sai, Berzoini entra e Dirceu continua mandando" é a manchete da edição desta terça-feira, 30, de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/), centrada na crise interna do PT, que é também do governo Lula. A manchete remete para a matéria assinada por Chico Oliveira, de Porto Alegre, que tem o sugestivo título de "Sob velha direção" e cuja íntegra segue abaixo:

”O presidente nacional do PT, Tarso Genro, não resistiu à queda-de-braço com o ex-ministro José Dirceu e anunciou ontem a retirada de sua candidatura à presidência do partido nas eleições de 18 de setembro. O ex-ministro do Trabalho Ricardo Berzoini, secretário-geral do PT e ligado a Dirceu, será o candidato do Campo Majoritário para presidir o partido. Tarso, que deixou o Ministério da Educação para presidir o PT em meio à pior crise da história do partido, queria a substituição, na chapa da qual fazia parte, de nomes identificados com o antigo núcleo dirigente — Dirceu entre eles. Como não conseguiu, alegou que isso não permitiria a “transição com ruptura”:
“— Eu não era um candidato da antiga maioria porque entendia que ela estava fragmentada, muito dissolvida, e precisávamos construir uma nova maioria no partido. E que isso (uma ruptura) teria que estar simbolizado numa modificação na chapa.
“Em entrevista no diretório regional do PT na capital gaúcha, Tarso anunciou que pretende iniciar um movimento político voltado para a refundação do PT e em defesa de um novo modelo de desenvolvimento. Esse novo modelo, afirmou, seria para um segundo mandato de Lula, cuja reeleição pretende pôr em discussão no fim deste ano. Tarso elogiou Berzoini, mas não se comprometeu a votar nele:
“— Ele é um bom quadro político e um companheiro fiel, de boa índole política. Tenho simpatia pelo companheiro Berzoini.
“E continuou:
“— Para essa transição negociada eu não sou adequado. Talvez o Berzoini seja, porque ele é líder sindical — disse, ressalvando que fica no cargo até o fim do segundo turno da eleição. — É a obrigação que assumi e vou respeitar.

Dirceu tem reações muito emocionais

“Perguntado se sua desistência representava uma derrota para Dirceu, disse que não. E, indagado sobre a manifestação do ex-ministro de que preferia morrer a deixar a chapa do Campo Majoritário, disse que ele tem reações “muito emocionais”.
“— O companheiro José Dirceu tem reações muito emocionais às vezes. Mas são reações emocionais que, na verdade, balizam uma posição política. O fato de ele usar uma expressão forte desse tipo para dizer que não sairia da chapa sinaliza o tipo de relação que ele tinha com o sistema de poder. E mantém com o sistema de poder do partido. Atribuo a sua resposta a uma metáfora um pouco nervosa. Ele tem o direito de ficar na chapa. A questão que se coloca para mim é da natureza da chapa e da sinalização política que ela dá à sociedade.
“Segundo ele, a permanência da antiga maioria no comando da nova direção não ameaça o futuro do PT:
“— O PT é extremamente forte. Mesmo que haja a hegemonia anterior, no que eu não acredito, porque vai sofrer algum tipo de modificação. O PT vai se recuperar. O PT vai indicar os responsáveis por esses erros políticos.
“Também pediu que a esquerda fique no partido:
“— Se a esquerda sair, nosso partido perde a tensão política democrática fundamental para produzir boas idéias. E aí vai provavelmente voltar para uma situação de comando burocrático de maioria quantitativa.
“Tarso disse que o grupo dirigente anterior deveria assumir a responsabilidade pela crise atual:
“— O grupo dirigente anterior e seus principais quadros deveriam assumir as responsabilidades públicas pelo que aconteceu, porque até agora não se tem responsáveis pelo que aconteceu. Até agora o único responsável é o Delúbio. Estou falando de responsabilidades políticas, não penais. E até agora não se tem responsabilidades políticas apuradas."
A matéria tem uma sub-retranca, com o título "Aqui mortos continuam governando vivo", assinada por Soraya Aggege e publicada abaixo:

“SÃO PAULO - A candidatura do deputado Ricardo Berzoini em substituição a Tarso Genro nas eleições petistas é mais uma vitória do deputado José Dirceu no PT. De acordo com dirigentes petistas ouvidos pelo GLOBO, Berzoini consultou Dirceu antes de aceitar a candidatura, a duas semanas e meia do pleito. Ex-dirigentes, como José Genoino, também aprovaram a substituição.
“— Aqui os mortos continuam governando os vivos — ironizou o secretário de Formação do PT, Joaquim Soriano, parodiando a frase de Augusto Comte (“Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos”) ironizada pelo Barão de Itararé.
“Além de Dirceu, que segundo vários dirigentes nunca perdeu poder no PT, a substituição foi aprovada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de semana. O presidente teria ficado irritado com Tarso por causa das declarações sobre a dificuldade de reeleição de Lula em 2006.
“— Foi uma vitória do Zé Dirceu, mas abençoada por todos, inclusive por Lula. Tarso comprou briga com todos os lados e acabou dando força ao Zé. Ele se transformou num problema para Lula — disse um dirigente.
“O grupo mais próximo de Dirceu na cúpula do Campo Majoritário e do partido referendou a indicação de Berzoini. O documento com a indicação de Berzoini foi assinado por três integrantes do grupo de Dirceu: Gleber Naime, Paulo Ferreira e Francisco Rocha. Foi distribuído na sede nacional do partido, ontem à tarde.
“Caso seja eleito, a independência de Berzoini na presidência poderá ser relativa, segundo o próprio Tarso. Muitos fazem coro a essa idéia.
“— Infelizmente, a renúncia de Tarso demonstra que pessoas como Dirceu e Delúbio não só não foram afastadas do PT como continuam controlado o Campo Majoritário — disse o deputado gaúcho Raul Pont, candidato nas eleições internas pela corrente de esquerda Democracia Socialista (DS).
“Mas há quem discorde:
“— Berzoini não será a rainha da Inglaterra, como disse o Tarso. A não ser que ele queira — disse Francisco Rocha.
“Berzoini não condicionou sua decisão à saída de Dirceu. Mas não escondeu que considera a saída espontânea de Dirceu mais confortável:
“— Seria melhor ele (Dirceu) se retirar, mas não colocaria isso como condição para minha candidatura.
“Por trás da candidatura de Berzoini está em curso uma tentativa de acordo no Campo Majoritário, que fará reunião em São Paulo na sexta-feira. Há várias propostas. Dirceu, por exemplo, estaria propondo que ele e Tarso fiquem na chapa com o compromisso de não assumirem cargos na executiva e no diretório Nacional, caso o grupo seja eleito.
“Para conter o mal-estar geral, o coordenador do Campo Majoritário, Francisco Rocha, quer pôr em votação secreta os nomes que deverão ou não sair da chapa. Além de Dirceu e Tarso, podem ser excluídos parlamentares e dirigentes mais envolvidos no escândalo do mensalão, como os deputados João Paulo Cunha (SP), Professor Luizinho (SP), Josias Gomes (BA), José Mentor (SP) e José Nobre Guimarães (irmão de Genoino), além do dirigente do PT-DF Valmir Lacerda.
“—Vamos decidir tudo nesta reunião. Inclusive quem sai e quem fica. Ou qualquer outro problema que surja até lá. De minha parte, não haverá condicionantes. Assim, não sabemos o que irá acontecer. Poderão excluir inclusive o meu nome, se quiserem — disse Rocha.
“Há quem defenda os acordos. O assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, um dos primeiros nomes cogitados por Lula para presidir o partido, disse que ainda há tempo para acordos que evitariam tal votação.
“— Creio que, neste momento, as pessoas precisam pensar mais na gravidade da situação que em si próprias. Prefiro que não haja votação. Pode haver acordos até sexta-feira— disse Marco Aurélio.
“Para Marco Aurélio, Tarso errou ao colocar sua posição sobre Dirceu publicamente.
“— Deveria ter sido intramuros. Tarso errou. Mas muitos continuam errando — reclamou Marco Aurélio."

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta terça-feira, 30.

“O Liberal” (PA) – Relator propõe cassação de 18 e inclui José Dirceu. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Relator pede cassação de Jefferson. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – PT: Tarso sai, Berzoini entra e Dirceu continua mandando. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Severino afirma que mensalão não existia e apóia pena branda. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Berzoini, substituto de Tarso, quer outro ‘foco’ na economia. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – O outro nome do mensalão. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Trabalhador tem direito a receber de volta desconto de IR nas férias. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Os anos dourados do assessor de Palocci. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Tarso perde queda-de-braço com Dirceu e desiste de candidatura. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Segunda-feira, Agosto 29, 2005

PT X PT: Tarso joga a toalha

Segundo revela o “Último Segundo”, do iG, o presidente do PT, Tarso Genro, anunciou na tarde desta segunda-feira, 29, em Porto Alegre, que não será mais candidato à presidência do partido. “Não sou mais candidato à presidência do partido”, disse ele.
O ex-ministro da Educação adiantou, no entanto, que não pretende deixar a presidência do partido até as eleições e que continuará militando no PT.
Tarso deixa a chapa do Campo Majoritário após travar uma queda de braço com o ex-ministro da Casa Civil, deputado federal José Dirceu (PT/SP). Tarso chegou a dar um ultimato para que Dirceu deixasse a chapa da maior tendência interna do PT. Enfraquecido, Tarso deixa a candidatura. “Nunca entreguei a maioria, nunca acompanhei nenhuma reunião da antiga maioria”, justificou ele.

UFPA debate a crise política

Um bom programa nesta terça-feira, 30, será possivelmente a mesa redonda a ser realizada amanhã à tarde, a partir das 16 horas, no auditório setorial básico I do campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), que terá por tema a atual crise política brasileira. “Os determinantes da crise política atual e os instrumentos institucionais contra a corrupção eleitoral” é o tema a ser debatido na mesa redonda.
A mesa redonda é uma oportunidade de ser ter contato com a leitura acadêmica sobre as causas – mediatas e imediatas - da atual crise política, deflagrada a partir das denúncias sobre o mensalão, o neologismo cunhado para designar a propina paga a parlamentares da base de apoio do governo Lula. E é também a chance, é claro, de se ter contato com os pontos de vista que vicejam entre os acadêmicos sobre as alternativas capazes de prevenir a corrupção que contamina o sistema político e, por via de conseqüência, a gestão pública.
Promovida pelo Departamento de Ciência Política, juntamente com o Centro de Filosofia e Ciências Humanas e o Grupo de Estudos Eleitorais e Legislativos do Estado do Pará, a mesa redonda terá a participação, como palestrantes, dos professores Alex Fiúza de Mello, este cientista político que é também reitor da UFPA, Celso Antônio Vaz, Cauby Monteiro, Nírvia Ravena, Edir Veiga e Roberto Corrêa.
A abertura da mesa caberá à professora Maria Luzia Miranda Álvares, chefe do Departamento de Ciência Política da UFPA, sucedendo-se as palestras e, depois destas, os debates. Alex Fiúza de Mello falará sobre “A crise como crise da cultura política no Brasil”; Antônio Vaz terá por tema “A crise atual: os meios e os fins da ação política”; Cauby Monteiro discorrerá sobre “A crise do modelo político brasileiro”; Nírvia Ravena abordará “O comprometimento das instituições na crise de poder”; Edir Veiga “O desenho do sistema eleitoral e partidário brasileiro e a crise”; e a Roberto Corrêa caberá falar sobre “O presidencialismo de coalizão, as alianças eleitorais e de gestão governamental nos governos brasileiros”.

Expectativa

A mesa redonda a ser realizada nesta terça-feira, 30, assinala a abertura da programação Seminário & Debates, a ser realizada mensalmente pelo Laboratório de Ciência Política da UFPA. A programação Seminário & Debates tem como objetivo discutir temas da atualidade e, com isso, permitir à comunidade acadêmica oferecer sua contribuição diante dos problemas que afligem o conjunto da sociedade.
A expectativa de quem não faz parte da academia é de que a programação Seminários & Debates possa incluir também temáticas mais diretamente relacionadas ao Pará. Como, por exemplo, as perspectivas das políticas públicas estaduais diante das alternativas sugeridas pelo quadro eleitoral que se desenha para as eleições de 2006.

Agenda

Quem tiver élan para tanto, prepare-se.
O deputado federal Wladimir Costa (PMDB/PA) está anunciando sua presença no “Programa do Jô”, da TV Globo, que vai ao ar no dia 6 de setembro, uma terça-feira.

Prosperidade

Mas não é só a notoriedade, a que preço for, que extasia Wladimir Costa.
Ele não consegue represar seu entusiasmo, para não dizer deslumbramento, diante da expectativa de em breve colocar no ar uma rádio em Barcarena, cuja potência, segundo revela, lhe permitirá ser ouvido em Belém.
A esta rádio, adianta ainda o parlamentar, deverão se somar mais sete, espalhadas pelo interior do Pará, além de uma TV no município de Rio Maria.

Belo Monte é manchete

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo procurador geral da República, Antônio Fernando Souza, ao Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que este suspenda a autorização dada pelo Congresso para a construção da megausina hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, é a manchete de "O Liberal" (www.oliberal.com.br) desta segunda-feira, 29, sob o título "Hidrelétrica de Belo Monte enfrenta oposição do MP".
A matéria, distribuida pela agência Estado, tem por título "MP pede suspensão de Belo Monte" e segue abaixo, na íntegra:

BRASÍLIA (Agência Estado) - A Procuradoria-Geral da República (PGR) quer que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspenda a autorização dada pelo Congresso para a construção da megausina hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.
“O procurador-geral, Antônio Fernando Souza, apresentou na última sexta-feira, 26, ao Supremo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), em que argumenta que as comunidades indígenas da região deveriam ter sido ouvidas antes da aprovação do decreto legislativo pelo Congresso, como prevê a Constituição.
“Souza pede que o STF dê uma decisão liminar sobre o caso que está sob análise do ministro Carlos Ayres Britto. Essa é a segunda iniciativa da Procuradoria-Geral, nas últimas semanas, interferindo no andamento de projetos na área de energia. A primeira ação, de 18 de julho, resultou em liminar concedida pelo presidente do STF, Nelson Jobim, suspendendo a realização de obras de infra-estrutura em áreas de preservação ambiental. O assunto vem sendo tratado agora pelo ministro Celso de Mello, que pretende apresentar seu voto em plenário na quarta-feira, 31.
“O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, vai tentar convencer o Supremo de que o momento certo para ouvir as comunidades indígenas é durante os estudos antropológicos, que serão realizados depois de verificada a viabilidade econômica e o impacto ambiental do projeto.
“Ele disse que vai acionar a Advocacia Geral da União (AGU) para expor ao STF os argumentos do governo sobre a necessidade de se construir Belo Monte. A articulação vai envolver também a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
“A usina de Belo Monte vem sendo discutida há quase 20 anos, mas enfrenta resistência de órgãos de preservação ambiental e indígena. O governo considera o projeto fundamental para o abastecimento de energia e os movimentos contrários à sua implantação argumentam que, para construir a usina, será necessário alagar áreas imensas e modificar completamente o rio Xingu, afetando comunidades próximas dos municípios de Altamira e Anapu.
“O procurador diz em sua ação que o artigo 231 da Constituição exige que as comunidades afetadas sejam ouvidas previamente. “A consulta prévia das populações indígenas é requisito constitucional indispensável”, diz Souza. “A terra tem um valor sagrado para os índios, pois é nela que eles estabelecem sua sobrevivência física e cultural”, acrescentou.
“O pedido de liminar foi feito porque o procurador entende que o Congresso deu seu aval para a implantação definitiva da hidrelétrica. O ministro Rondeau disse que o decreto condiciona a construção da usina à sua viabilidade técnica, econômica, ambiental e constitucional. “Não é um cheque em branco”, afirma. Ele trabalha com a idéia de licitar Belo Monte no primeiro semestre de 2006, caso sejam superados todos os impasses.
“O deputado Fernando Ferro (PT-PE), autor do projeto que resultou no decreto legislativo, diz que Belo Monte é a “única solução” para assegurar o abastecimento de energia no País, a partir de 2010. “Do ponto de vista estratégico, é a única forma de garantir que o Brasil terá assegurado o suprimento de energia elétrica que precisa”, diz Ferro.
“Rondeau disse que Belo Monte tem prioridade entre os projetos do governo porque é a única usina de grande porte que já dispõe de estudos maduros para serem executados. Para ele, a usina é importante também porque atende ao objetivo do governo de buscar tarifas mais baixas, já que a energia hidrelétrica é mais barata que aquela produzida por térmicas e nucleares.
“O projeto original da usina já foi modificado na tentativa de assegurar a sua aprovação. O reservatório da usina passou de 1.225 para 400 quilômetros quadrados. A construção foi dividida em duas etapas. Na primeira, que duraria ao todo oito anos, a usina teria capacidade para gerar 5,5 mil megawatts, a um custo de US$ 2,5 bilhões. E nos dois anos seguintes, seria construída a segunda etapa, alcançando 11 mil MW de geração de energia.

Relatório sobre impactos de Tucuruí estão atrasados

“Municípios do Baixo-Tocantins aguardam relatório da Eletronorte sobre os resultados do estudo dos impactos sócio-ambientais nos municípios de Abaetetuba, Barcarena, Moju e Oeiras do Pará, no Baixo-Tocantins, com a instalação da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Em ofício encaminhado à presidência da Eletronorte, a deputada estadual Ana Cunha (PMDB-PA) diz que esses municípios dependem do relatório para serem incluídos no Plano de Inserção Regional (PIR), no qual a empresa reserva investimentos da ordem de R$ 160 milhões ao longo dos 20 anos, aos municípios que foram seriamente prejudicados com a instalação da Usina.
“O relatório, elaborado pelo consórcio Engevix-Temag, foi repassado à Eletronorte há pelo menos três meses, mas até agora não foi encaminhá-lo à Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam). A demora prejudica os municípios que aguardam a liberação de recursos da empresa até 2006, o que não aconteceu com outros municípios que já foram incluídos no PIR e estão sendo beneficiados com o Plano Diretor e o Estudo da Cadeia Produtiva.”

Pressão faz andar CPI

"Sob críticas, CPI acelera relatório até sexta-feira" é a manchete de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/) desta segunda-feira, 29, que remete à matéria que tem por título "Pressão faz CPI se mexer", assinada pelo jornalista Alan Gripp, enviado especial do jornal.
Em seguida, a íntegra da matéria:

“O documento que aponta para um mar de irregularidades em contratos bilionários dos Correios em 2003 e 2004 é, na opinião de integrantes de oposição da CPI que investiga a estatal, a primeira prova material de corrupção na máquina do governo. Os principais pontos da auditoria, revelados ontem pelo GLOBO, serão o carro-chefe de um relatório parcial que deve ser divulgado até sexta-feira pela comissão, bombardeada por críticas de que as investigações pouco produziram até aqui. O relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) e os subrelatores correm contra o tempo para agilizar as conclusões e responder às críticas de que a CPI está patinando, sem mostrar conclusões.
“Além da prestação de contas, a CPI trabalhará em duas outras frentes para dar respostas concretas: o avanço na análise dos dados da quebra do sigilo telefônico dos investigados, ainda em ritmo lento, e a votação dos pedidos de abertura de processo de cassação de pelo menos parte dos 18 parlamentares que tiveram seus nomes envolvidos no caso do mensalão.
“A descoberta das fraudes nos Correios é resultado do trabalho de equipes da auditoria interna da estatal, da Secretaria Federal de Controle Interno, do Tribunal de Contas da União e da Controladoria Geral da União. Os técnicos se debruçaram sobre 40 departamentos da estatal e encontraram ao todo 525 tipos de irregularidades consideradas graves, classificadas no documento final como de alto riso para os cofres públicos. Algumas dessas suspeitas também vinham sendo investigadas pela CPI.
“Para o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), o relatório derruba a tese de que o escândalo se resume a caixa dois e mensalão:
“— Essa é a primeira prova material, com base em dados e documentos, que atesta a corrupção nos Correios.

Conexão entre casos ainda não é possível

“Embora ainda não seja possível estabelecer uma conexão das fraudes com o esquema do mensalão, a avaliação é de que as revelações jogam uma pá de cal sobre a tese de que a crise está restrita ao Congresso.
“— O relatório comprova que, ao contrário do que afirma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as provas de corrupção no governo existem para dar e vender — afirma o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).
“A CPI vai requisitar hoje o relatório. O documento levanta suspeitas sobre contratos que somam cerca de R$ 7 bilhões. O maior deles, para a implantação do sistema de correspondência eletrônica para grandes clientes, tem fortes indícios de superfaturamento.
“O negócio foi fechado ano passado com o grupo American Bank Note por um valor 400,7% maior do que a previsão inicial, uma “variação injustificada”, afirma o relatório. Em 2002, ano das eleições presidenciais, a implantação do chamado correio híbrido postal estava orçada em R$ 861,4 milhões. A licitação foi suspensa até junho de 2004, quando a operação foi concretizada por R$ 4,3 bilhões.
“— Nesses contratos fica clara (a corrupção). Os valores são muito expressivos, as mudanças são substanciais, num período em que não teve mudança brutal dos indicadores econômicos. Não foi mera coincidência — diz o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), subrelator da CPI.
“A CPI dos Correios constatou outras irregularidades no contrato do correio híbrido postal, destinado principalmente a bancos e operadoras de cartões de crédito. Segundo a comissão, um dos programas de computação custou 60 vezes mais caro do que previa a cotação inicial. Ele foi cotado entre R$ 1.400 e R$ 3.800, mas custou R$ 69.300 por ponto de implantação.
“Para Antonio Carlos Magalhães Neto, a chegada do resultado da auditoria à CPI reforça a necessidade de prestar contas:
“— É fundamental que num prazo muito breve seja apresentado o primeiro relatório preliminar da CPI.”

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta segunda-feira, 29.

“O Liberal” (PA) – Hidrelétrica de Belo Monte enfrenta oposição do MP. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – FHC quer que Lula termine mandato. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Sob críticas, CPI acelera relatório até sexta-feira. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Sob Lula, empresa lucra mais que banco. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Planalto usa estatais para premiar companheiros. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Voto secreto em plenário aquece a pizza. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Caixa amplia uso do FGTS. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – PT favorece impunidade de acusados. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – PT estuda alternativas a Lula em 2006. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Domingo, Agosto 28, 2005

"Max", um site que orgulha o Pará

Impecável. É o mínimo que se pode dizer de "Max", o site da jornalista Karime Darwich Barra, que deslumbra na forma e no conteúdo (o endereço eletrônico é: www.karime.net).
O site está no ar desde o último dia 19 e é da dar orgulho à mão-de-obra paraense. Elegante e leve, como convém a uma revista eletrônica, "Max" tem projeto gráfico do jornalista Guilherme Barra, que vem a ser marido de Karime e é um profissional de competência e experiência comprovadas, sobre cujo talento jornalístico é pleonástico falar.
Parabéns. E não só a Karime e a Guilherme Barra, bem como a todos que fazem "Max", um empreendimento que orgulha a todos nós, paraenses, e é um estímulo a quem se dispõe a enfrentar o desafio de transformar sonhos em realidade, sempre embutido na carreira solo.

À procura

Na edição deste domingo, 29, da sua coluna, no “Diário do Pará”, o jornalista Mauro Bonna revela que vereadores da Câmara Municipal de Belém continuam à procura dos verdadeiros donos da Emparsanco Belém Ambiental, que oficialmente pertence a Wagner de Almeida Vieira e Romero Niquini.

Suspeita

O que move setores da oposição na Câmara Municipal de Belém é o que se comenta intramuros. Diz-se, nos bastidores, que os verdadeiros proprietários da Emparsanco seriam o prefeito Duciomar Costa (PTB) e Paulo Castelo Branco. O que Dudu nega peremptoriamente, usufruindo – o que é justo, diga-se – do benefício da inocência presumida.

Vizinho

Para correligionários do prefeito, as suspeitas são “absolutamente infundadas”. As “suspeitas infundadas” lastreiam-se na versão de que, de tão íntimos, Duciomar seria hoje até “vizinho de porta” de Paulo Castelo Branco no edifício para o qual teria se mudado, na esteira de uma suposta crise conjugal.

Antecedentes

Paulo Castelo Branco, recorde-se, inclui, dentre seus antecedentes, ter sido, por indicação do senador José Sarney (PMDB/AP), o representante no Pará do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Flagrante

Paulo Castelo Branco foi defenestrado no cargo após ser preso em flagrante pela Polícia Federal, no Aeroporto de Brasília, em um episódio de corrupção amplamente noticiado pela imprensa nacional. Noticiado, inclusive com imagens, no “Jornal Nacional”, da TV Globo.

À flor...

Esta promete ser uma semana de fortes emoções para o ex-senador Ademir Andrade, atual diretor-presidente da Companhia Docas do Pará (CDP) e que é também o presidente regional do PSB no Pará.

...da pele.

Segundo noticia a coluna “Repórter 70”, de “O Liberal” deste domingo, 29, a CPI dos Correios decide nesta semana a quebra do sigilo bancário do ex-líder estudantil Charles Dias, apontado na lista do empresário Marcos Valério de Souza como o autor de três saques de R$ 100 mil no Banco Rural, dinheiro que, segundo o deputado Paulo Rocha (PT-PA), teria sido depositado na conta do Diretório Regional do PSB do Pará.

A terceira idade nos dois Brasis

O Ministério Público e alguns outros seguimentos da sociedade civil organizada reuniram-se no auditório do próprio MP na última sexta-feira, 26, para discutirem questões relacionadas à terceira idade.
Sabemos que o Estatuto do Idoso, com menos de dois anos de vigência, ainda é, em muitos dos seus aspectos, uma utopia no Estado do Pará. Não é muito difícil perceber porque.
Os albergues para idosos em Belém são insuficientes e vivem lotados, além de sobreviverem com parcos recursos. As dotações orçamentárias do poder público não priorizam este setor. As políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de vida do idoso ainda estão longe de serem consideradas satisfatórias, e assim por diante. Para piorar o quadro, o setor privado trata o idoso como estorvo na maioria das vezes, como no caso do transporte coletivo e de muitos planos de saúde
Coincidentemente, na mesma sexta-feira, 26, o “Globo Repórter”, programa semanal da Rede Globo, teve como tema o envelhecimento e os avanços da ciência para desvendar os inúmeros mistérios desta fase da vida. Durante a exibição da matéria, me chamou atenção a reportagem sobre uma senhora de 94 anos que, ainda em plena atividade, dirige um fusca com a desenvoltura de uma pessoa de pelo menos 50.
Fiquei imaginando aquela linda senhora, tão maravilhosa nas suas peculiaridades, tentando subir num coletivo aqui, em nossa cidade. É quase certo que não conseguiria chegar ao seu local de trabalho com a pontualidade de sempre. Os motoristas daqui, ao que nos é dado perceber, não devem ter tido mãe ou avó, ou esqueceram que têm ou já tiveram.Ela ficaria, além do mais, torrando ao sol (porque aqui não tem local decente nem para se esperar o ônibus ). E se tentasse dirigir seu fusca neste trânsito enlouquecido? Meu Deus! Ou se quisesse andar a pé pelas nossas calçadas? Melhor nem comentar. Seria preocupante vê-la numa fila de caixa eletrônico, onde a “juventude” não tem a mínima paciência e consideração por quem já passou dos sessenta.
Quero muito envelhecer com a mesma qualidade de vida daquela velhinha. Mas, se possível, lá na Serra Gaúcha! O mesmo lugar onde ela vive e provavelmente morrerá - sabe Deus quando. (Laura Almeida*)

* LAURA ALMEIDA é assistente social e colaboradora deste blog.

Zé Dirceu, o predador recorrente

Do jornalista Mario Sergio Conti, autor do antológico livro "Notícias do Planalto", sobre o deputado federal José Dirceu (PT/SP), o ex-todo-poderoso ministro da Casa Civil do governo Lula, no site "No mínimo" (www.nominimo.com.br), sob o título "O indivíduo na história: José Dirceu":
“Há um livro de Plekhanov, de 1898, chamado “A propósito do papel do indivíduo na história”, que, como tudo que cheira a marxismo, está completamente fora de moda. Pois bem: Plekhanov foi quem introduziu o marxismo na Rússia. Fundou o grupo Emancipação do Trabalho e, depois, junto com Lênin, o Partido Operário Social-Democratra da Rússia. Na cisão do partido, Lênin liderou a fração bolchevique e Plekhanov, a menchevique. Apesar da ruptura, Lênin sempre teve o adversário Plekhanov em alta conta, sobretudo em questões de filosofia.
“No livro, Plekhanov discute o que está no título: se o indivíduo é livre para agir politicamente, ou se é a expressão de movimentos das classes sociais, cujas bases estão na formação econômica do período. É uma discussão complexa. Trotsky polemizou com as idéias de Plekhanov, analisando o lugar da direção revolucionária (o partido) para superar o capitalismo.
“Discussão complexa e, repita-se, sem sentido nos dias de hoje. Como se sabe, as classes sociais deixaram de existir, os indivíduos são livres e não há por que mudar as estruturas econômicas e, com elas, a sociedade. Pelo bom motivo de que a sociedade é perfeita. O que há, como não cessam de repetir os ideólogos de plantão, são as celebridades e os excluídos.
“Plekhanov é pretexto para a pergunta: qual o papel na história desses indivíduos, os políticos?

***

“A resposta mais simples é que eles não servem para nada, a não ser nos aporrinhar. A política é um meio de ganhar a vida. Os políticos seguem carreira: são eleitos, defendem isso e aquilo, estão no poder ou na oposição, fazem projetos, discursam – e ganham no fim do mês o seu salário, ou o seu mensalão, ou a sua propina, ou polpudas doações de empresários para as suas campanhas eleitorais.
“Exagero? Pois pense na trinca de presidentes citada por Lula na semana passada. Getúlio foi um ditador que “fez” a legislação trabalhista de inspiração fascista. JK “fez” Brasília, uma monstruosidade que alegrou sobremaneira os empreiteiros. E Jânio não “fez” nada a não ser beber, viajar de cargueiro e dizer coisas incompreensíveis.
“Claro que há grandes políticos brasileiros. Por exemplo o... Não me ocorre nenhum nome no momento.
“Na crise do momento, há gente fazendo análises pertinentes ou dando testemunhos interessantes. Chico de Oliveira, Giannotti, César Benjamin, Chico Buarque, Wanderley Guilherme dos Santos. Nenhum deles é político profissional. Os políticos só dizem asneiras.

***

“O personagem central do fuzuê (junto com Lula) é o deputado José Dirceu. O que fez esse indivíduo na história? Como existe o Google, dá para arriscar uma resposta.
“José Dirceu foi um jovem provinciano boa-pinta que chegou à cidade grande num tempo de efervescência. Namorou bastante, envolveu-se em política, tornou-se líder estudantil. Seu grande feito na época foi ter sido um dos responsáveis pela organização do Congresso da UNE em Ibiúna. A organização do congresso, um primor de amadorismo e aventureirismo, resultou na prisão de todos os presentes.
“Dirceu foi preso e, pouco depois, libertado em troca da soltura do embaixador americano, seqüestrado dias antes. Ele se refugiou em Cuba, onde se tornou admirador da ditadura castrista. Lá, organizou um grupo terrorista, o Molipo, e providenciou a reentrada de seus militantes no Brasil. A maioria deles foi presa e assassinada pelos militares brasileiros.
“Aí fez algo inesperado: abandonou a política. Fez uma cirurgia plástica para alterar a sua fisionomia, arrumou documentos falsos e voltou ao Brasil, ao Paraná, onde viveu com outro nome, Carlos Henrique. Foi um modesto comerciante de sapatos, casou, teve filho. Segundo ele conta, não disse nem à mulher a sua verdadeira identidade. Quando veio a anistia, contou finalmente quem era à mulher, deu-lhe adeus, voltou a Cuba, fez uma nova plástica, para recuperar a face anterior, e embarcou para o Brasil.
“Em São Paulo, cursou Direito na PUC, entrou no PT e se tornou funcionário do partido. Aproximou-se de Lula e virou o seu operador político. Quando Lula decidiu fazer o que fosse necessário para chegar ao Planalto (adaptação do programa do PT à vontade da burguesia, marketing político, caixa 2), usou Dirceu como tacão para golpear a democracia do partido, perseguir os dissidentes, criar uma burocracia.
“Ao chegar ao Planalto, José Dirceu fez o que se vê hoje.

***

“Li bastante o que Dirceu disse nesse anos todos. Não há uma idéia original. Uma discussão teórica. Um vislumbre, não digo de inteligência, mas de clareza. Ele não sabe escrever. Não tem um artigo que mereça ser citado. Seus discursos são burocráticos.
“José Dirceu é uma criatura das sombras, da intriga partidária, dos conchavos. Recebeu o apelido de “comissário”, provável associação do seu autoritarismo à mística bolchevique (na interpretação dos seus áulicos e aliados) ou stalinista (na versão dos adversários). Ele não tem nada de bolchevique. Chamá-lo de stalinista é impreciso: como tantos outros, é tão-somente um politiqueiro oportunista.
“Seu papel na história se resume a organizar um congresso estudantil fracassado, a fundar uma organização política fracassada (o Molipo) e a galgar postos num partido que foi uma novidade e uma esperança na política brasileira. Partido cuja direção, a começar por ele mesmo, se encarregou de ferir mortalmente.”

PS. o e-mail de Mario Sergio Conti é: msconti@nominimo.ibest.com.br

Macromaracutaias

Do jornalista Elio Gaspari, em sua coluna deste domingo, 28, sob o título "As macromaracutaias dos fundos" (oglobo.globo.com/jornal/):

“A melhor notícia do ano foi quebra do sigilo dos fundos de pensão das estatais, o levantamento dos véus da Petros (Petrobrás), Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica). Seus subterrâneos assemelham-se às cloacas de Paris de "Os miseráveis". Com R$ 270 bilhões em investimentos são, há tempo, a caixa d'El Rey. Nos últimos dez anos a Viúva tapou mais de R$ 30 bilhões nos buracos desse queijo suíço. O melhor negócio do mundo é ter um desses fundos como sócio. Quando dá lucro, os mandarins vão comprar camisas n'O Corte Inglês, em Lisboa. Quando dá prejuízo, choram no BNDES em nome dos aposentados. Lula acaba de dar um alívio de R$ 1 bilhão à Brasil Ferrovias, obra-prima da privataria tucana, em que a Funcef e a Previ atolaram centenas de milhões de reais. Só no Banco Santos os fundecas "perderam" R$ 1 bilhão.
“Mensalão, Bingos e Correio são coisa de petequeiro se comparados com o que rola, há vinte anos, nesses fundos. Chega a ser uma irresponsabilidade misturar essas macromaracutaias com as micropicaretagens que estão nas CPIs.
“Numa versão simplificada, deram-se coisas assim: A empresa Zumbi de Canudos, quebrada, emitiu R$ 200 milhões em papéis. Ninguém comprou o mico. Apareceu o amigo do fundeca e propôs: compramos os R$ 200 milhões por R$ 20 milhões. Fechado o negócio, os cleptocondôminos racham R$ 180 milhões, os acionistas micam e, mais adiante, a Viúva compra o rombo. No negócio dos precatórios de Santa Catarina, estourado em 1996, ganhou-se mais dinheiro do que já se gastou com o Fome Zero.
“A macromaracutaia dos fundos pede uma CPI exclusiva. Velhas manipulações políticas evitam que isso aconteça, mas não se deve fingir que o problema se assemelha aos bingos, mensalões ou petecas postais. O comissário Luiz Gushiken pode ter achado que inovava. Empresas-companheiras como a Guaranhuns e a Bonus/Banval operaram uma velha tabuada, tão velha quanto o edifício Dacon, em São Paulo, aquele cilindro de vidro fumê da Avenida Faria Lima, onde conceberam-se as primeiras privatarias, antes mesmo da posse de Fernando Collor na Presidência da República.”

Correios de falcatruas

"Auditores acham 525 tipos de irregularidades na ECT" é a manchete da edição deste domingo, 28, de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/). A manchete remete à matéria intitulada "Uma estatal de 525 fraudes", assinada pelo jornalista José Casado.
Em seguida, a matéria, na íntegra:
“Está na Presidência da República um relatório oficial, concluído no último dia 12, com os resultados apurados em 40 departamentos dos Correios por equipes da auditoria interna da estatal, Secretaria Federal de Controle Interno, Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União. Os auditores vasculharam 85,7% dos contratos executados pela empresa estatal em 2003 e 56,4% dos contratos realizados durante 2004.
“O valor total desses contratos supera R$ 7 bilhões —- o equivalente a mais de dois terços do faturamento dos Correios no ano passado ou, ainda, ao orçamento do maior programa social do governo Lula, o Bolsa Família, que atende a sete milhões de famílias. O relatório, a que O GLOBO teve acesso, expõe um quadro muito pior que o já esboçado nas investigações da CPI dos Correios: foram constatados 525 tipos de irregularidades consideradas graves, a maior parte classificada como de “alto risco” para os cofres públicos.
“Empresa estatal, os Correios têm o monopólio setorial garantido pela Constituição. Sustentam uma folha de pagamentos com 108 mil empregados e gastam cerca de R$ 6 bilhões em compras. O governo Lula dividiu seu comando entre o PT e aliados no Congresso, como o PTB e o PMDB.
“Os resultados apurados nas auditorias mostram como a confusão político-administrativa instalada no cotidiano dessa empresa pública acabou levando aos casos de corrupção agora investigados pela CPI e pelo Ministério Público. O maior contrato dos Correios sob suspeita é o do correio híbrido postal, um sistema de correspondência eletrônica destinado a grandes clientes empresariais, principalmente bancos e operadoras de cartões de crédito.

Edital elevou valor e limitou concorrência

“O projeto foi concluído em 2002, ano da eleição presidencial. Estava orçado em R$ 861,4 milhões. A licitação ficou suspensa até junho do ano passado, ano de eleições municipais, quando foi transformada em um negócio de R$ 4,3 bilhões. Ou seja, o preço inicial aumentou em 400,7% —- “variação injustificada”, segundo o relatório dos auditores. Foi tudo feito com absoluta “indefinição de critérios objetivos e de composição de preços”, diz o documento. Sem análise prévia do departamento jurídico e à margem de vetos da Auditoria Interna dos Correios.
“O novo edital, além de alterar o valor do projeto, impôs novas regras para a concorrência. Trouxe a “exigência de capacidade tecnológica de impressão de 100 milhões de páginas por mês”, limitando a disputa ao consórcio privado que saiu vencedor, liderado pelo grupo American Bank Note. Lacônicos, os auditores definiram as regras dessa competição como “altamente injustificáveis”.
“O bilionário contrato do correio híbrido postal acabou fechado com “antecipação de pagamentos”, sem que houvesse previsão para tanto. A CPI dos Correios está investigando o contrato e já constatou que um dos programas de computação adotados tinha cotação inicial variável entre R$ 1.400 e R$ 3.800, mas custou R$ 69.300 por ponto de implantação. Saiu 60 vezes mais caro que os similares utilizados na estatal.
“— Um dos maiores defensores do aumento dos custos foi o então diretor Comercial dos Correios, Carlos Eduardo Fioravante, que também é suplente de senador (segundo suplente de Hélio Costa, o atual ministro das Comunicações). Haja suplente de senador para gostar desses Correios. Impressionante! — ironizou a senadora Heloisa Helena (PSol-AL) ao comentar, no plenário da CPI dos Correios, o aumento do custo desse programa de computação.
“A pista fora dada à CPI há dois meses pelo ex-gerente dos Correios Maurício Marinho, filmado ao receber R$ 3 mil de propina de empresários. Incomodado, ele sugeriu a extensão do inquérito aos hábitos da cúpula da empresa estatal na condução de negócios milionários:
“— O importante, volto a frisar, são as comissões especiais de licitação, são os grandes contratos, que não passam pelos trâmites normais.
“Os auditores relacionam casos emblemáticos desse tipo de gestão. Um deles é o do programa de automação industrial executado pelo Departamento de Tecnologia, seção da burocracia dos Correios dominada pelo Partido dos Trabalhadores por meio do seu ex-secretário-geral Sílvio Pereira. Ele saiu do PT no mês passado, depois da revelação de que fora “presenteado” com um Land Rover pela empresa baiana GDK, fornecedora do grupo Petrobras.
“O projeto de automação dos Correios prevê a instalação de 90 máquinas capazes de fazer a triagem de 30 mil a 40 mil peças (cartas, encomendas ou malotes) por hora. Gastou-se R$ 1,2 bilhão na compra de equipamentos e tecnologia para tráfego postal sem um prévio estudo de viabilidade ou mesmo um “plano básico” de execução.
“A receita do projeto foi composta por “informações imprecisas sobre custos”, combinada com muita despesa “sem comprovação”. Agora há um sistema de triagem mecanizada de “baixa produtividade”, com “desperdício de software”, algumas máquinas “ociosas” e outras “quebradas”. Os auditores usaram apenas três palavras para sintetizar os resultados: “Ineficiência, ineficácia e anti-economicidade”.
“Os Correios mantêm sucursais em 5.560 municípios e operam com mais de seis mil contratos de compras e serviços. Numa única amostra analisada foram constatadas 59 irregularidades, das quais 56 classificadas como de alto risco para os cofres públicos.
“Uma parte substancial das distorções ocorreu durante o ano eleitoral de 2004, por efeito do loteamento político nos cargos de direção. O ex-gerente Maurício Marinho contou a procuradores federais que no período pré-eleitoral foram intensificadas as pressões de políticos aliados ao governo para que diretores dos Correios obtivessem contribuições dos fornecedores da estatal sob as mais variadas formas.
“Marinho confessou ter atendido a alguns pedidos do gênero feitos por diretores como Antônio Osório, indicado pelo PTB, e João Henrique, indicado pelo PMDB. Entre as empresas fornecedoras da estatal que teriam concordado em fazer contribuições para campanhas políticas, ele relacionou a Incomir, a ELC/Starlock, a Polycart e a Multiformas. Disse, ainda, ter sido informado sobre doações de outras grandes fornecedoras para as campanhas eleitorais de cidades maiores, atendendo ao PT e ao PMDB.
“Certo mesmo é que houve um pouco de tudo. Desde pagamentos por reajustes de preços em contratos já extintos a pagamentos de serviços de transportes “sem cobertura contratual devida”, licitações dirigidas e sem garantias contratuais, pregões eletrônicos distorcidos e até contratos irregulares de publicidade, patrocínio e propaganda por interferência da Secretaria de Comunicações da Presidência da República (Secom).
“A diretoria da estatal chegou a gastar R$ 90,6 milhões em estudos de “avaliação” da gestão empresarial dos Correios. O resultado? “Insuficiente”, escreveram os auditores, com uma ponta de ironia."

PT X PT

Da coluna "Painel", da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), edição deste domingo, 28:

A conferir

“Na terça, a tendência Movimento PT se reúne com a esquerda do partido para selar um pré-acordo: quem for ao 2º turno da eleição interna apóia o outro contra o Campo Majoritário.

"Tabajara F.C.

“De Geraldo Magela (DF), membro do Movimento PT, sobre a disputa interna no Campo Majoritário: "Eles são donos do campo, da bola e das camisas. Estão levando o time para a segunda divisão. Ainda assim, querem escolher o juiz".

Quem diria

“De Paulo Delgado (PT-MG): “Que ironia! Os petistas de São Paulo, tão sofisticados e influentes, acabaram na ‘Sujíssima Trindade’: ônibus, lixo e bicho".

Porta da esperança

“No mural do site da fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, a maioria das mensagens recentemente postadas ensina ao internauta como ganhar mais de R$ 10 mil por mês em milagrosas correntes de e-mails."

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais de domingo, 28.

“O Liberal” (PA) – Líder do PP é o pai do mensalão. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Indisponível no momento. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Auditores acham 525 tipos de irregularidades na ECT. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Buratti diz que é fácil provar propina. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Irritados, Lula e Dirceu estão à beira da colisão. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Com o PT à deriva, procura-se partido ético. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Estado recadastra 460 mil. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Relator quer cassar 17. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Lula admite concorrer à reeleição para salvar o PT. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Sábado, Agosto 27, 2005

Caos

O caos na segurança pública, estampados nas primeiras páginas dos jornais de Belém, torna definitivamente impalatável a prestidigitação publicitária do governo Simão Jatene e a propaganda enganosa por ele trombeteada na mídia, com o dinheiro do contribuinte.
Consumida por uma guerra de egos, a segurança pública, particularmente em Belém, tornou-se um caso de polícia – exatamente a polícia que nos falta, porque a que se apresenta como tal é um simulacro.

Vaidades

A fogueira de vaidades não permite priorizar a população indefesa, a cujos reclamos o secretário especial de Defesa Social, Manoel Santino, retruca com o escárnio do seu faz-de-conta, condizente com quem se revela historicamente deslumbrado com as pompas e circunstâncias do poder, provavelmente por conta de suas origens. Freud explica, como consagra o chiste.

Enquanto isso

Mas nossas autoridades têm questões mais relevantes a tratar, pelo que se conclui da notícia veiculada na coluna “Repórter Diário”, do “Diário do Pará”, edição deste sábado, 27.
A coluna informa que o major da PM Walber Wolgrand foi colocado na reserva por força de decreto do governador Simão Jatene, publicado no dia 16, a pretexto de acumular a condição de militar com a de professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Em verdade

De acordo com a notícia, Wolgrand garante que o motivo são as várias denúncias que fez contra a PM. E lembra que dezenas de militares também têm dupla atividade.
A coluna acrescenta que o major saiu atirando e deu entrada em ação popular no TJE contra a criação de 41 cargos comissionados na Corregedoria da PM.

Ônus

Não é só o desgaste da legenda que explica as manifestações de hostilidade endereçadas à senadora Ana Júlia Carepa (PT/PA), na posse do novo reitor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), conforme registra a coluna “Repórter 70”, de “O Liberal”, em sua edição deste sábado, 27.
O desgaste natural de quem exerce o poder existe, sim, e dele se ressente a senadora, por pertencer ao PT. Mais que isso, porém, provavelmente contribui para tanto o comportamento errático de Ana Júlia, de resto evidenciado, pelos seus adversários, na disputa pela Prefeitura de Belém, em 2004.

Vaivém

Era previsível que nem mesmo seu inegável carisma conseguisse blindá-la contra o inevitável desgaste de quem mantém o discurso de palanque para consumo externo, mas no cotidiano parlamentar submerge do pântano de um pragmatismo impregnado de vícios. Um vaivém típico de político oportunista.
Para garantir sua participação na partilha dos cargos federais, por exemplo, a senadora petista, após pronunciamentos incendiários em que reafirmava suas tradicionais posições, alinhou-se docilmente ao Planalto, na votação das reformas da Previdência Social e da legislação trabalhista, na contramão de convicções históricas.

Suspeitas

Também contribui certamente para o desgaste da senadora as inevitáveis suspeitas suscitadas pelo seu empenho em tentar poupar de ser ouvida pela CPI da Biopirataria Joana Pessoa, assessora que foi sua caixa de campanha nas eleições para a Prefeitura de Belém. Um comportamento insólito, para dizer o mínimo, para quem prega a transparência.

Passado

Retroagindo um pouco mais, obviamente não passam desapercebidas ao eleitorado contradições inomináveis para quem, como Ana Júlia, mantém um discurso ideológico. Disso é exemplo a senadora manter conversações com o PSDB, quando entrou em rota de colisão com o então prefeito Edmilson Rodrigues (PT), do qual foi vice-prefeita (1997-1999) e vítima de inaceitável humilhação política.
Naquela altura, Ana Júlia driblou a adversidade política ao se eleger vereadora por Belém nas eleições de 2000, com uma votação histórica. Para tanto inegavelmente contribuiu ela ter sido vitimizada pela truculência política de Edmilson, que sequer o cargo passava-lhe, em retaliação que desmentia o discurso democrático tão caro ao PT.

Pior a emenda

Se a reação de Edmilson Rodrigues o nivelou a um tiranete de província, o revide atribuído a Ana Júlia comprometeu seu discurso ético.
Na época, comentou-se abertamente, ela teria estendido suas pontes para o PDT, mas exigia como garantia, para a troca de legenda, o apoio da coalizão governamental, como candidata desta a prefeita de Belém, em 2000.

Versão

Na versão corrente, o então governador Almir Gabriel estimulou a senadora petista a filiar-se ao PDT, mas descartou a possibilidade de tê-la como candidata preferencial da coligação “União pelo Pará”.

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta sexta-feira, 26.

“O Liberal” (PA) – Lula ataca “aves de mau agouro”. (www.oliberal.com.br)

Diário do Pará” (PA) – Assaltos com reféns aterrorizam população. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Desorganização e guerra de egos ameaçam CPIs. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Pessoas próximas a Lula fizeram “coisa muito suja”, diz Ciro. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Aperto fiscal é recorde, mas a dívida cresce. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Escândalos antecipam o debate eleitoral de 2006. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – União vai recontratar servidor aposentado. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Notas frias nas contas do Planalto. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Nota fria justificou despesa com cartão da presidência. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Sexta-feira, Agosto 26, 2005

Cheiro de pizza

Da coluna "Painel", da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), edição desta sexta-feira, 26, reproduzida pelo Blog do Noblat:
"Construção coletiva
"Embora mais discretos que Severino Cavalcanti, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e do STF, Nelson Jobim, estão em plena atividade de costura do 'acordão' que visa, além de preservar Lula, reduzir ao mínimo o número de cassações.
"Para ontem
"Um parlamentar não-mensalista compara as atuações dos presidentes da Câmara e do Senado: 'A diferença é que o Severino quer servir a pizza crua'.
"Faca no pescoço
"A afoiteza de Severino é questão de sobrevivência. O correligionário José Janene (PP-PR) não se cansa de avisar que, se cassado, arrastará consigo o presidente da Câmara.
"Enviados especiais
"Severino orientou seu 'filho' Ciro Nogueira (PP-PI) e Robson Tuma (PFL-SP) a dificultar as apurações na Comissão de Sindicância e no Conselho de Ética. Ambos tentam ser nomeados relatores dos próximos processos de cassação no Conselho.
"Tenho dito
"O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), admite 'pressão de todos os lados' por absolvição generalizada. Ainda assim, afirma: 'Quem tiver de ser punido, será'.
"Serviço de implosão
"Um grupo de deputados não-mensalistas discute meios de dissolver a 'CPI do Acordão', oficialmente chamada CPI do Mensalão. 'Ali o decoro foi quebrado há muito tempo', diz um dos integrantes do movimento.
"Não confunda
"Para não ser tomado por Carlos Lessa, técnico que ajudou José Mentor (PT-SP) a elaborar o relatório-pizza da CPI do Banestado, o ex-presidente do BNDES diz que, a partir de agora, terá sempre à mão seu RG, onde se lê: Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa."

O dilema de Lula

"O dilema nas entrelinhas" é o título da análise feita pela jornalista Tereza Cruvinel, de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/), em sua coluna "Panomarama Político", publicada na edição desta sexta-feira, 26. Abaixo, a coluna, em sua íntegra:
O dilema nas entrelinhas

“Muito elogiado pelos empresários e muito criticado pela oposição, o discurso de ontem do presidente Lula foi de fato o mais incisivo, o que passou o sinal mais vivo de sua consciência da crise. A carga dramática, a promessa de não repetir Getúlio, Jânio ou Jango, alcançou eco imediato, mas nas entrelinhas transpareceu o dilema de disputar ou não a reeleição.
“Se a decisão, que vem sendo discutida com muita reserva, for a de não concorrer, ela não terá a forma de uma capitulação mas a roupagem de uma reforma: Lula enviaria então ao Congresso uma proposta de emenda constitucional acabando com a reeleição e fixando o mandato dos futuros presidentes (nada de prorrogação) em cinco ou seis anos.
“O que a oposição repeliu com irritação foi a promessa de Lula de pautar-se na crise com a paciência de Juscelino Kubitschek. Todos querem ser um novo JK, em todos os aspectos. Quando FH o apontava como seu paradigma, era o PT que apontava a impropriedade, pela ausência de desenvolvimentismo na era tucana. Ontem tucanos como o líder Arthur Virgílio apontavam a impropriedade de Lula, lembrando que as crises enfrentadas por JK foram de outra natureza. Eleito, ele enfrentou a tentativa de golpe de 11 de novembro, abortada pelo general Lott. Lacerda, líder da UDN, alegava não ter Juscelino alcançado a maioria absoluta de votos, que não era uma exigência. Já presidente, enfrentou as revoltas militares de Aragarças e Jacareacanga. Generoso, anistiou os rebeldes. Mas teve também paciência com uma oposição raivosa, que o acusava de corrupto e chegava a chamá-lo, por Lacerda, de presidente cafajeste. Seria mais certeira a oposição se cobrasse de Lula a afirmação de que não aceita as tentativas de envolver o governo na crise, como se o governo e o PT fossem seres distintos. Tanto não são, aos olhos da população, que está aí a pesquisa Ibope apontando queda acentuada na aprovação do governo e na confiança no presidente. Este quadro reforça o dilema que aparece nas entrelinhas do discurso.
“Anteontem, Lula já admitira aos presidentes dos outros poderes que poderá não concorrer. Ontem, fez várias referências ao calendário eleitoral, sempre afirmando que ainda não é candidato. “Minha prioridade nunca foi a reeleição mas a governança deste país”. Mais adiante: “Aliás, ousei dizer um dia que era contra a reeleição, votei contra a reeleição na Constituinte de 1988 e não fui eu quem propôs que tivesse reeleição no Brasil. O que eu não posso aceitar é que, a pretexto da eleição de 2006, pessoas ajam de forma irresponsável...”. Repetiu ainda que não mudará a política econômica por razões eleitorais. Depois mencionou a exigência de que não seja candidato como saída para a crise (lançada em primeiro lugar por FH) e as constantes ameaças do PFL de sangrá-lo até que não tenha condições de disputar. Dito isso, avisou que não aceitará imposições. “Não decidi se serei candidato ou não, nem vou decidir agora porque acho que não é o momento”. E ainda outra: ‘Não é uma eleição que faz minha cabeça’. Seria sim, a certeza de chegar a 31 de dezembro de 2006 com resultados que garantam um bom julgamento de seu governo.
“São lampejos que se casam com as informações regradas que vêm de seu círculo. Se houver a resistência, Lula proporá não apenas o mandato maior e o fim da reeleição mas uma reforma política mais ousada que a discutida no Congresso. Outros tentam convencê-lo da conveniência de uma Constituinte exclusiva, nos termos da emenda Miro Teixeira, para revisar o sistema político e tributário e o pacto federativo. Cartas que estão na mesa.

Batendo cabeça e perdendo tempo

“As CPIs estão batendo cabeça. Agora todas querem investigar os fundos de pensão e ouvir o doleiro Barcelona. A dos Correios e a do Mensalão aprovaram simultaneamente a convocação do empresário Daniel Dantas. Pelo número de convocados ontem, os aficionados podem comprar mais pipocas para assistir às transmissões. Mas quanto mais abrem o foco, mais distantes ficam as CPIs de chegar aos resultados.
“A dos Correios vai investigar as aplicações de dez fundos de pensão nos bancos Rural e BMG. “Os fundos eram utilizados para esquentar o dinheiro de Valério”, diz, convicto, o deputado Eduardo Paes. Mas o exame das aplicações dos fundos pode resultar numa das maiores frustrações da CPI. Diz-se no mercado financeiro que dificilmente serão encontradas aplicações com rentabilidade menor que a oferecida pelos grandes bancos. Portadores de maior risco, bancos médios como eles oferecem rendimento maior. Pelo menos os grandes fundos — Previ (que aplica a maior oferta por pregão), Petros e Funcef estão se preparando para desmontar a suspeita. Petros informou à CPI do Mensalão que suas aplicações no Rural e no BMG, realizadas por gestores terceirizados, alcançaram rendimentos de 18,6% e 18,1% respectivamente, considerados muito satisfatórios. O Funcef nem tem aplicações nos dois bancos.
“O senador Álvaro Dias acha que se perderá tempo mas que era inevitável. Pessoalmente está mais empenhado em averiguar a tentativa de Valério de mediar a transferência do espólio do Banco Mercantil ao Rural, que lhe renderia muitas vezes o que pôs à disposição do PT. Seria um crime perfeito se não tivesse dado tudo errado.

O SENADOR Agripino Maia perguntou a Rogério Buratti sobre um encontro na terça-feira, em que teria combinado com o chefe de gabinete de Palocci, Juscelino Dourado, os termos de seu depoimento de ontem, em que preservou o ministro. Convenceu o mercado, que reagiu muito bem, ainda que a oposição ainda cogite convocar Palocci. Deste encontro, segundo o senador, teriam participado duas mulheres muito faladas. Jeany Mary Corner, a agenciadora de meninas da noite, e Carla, uma delas por quem Buratti se apaixonou.”

Mantida redução dos vereadores

"STF mantém redução de vereadores" é o título da matéria publicada nesta sexta-feira, 26, pela "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), assinada por Silvana de Freitas, da sucursal de Brasília, sobre a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em rejeitar ontem duas ações que restabeleceriam as 8.436 vagas de vereadores em todo o país cortadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas eleições do ano passado.
Em seguida, a íntegra da matéria:
“O STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou ontem duas ações que restabeleceriam as 8.436 vagas de vereadores em todo o país cortadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas eleições do ano passado.
“Do lado de fora do prédio do plenário do STF, cerca de mil políticos que teriam sido eleitos pelo antigo sistema protestaram, mas foram contidos por policiais militares e bombeiros.
“Os manifestantes gritaram xingamentos dirigidos aos ministros, falaram palavras de ordem como "viva o mensalão" e "polícia é para ministro" e atearam fogo em faixas de protesto e um exemplar da Constituição sobre o piso de mármore da entrada do prédio.Depois, um grupo e cerca de 200 pessoas se dirigiu ao Palácio do Planalto. Tentaram subir a rampa e foram contidos pelos policiais.
“Doze carros da Polícia Militar e do Bope (Batalhão de Operações Especiais) estacionaram em frente ao espelho d'água do Palácio do Planalto e os policiais, portando escudos e armas, fizeram uma corrente para proteger o local.
“Ações
“O STF julgou duas ações diretas de inconstitucionalidade, movidas pelo PP e pelo PDT contra a resolução do TSE, de abril de 2004, que reduziu o número de vagas de vereadores no país de 60.267 para 51.841.
“Elas foram negadas por 10 votos contra 1. O relator, ministro Celso de Mello, disse que não havia inconstitucionalidade. O voto contrário foi de Marco Aurélio de Mello, para quem o TSE legislou quando aprovou a resolução, o que não poderia ter ocorrido.Desde o primeiro momento, houve forte pressão política pelo restabelecimento das vagas. Inicialmente os vereadores tentaram a aprovação pelo Congresso de uma emenda constitucional, mas não obtiveram êxito.
“A Constituição prevê que o número de vereadores será "proporcional à população" e determina o máximo e mínimo por faixas populacionais. Por exemplo, a cidade com até 1 milhão de habitantes pode ter de 9 a 21 representantes, e o município que tem de 1 milhão a 5 milhões de habitantes pode ter de 33 a 41 vereadores (artigo 29).
“A polêmica sobre a quantidade de vereadores de cada cidade foi gerada por ações do Ministério Público, que cobrava a aplicação de algum critério de proporcionalidade em relação ao número de habitantes, previsto na Constituição. A redução traria economia nos gastos municipais.
“Em março de 2004, o STF julgou o primeiro caso, de Mira Estrela (SP), que tinha 11 vereadores, 2 a mais que o mínimo, apesar de a população ser de 2.700 pessoas.Em seguida, julgou outros oito casos . Os ministros disseram que esses casos serviram de referência para todos os municípios do país.
“Logo após as decisões do STF, o TSE decidiu baixar a resolução impondo o novo critério de cálculo do número de vagas de cada cidade, proporcional à população."

PT X PT

Sob o título "Petistas pressionam Dirceu a favor de Tarso", a "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/) publica a seguinte matéria, assinada por Catia Flávia, da Editoria Local:
“O presidente do PT, Tarso Genro, fixou domingo como prazo para definir se mantém sua candidatura ao comando do partido. Até lá, uma legião de petistas tentará convencer o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu a deixar a chapa do Campo Majoritário para a disputa interna de 18 de setembro. Essa foi a conclusão do jantar que reuniu, na noite de quarta-feira, 52 deputados da corrente: que Dirceu deveria se afastar.
“Para facilitar a negociação, os deputados João Paulo Cunha e Professor Luizinho admitiram até a possibilidade de deixar a chapa. O cenário, porém, é incerto, e os dirigentes estão divididos. Até ontem, Dirceu resistia. E, mantido seu nome, Tarso deverá renunciar. Ontem, com o impasse, a tendência era mesmo de que Tarso desistisse, abrindo espaço para a candidatura do secretário-geral do PT, Ricardo Berzoini.
“Pela manhã, particularmente irritado com declarações de Dirceu, Tarso reafirmou a ameaça: "No momento em que vi Dirceu falando pelo Campo Majoritário, cheguei à conclusão de que todos os movimentos que fiz, todo o debate e as questões que coloquei eram corretas", disse, concluindo: "Agora, o Campo Majoritário vai ter que dizer à sociedade e a si mesmo quem fala por ele".
“Após reiterar suas condições, Tarso levou essa queixa ao coordenador do Campo, Francisco Rocha. Obteve uma dura resposta: "Ninguém fala pela maioria individualmente. Nem ele nem Zé Dirceu. Só fala pela maioria quando tiver acordado", reagiu.
“No encontro, Rochinha, como é chamado, também rechaçou a hipótese de pedir que Dirceu deixe a chapa e reclamou das críticas feitas por Tarso à equipe econômica.À tarde, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) admitiu: ‘A hipótese de renúncia existe’. O secretário de Mobilização Francisco Campos foi categórico: ‘A saída é o Tarso sair. Foi um erro enveredar por esse caminho, de crítica à política econômica’. Sobre a pressão para a saída de Dirceu, disse: ‘Dirceu é rocha difícil de quebrar’.
“Mercadante reconheceu as dificuldades para costurar um acordo com Dirceu. Para ele, é ‘possível, porém, improvável’: ‘Vou continuar trabalhando por uma solução. Mas ainda não há.’ A exemplo dos deputados do Campo, disse que Tarso errou na forma ao exigir a saída de Dirceu. Reafirmou que a renovação do PT pressupõe mudanças na chapa.
“O senador se reuniu ontem com Tarso e dois governadores do partido na sede do PT, em São Paulo. Ao chegar, o governador do Acre, Jorge Viana, apoiou o afastamento de Dirceu: ‘Querer estar na chapa e fazer a defesa é um erro. Mas não podemos impor isso. Temos de tentar convencê-lo’.
“Na véspera, os deputados do Campo decidiram trocar sua coordenação, excluindo nomes de acusados de envolvimento no ‘mensalão’. ‘Reconhecemos o trabalho desses companheiros. Mas o partido não pode ficar à deriva por causa de alguns envolvidos’, disse o deputado Odair Cunha (MG). Na reunião, a nova coordenação ficou encarregada de procurar Tarso propondo encontro com os deputados do Campo, inclusive Dirceu, semana que vem. Nela, Tarso deverá obter garantias de que não enfrentará comando paralelo se eleito no PT - desde que amenize o tom.”

Mundo está mais desigual

Matéria veiculada no "Globo Online", às 21h12 de quinta-feira, 25, sob o título "ONU adverte que o mundo está mais desigual do que há dez anos":
NAÇÕES UNIDAS - Apesar do crescimento sem precedentes e da melhoria nas condições de vida experimentados por muitos países do mundo, o abismo entre ricos e pobres aumentou na última década, alerta a ONU no relatório intitulado "A Situação Social Mundial de 2005".
“No documento divulgado nesta quinta-feira, a ONU utiliza esse argumento para defender que o crescimento econômico, por si só, não é panacéia para resolver os problemas do desenvolvimento.
“O estudo está centrado no abismo existente entre a economia formal e informal, entre os trabalhadores qualificados e os que não são, assim como no acesso à saúde, à educação e às oportunidades de participação social, política e econômica.
“A conclusão que se desprende do informe é que o crescimento dos ingressos não só não é suficiente para evitar a passagem da pobreza entre gerações, mas pode levar ao acúmulo da riqueza para outros.
“‘O informe pode servir de guia para que se tomem medidas visando a criação de um mundo mais seguro e próspero, onde as pessoas possam disfrutar melhor seus direitos e liberdades. Superar a situação de desigualdade é um elemento essencial’, disse o secretário-geral Kofi Annan, em comunicado.
“Segundo o relatório, como fruto da globalização, as desigualdades se mantiveram tanto entre os países como dentro das economias nacionais, o que é observado em áreas como emprego, segurança no trabalho e salários.
“Em muitos países, aponta o relatório, o desemprego continua sendo muito alto e afeta com mais intensidade à população jovem, já que 47% do total de 186 milhões de desempregados no mundo são jovens.
“De acordo com o relatório, no início dos anos 90, os 10% mais ricos dos países da América Latina detinham até 45% da renda nacional. No início deste milênio, essa diferença aumentou em oito países e o Brasil, que está entre os três países mais desiguais do mundo, detém o recorde da região: os 10% mais abastados têm uma renda equivalente a 32 vezes o que recebem os 40% mais pobres.
“A região também perdeu espaço no mundo. Em 1980, América Latina e Caribe tinham uma renda per capita média de 18% dos rendimentos dos países mais ricos do mundo. Em 2001, os ganhos aqui eram de só 12,8% dos obtidos nas nações mais prósperas.
“O relatório afirma ainda que um quarto da população trabalhadora do mundo não pode manter suas famílias porque recebem salários de cerca de US$ 1 por dia. Além disso, a ampla maioria dos trabalhadores pobres pertencem à "economia submersa", que cresceu devido à forte competitividade global e às mudanças no mercado trabalhista.
“As disparidades salariais entre os trabalhadores capacitados e os que não são aumentaram também em muitos países, refletidos na queda do salário-mínimo. Por outro lado, os salários altos subiram ainda mais. O relatório cita como exemplo o caso da China e da Índia que, apesar de apresentarem crescimento econômico, as diferenças entre os trabalhadores cresceram ainda mais.
“O problema não é apenas do mundo em desenvolvimento, diz o relatório, mas também dos países industrializados, uma vez que as diferenças mais pronunciadas entre os salários ocorrem nos EUA, Reino Unido e Canadá.
“O relatório da ONU afirma que também existe uma enorme desigualdade bno acesso à saúde em muitas áreas, especialmente nos países da África e em certas áreas da Ásia.
“As expectativas de vida entre nesses países e os desenvolvidos são díspares, principalmente devido a fatores como a Aids, falta de acesso a vacinas, o cuidado infantil e maternal, assim como a educação.
“A violência é outra das causas da desintegração do tecido social e a exclusão, ‘especialmente quando se trata de lutas políticas por poder, terras e recursos’.
“O informe denuncia ainda que os povos indígenas, os incapacitados, os anciãos e os jovens são impedidos de participar na tomada de decisões que afetam seu bem-estar e, na maioria das vezes, lhes negam seus direitos básicos.
“- Não vamos avançar na agenda do desenvolvimento sem abordar os desafios da desigualdade dentro e entre países. Com a data limite de 2015 para atingir os Objetivos do Milênio, é o momento para incorporar a redução da desigualdade em nossas estratégias’, afirmou José Antonio Ocampo, subsecretário para Assuntos Políticos e Econômicos da ONU."

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta sexta-feira, 26.

“O Liberal” (PA) – Lula descarta renúncia ou suicídio. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Polícia Federal prende três hackers no Pará. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – “Não farei como Getúlio, Jânio e Jango”. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Lula diz que não imitará Getúlio, Jânio nem Jango. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Lula diz que não vai repetir Getúlio, nem Jânio, nem Jango. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Síndrome de agosto ataca Lula. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Não me mato nem renuncio. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Os fantasmas que assombram o presidente. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Lula diz que agirá como JK e descarta renúncia ou suicídio. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Quinta-feira, Agosto 25, 2005

Insatisfação com Dudu

Fonte bem informada revela que o tucanato já não consegue ocultar sua irritação diante do fastio do prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), o Dudu, com as exigências - políticas e administrativas - impostas pelo exercício do Executivo.
Caciques do PSDB temem que a apatia de Dudu, refletida no ritmo lento e parcimonioso de sua administração, possa dar fôlego eleitoral ao PT, apesar do momento adverso da legenda.
Quanto a Dudu, acrescenta a mesma fonte, mais de uma vez teria reclamado que já não aguenta o assédio de auxiliares e eleitores. "Qualquer hora largo tudo e volto pro Senado", já teria desabafado o prefeito, suscitando, com isso, a controvérsia em torno da possibilidade legal do retorno ao Legislativo, após ter assumido a prefeitura.
O vice-prefeito, recorde-se, é Manoel Pioneiro (PSDB), ex-prefeito de Ananindeua, onde pavimentou sua carreira com o populismo obreiro, amplificado pelo uso massivo da mídia, via informes publicitários. Eleito em 1996 e reeleito em 2000, notabilizou-se pelas obras de R$ 1,99, é verdade, mas capazes de se prestar à prestidigitação eleitoral. Migrou do PFL para o PSDB, transferindo - sem estímulo ou restrições dos caciques tucanos - seu título eleitoral para Belém, na expectativa de ser reconhecido como uma opção eleitoral do partido, o que acabou por ocorrer. Ao que se sabe, não teve suas expectativas políticas correspondidas por Dudu, com o qual mantém, hoje, uma relação glacial.

Escárnio

O empresário e ex-deputado Osvaldo dos Reis Mutran, o Vavá Mutran, como é maias conhecido, acusado de matar com um tiro na cabeça uma criança de oito anos em Marabá, em dezembro de 2002, foi absolvido ontem à noite pelo tribunal do júri.
A informação é da coluna "Repórter Diário", do "Diário do Pará", edição desta quinta-feira, 25 (www.diariodopara.com.br).

A caixa-preta dos fundos de pensão

"CPI quebra sigilo de fundos de pensão e convoca doleiro" é a manchete da edição desta quinta-feira, 25, da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/).
Assinada por Fernanda Krakovics, da sucursal de Brasília, a matéria segue abaixo reproduzida integralmente:
“A CPI dos Correios aprovou ontem a quebra de sigilo das movimentações financeiras e das aplicações de três dos maiores fundos de pensão do país -Funcef, Petros e Geap- no Banco Rural e no BMG. A medida deve ser estendida, em nova votação hoje, para outras oito entidades de previdência. A quebra abrange os últimos cinco anos.
“O Banco Rural e o BMG teriam emprestado R$ 55 milhões para o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, que foram repassados para o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. A oposição desconfia de que os bancos tenham liberado esses recursos como contrapartida por eventuais benefícios recebidos do governo, como a aplicação de recursos de fundos de pensão.
“Ontem, a direção executiva da Geap (Fundação de Seguridade Social) divulgou uma nota dizendo que a entidade "não tem aplicações financeiras no Banco Rural e no Banco BMG desde 1999".
“A Geap é o fundo de previdência -entidade que assegura o pagamento de aposentadoria complementar- de servidores federais. A Funcef é o fundo dos funcionários da Caixa Econômica Federal e a Petros, dos trabalhadores da Petrobras.

“Doleiro

“Na sessão de ontem da CPI, também foi aprovada a convocação do doleiro Dário Messer (que operaria para o PT, segundo informações do doleiro Antonio Claramunt, o Toninho da Barcelona); do funcionário da casa de câmbio Barcelona Tour, Marcelo Viana; e da cambista Nelma Cunha, da Havaí Câmbio e Turismo, de Santo André (SP).
“A base aliada derrubou o requerimento de preferência para votar a convocação de Toninho da Barcelona. O pedido foi para o final da fila e não foi apreciado. Sem apresentar provas, o doleiro, que está preso em Avaré (SP), tem dado detalhes de um suposto esquema de remessa ilegal de recursos para o exterior pelo PT.
“Toninho afirmou em entrevista por escrito à revista ‘Veja’ que, durante a campanha de 2002, o PT trocava quase diariamente quantias que variavam de US$ 30 mil a US$ 50 mil. Viana era o responsável pelas operações de balcão da Barcelona, e a troca do dinheiro seria feita pelo gabinete do então vereador de São Paulo Devanir Ribeiro (PT), hoje deputado federal. O petista nega a acusação.
“A base de sustentação do governo postergou a votação dos requerimentos que pediam a convocação de Devanir e de seu filho, Marcos Lustosa, que era assessor legislativo da Câmara Municipal e participaria do esquema.
“Contrariada com a falta de colaboração dos fundos de pensão, a base governista deixou a alegada preocupação com a estabilidade econômica e votou com a oposição a favor da quebra de sigilo das três entidades de previdência.
“No dia 4 deste mês, a comissão pediu aos presidentes de 11 fundos de pensão, ao Ministério da Fazenda e à Secretaria de Previdência Complementar informações sobre a venda de títulos pós-fixados pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e pelo IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado) efetuada por essas entidades de previdência. Até hoje, os dados não foram enviados.
"’Estamos fazendo uma quebra de sigilo qualificada para viabilizar mais rapidamente as informações de que precisamos’, disse o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS).
“Segundo ele, a Comissão Parlamentar de Inquérito volta a atenção para seu foco, que são ‘os Correios, os contratos, as movimentações financeiras e os fundos de pensão’
“A CPI escolheu seu novo vice-presidente -o deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA). Ele substituirá o senador Maguito Vilela (PMDB-GO), que se licenciou.”
A edição da "Folha" ainda publica, em torno do assunto, a seguinte sub-retranca, sob o título "Fundo favoreceu bancos, diz auditoria", assinada por Elvira Lobato, da sucursal do Rio:
“Uma mega auditoria feita no fundo de pensão Nucleos (dos empregados das empresas estatais da área nuclear) apontou 30 indícios de irregularidades na entidade já no governo Lula. A Folha teve acesso ao relatório confidencial da auditoria. Nove auditores cedidos pelas estatais Eletronuclear, Nuclep e INB (Indústrias Nucleares do Brasil) e pela Petrobras participaram da empreitada.
“O Ministério das Minas e Energia determinou a abertura de inquérito administrativo. A comissão foi constituída, na semana passada, com representantes da Eletrobrás, Nuclep e INB.
“A auditoria cobriu o período de agosto de 2003 a dezembro de 2004. A direção do Nucleos apresentou defesa a todas as irregularidades apontadas, mas o relatório final manteve as acusações.
“A Eletronuclear, uma das patrocinadoras do fundo, foi excluída da comissão de sindicância supostamente em razão de o presidente da estatal, Paulo Figueiredo, (licenciado do PC do B) ter presidido o Nucleos até abril.
“Para os auditores, há indícios de que a direção do Nucleos nomeada pelo governo Lula, e que foi empossada em agosto de 2003, tenha favorecido aos bancos Pactual e Industrial, contratados como gestores dos investimentos.
“Em dezembro de 2003, a diretoria contratou o Pactual para administrar dois fundos de investimentos exclusivos da fundação -o Urânio, de renda fixa, e o Titânio, de renda variável- que somavam R$ 96 milhões.
“O dinheiro aplicado nos fundos correspondia a 21% do patrimônio líquido da fundação. Posteriormente, em 2004, o Pactual foi substituído pelo Banco Santos, cuja liquidação causou perda de R$ 7 milhões ao fundo de pensão.
“Segundo a auditoria, o Pactual tinha sido destituído pela direção anterior, em setembro de 2003, do papel de gestor em renda fixa por ter apresentado ""a pior rentabilidade" acumulada naquele ano.
“O Banco Industrial, por sua vez, foi contratado para administrar o fundo de renda variável Zurcônio, com R$ 97,48 milhões de capital. No final de 2004, esse fundo acumulava perdas de 21,66%, basicamente em razão de aposta errada no mercado de opções.
“Apesar do péssimo resultado do Zircônio, em 2004, o Banco Industrial manteve-se como gestor do fundo até julho deste ano, quando foi substituído pelo Bradesco. O relatório da auditoria inclui a demora na substituição entre as irregularidades apontadas.
“Dono de um patrimônio de R$ 480 milhões, em valores atualizados, o Nucleos é um fundo de pensão estatal de pequeno porte, mas mergulhou numa crise interna gigantesca desde que, em junho último, o petista Neildo de Souza Jorge, do Conselho Deliberativo, passou a acusar o ex-secretário de Comunicação do PT, Marcelo Sereno, de manipular o fundo de pensão.
“Em entrevista à Folha, em julho, o conselheiro disse que teria sido montado um esquema de arrecadação de recursos, supostamente para o PT, a partir da terceirização de investimentos. A direção do Nucleos, bem como Marcelo Sereno, contestaram a declaração do conselheiro, na época.
“A taxa média de rentabilidade apresentada pelo Nucleos no ano passado ficou em 5,98% (abaixo da caderneta de poupança), e não atingiu sequer metade da meta atuarial, de 12,51% ao ano.
“Grande parte do relatório da auditoria é dedicada ao exame da política de terceirização de investimentos e dos resultados das aplicações financeiras, mas os auditores não fazem referência ao suposto esquema apontado em julho pelo conselheiro.
“Os auditores criticam a fragilidade dos mecanismos de controle do Nucleos, e recomendam a revisão do modelo adotado, que, segundo eles, deixou o fundo mais exposto a risco.
“No final de 2003, para dar impulso à política de terceirização da gestão dos investimentos, o Nucleos vendeu títulos públicos, de baixo risco, que eram geridos por ele, para aplicar em fundos de renda variável administrados por terceiros. Para os auditores, faltou prudência na decisão. O Zircônio, sob gestão do Banco Industrial, perdeu R$ 7,1 milhões em operações no mercado de opções.

“Rodovia Rio-Teresópolis

“Segundo os auditores, o Nucleos descumpriu norma do Conselho Monetário Nacional ao se tornar o único cotista do fundo CRT, acionista do consórcio de empreiteiras que explora a rodovia Rio-Teresópolis, no Rio, por concessão da União. O fundo de pensão investiu R$ 10,3 milhões em cotas do fundo CRT, no pressuposto de que outros fundos participariam do investimento, o que não ocorreu. Ele tem 100% das cotas, quando o limite admitido legalmente é de 25%.”

Promiscuidade petista

Sob o (irônico) título "Ligado na Fazenda", "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/) publica, em sua edição desta quinta-feira, 25, a seguinte matéria, assinada por Alan Grip, enviado especial do jornal a Brasília:
“Novos dados da quebra do sigilo telefônico de Rogério Buratti enviados ontem à CPI dos Bingos e uma nota divulgada pelo Ministério da Fazenda mostram que o advogado tinha acesso a dois assessores próximos do ministro Antonio Palocci. O chefe de gabinete de Palocci, Juscelino Dourado, admitiu que Buratti esteve pelo menos nove vezes no prédio do ministério desde o início do governo Lula.
“A nota de Juscelino, confirmando que Buratti esteve no ministério, foi divulgada 24 horas depois de o ex-assessor de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto ser convocado para depor na CPI dos Bingos. Anteontem, a CPI aprovou também um requerimento do senador Romeu Tuma (PFL-SP) solicitando ao ministério a relação completa das pessoas que foram ao prédio desde outubro de 2003.
“Na nota, Juscelino diz que os encontros não significaram “acesso por parte do senhor Buratti a nenhum tipo de benefício quanto a serviços ou contratos junto ao governo federal”. Ele afirma que conhece Buratti há mais de 15 anos, que os dois foram colegas de trabalho e que continuam amigos.
“’O senhor Rogério Buratti é meu padrinho de casamento. Nossas famílias se conhecem e compartilham atividades sociais e comemorativas. Recebi visitas do senhor Rogério Buratti, algumas vezes, no Ministério da Fazenda. Estimo um total de nove encontros. Considero que esses encontros estão dentro do contexto do relacionamento acima descrito’.
“Mas a explicação não foi digerida pela oposição.
“— O gabinete do ministro não é lugar de piquenique, de convescote. Esses encontros estão desde já sob suspeita — afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
“O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), disse ter estranhado as visitas de Buratti ao Ministério da Fazenda:
“— É estranho Buratti ter uma certa freqüência no ministério.
“Já o relator, senador Garibaldi Alves (PMDB-PB), duvida da versão de que os encontros aconteceram por motivos sociais:
“— Não é possível que não trataram de assuntos administrativos. O gabinete do ministro da Fazenda não é o local apropriado para amenidades.

“Quarenta e dois minutos de conversa

“Segundo documentos enviados à CPI dos Bingos, Buratti fez em 2003 pelo menos 12 ligações para o celular de um assessor de Palocci. Ele também telefonou seis vezes para a casa do ministro. No total seriam 42 minutos de conversa, sendo que 28 para o telefone residencial.
“As ligações para a casa do ministro foram feitas em 24 de janeiro e 6 de julho de 2003. Na primeira data, foram quatro ligações. Na segunda, duas. Outras três ligações para a casa de Palocci já tinham sido divulgadas a partir da quebra de sigilo de outro telefone de Buratti. Quando surgiram as primeiras notícias sobre ligações de Buratti para sua casa, Palocci divulgou nota afirmando ter recebido "dois ou três telefonemas”.
“No caso das ligações para celular, o advogado telefonava para o número do aparelho usado por Ademirson Ariovaldo da Silva, que está sempre ao lado do ministro em eventos públicos. Na transição de governo, o próprio Palocci forneceu esse número para uma repórter do GLOBO.
“A assessoria de Palocci informou ontem que o número não é do ministro. Para minimizar o fato de que o próprio ministro já deu o número para uma jornalista, a assessoria sustentou que Palocci costuma dar o número de seu assessor quando algum repórter pede um contato com ele. Em algumas ocasiões, Palocci também já deu o número de seu assessor de imprensa Marcelo Neto. Segundo o Ministério da Fazenda, o aparelho que recebeu as ligações de Buratti estaria com Ademirson desde o período da transição.”

Gastos do casal presidencial

Um dos destaques da edição desta quinta-feira, 25, de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/) é a matéria sob o título "TCU vai auditar gastos do casal presidencial", assinada por Regina Alvarez e abaixo reproduzida integralmente:

BRASÍLIA. - O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou ontem uma auditoria na Casa Civil e na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para identificar possíveis irregularidades no uso do cartão de crédito corporativo. O aumento expressivo desses gastos no governo Lula e os saques em dinheiro em valores elevados, feitos inclusive por funcionários da Presidência encarregados de pagar as contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama, Marisa Letícia, chamaram a atenção do TCU e do Congresso.
“Somente de janeiro a junho deste ano, o gabinete da Presidência efetuou gastos de R$ 4 milhões no cartão corporativo, sendo a maior parte feita pela Casa Civil e pela Abin.

“Casa Civil não enviou dados pedidos pelo Congresso

“O governo e o Congresso vinham travando uma batalha pelo sigilo desses dados. A Casa Civil se recusou a enviar informações pedidas pelo Congresso, alegando questões de segurança. Ontem, três dias depois que a revista “IstoÉ Dinheiro” divulgou saques de R$ 9 milhões em dinheiro vivo nos cartões corporativos somente no período entre 2003 e 2004, o TCU considerou que falta transparência na comprovação dessas despesas e aprovou a auditoria, que poderá ser estendida a outros órgãos do governo.

“O TCU quer que o governo identifique e comprove as despesas, especialmente os saques em dinheiro, que, em alguns casos chegam a 50% do total de gastos.
“O cartão corporativo começou a ser usado em 2001, para o pagamento de pequenas despesas. Segundo informações do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) enviadas ao TCU, 68 órgãos do governo utilizaram o cartão corporativo no primeiro semestre do ano. Os gastos acima de R$ 100 mil foram em apenas 11 órgãos, dos quais se destacam aqueles ligados à Presidência. A Casa Civil registrou gastos de R$ 2,5 milhões no mesmo período. Já a Abin efetuou despesas de R$ 1,4 milhão.

“Decreto de janeiro ampliou uso do cartão corporativo

“Em janeiro, o governo editou um decreto ampliando o uso do cartão de crédito corporativo para a compra de passagens aéreas e outras despesas de viagens. O argumento usado foi a transparência, mas nem todos os ministérios seguiram a orientação e a Presidência continua em destaque entre os órgãos que utilizam o cartão.
“O TCU já tinha realizado uma fiscalização para avaliar a sistemática de uso dos cartões corporativos, mas a auditoria aprovada ontem vai além, pois os órgãos selecionados terão que comprovar as despesas feitas no cartão.
“A auditoria baseou-se em parecer do ministro relator Ubiratan Aguiar, a partir de pedido do Congresso.”

A matéria sobre os gastos do casal presidencial é complementada por sub-retrancas, dentre as quais uma, intitulada "Dinheiro vivo com cartões" e abaixo reproduzida:

“De acordo com reportagem da revista ‘IstoÉ Dinheiro’, funcionários do Palácio do Planalto usaram os cartões de crédito corporativo da Presidência para sacar R$ 9 milhões em dinheiro vivo. Só de janeiro a agosto de 2004 foram sacados R$ 2,2 milhões em espécie de um total de R$ 3,2 milhões em faturas. Em 2005, os saques chegaram a R$ 6,8 milhões, dos R$ 10,2 milhões em faturas, até o dia 18 de agosto. Este ano R$ 3,4 milhões foram usados para pagar despesas diretamente com os cartões.

“Só para o gabinete do presidente foram gastos R$ 5.670.849,53 com os cartões, que são usados também para pagar despesas da Granja do Torto e dos gabinetes dos ministros que trabalham diretamente com o presidente. Os dados, do Sistema de Acompanhamento Financeiro da Administração Federal, estavam sendo analisados pelo Tribunal de Contas da União a pedido do procurador Marinus De Vries Marsico. Desde a posse de Lula, as faturas com cartões sem prestações de contas ao TCU somaram R$ 18,7 milhões.”

Deu no jornal

Da coluna "Painel", da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito aos assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), edição desta quinta-feira, 25:

“Massa grossa

“Com a participação de cabeças da Câmara e do Senado, cresce o movimento para esvaziar a CPI dos Correios, encaminhando a maioria dos documentos à do Mensalão. Tudo no esforço para reduzir o número de parlamentares cassados a perto de zero.

“Rodelas de tomate

“O QG do Senado cuida da transferência lenta e gradual de tudo o que se refere a deputados da CPI dos Correios para a do Mensalão, mais conhecida como ‘CPI do Acordão’.

“Fatias de queijo

“O próximo passo será aprovar o requerimento 823, de autoria da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que remete os papéis à CPI do Mensalão. Nelson Meurer (PP-PR), soldado de José Janene na comissão dos Correios, já pediu prioridade ao texto”

“Pitadas de orégano

“Na mesa do presidente da CPI do Mensalão, Amir Lando (PMDB-RO), repousa outro pedido: nomear o assessor Carlos Lessa, braço-direito de José Mentor (PT-SP) na elaboração da pizza da CPI do Banestado, para a coordenadoria técnica.

“Umbigo no balcão

“José Janene (PP-PR) é o gerente informal da pizzaria na Câmara. Ao mesmo tempo que distribui ameaças a parlamentares de seu partido e do PT, tenta negociar uma absolvição em massa no Conselho de Ética.

“Tô fora

“Os pizzaiolos do "mensalão" seguem enviando mensagens ao deputado Roberto Jefferson. Até agora, o presidente licenciado do PTB recusou todas as ofertas de acordo, algumas delas apresentadas por emissários do primeiro time do Congresso.

“Marcação cerrada

“Na tentativa de evitar que Rogério Buratti volte atrás em seu depoimento de hoje, a CPI dos Bingos avisou aos promotores de Ribeirão Preto que eles poderão depor hoje mesmo.

“Custo adicional

“A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovou requerimento de Pauderney Avelino (PFL-AM) pedindo que a auditoria do TCU nos gastos de cartões da Presidência mostre quanto foi pago de juros com os vultosos saques em dinheiro.”

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta quinta-feira, 24.

“O Liberal” (PA) – Senado eleva para 75 anos aposentadoria de servidor. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Jefferson a caminho da cassação. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Buratti falava com assessores de Palocci ao celular e na Fazenda. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – CPI quebra sigilo de fundos de pensão. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – CPI quebra o sigilo de três fundos de pensão. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Começa a abertura da caixa-preta. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Tio levava filho de Romário à Rocinha e ia a bocas-de-fumo. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – O risco Buratti. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Quebra de sigilo derruba versão dada por Palocci. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

GETÚLIO 1/Da crise para a História

“Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”
O que ele próprio previu no arremate da sua carta-testamento, que é o mais célebre texto atribuído a um presidente do Brasil, acabou por ocorrer e tornou Getúlio Vargas um personagem definitivamente incorporado à História. Mesmo passados 51 anos de seu suicídio, ocorrido às 8 horas da manhã de 24 de agosto de 1954, com um tiro no coração, na esteira de uma das mais dramáticas crises político-militar do País, Getúlio Vargas perdura como uma referência obrigatória, para o bem ou para o mal, sempre que se trata de algumas das mais vitais transformações pelas quais passou o Brasil. O suicídio, pela comoção que provocou, acabou por fazer sobrepor, para as massas, a figura do presidente eleito, que governou de 1951 a 1954, ao ditador que também foi Getúlio, ao comandar com mãos de ferro, e alta dose de intolerância e truculência, o Estado Novo, de 1930 a 1945.
A carta-testamento, com o valor que também tem como peça literária, reforçou a comoção causada pelo suicídio de Getúlio, revertendo completamente o clima que precedeu o desfecho da tragédia. Nos 15 dias anteriores ao seu suicídio, ele foi impiedosamente criticado pela imprensa. A população, forças políticas e as Forças Armadas exigiam sua renúncia. O que certamente explica a passagem do documento na qual Getúlio denuncia o linchamento político do qual era vítima. “Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa”, desabafa, na sua despedida.
Comoção - A comoção provocada pelo suicídio levou às ruas do Rio, então capital do Brasil, a massa fiel a Getúlio, que extravasou seu ódio contra aqueles que conspiraram contra seu líder. Naquele 24 de agosto, multidões exasperadas atacaram praticamente todos os jornais, bloqueando sua circulação, com exceção do “Última Hora”, identificado com o getulismo, conforme relato deixado para a posteridade por Samuel Wainer, proprietário do jornal e um dos mais brilhantes jornalistas da sua geração.
Wainer acrescenta, em seu testemunho sobre aquele trágico 24 de agosto de 1954, que depois de uma parada diante do “Última Hora”, em uma espécie de endosso à linha editorial do jornal, a manifestação prosseguiu, com a massa quebrando os símbolos do antigetulismo e procurando Carlos Lacerda, que teve de esconder-se e, mais tarde, refugiar-se por algum tempo no exterior. “O único (jornal) a circular foi o ‘Última Hora’, que vendeu quase 800 mil exemplares”, recordou em suas memórias Wainer. “A oficina não parou de trabalhar. Foram 20 horas rodando sucessivas edições. O povo sequer esperava que os exemplares chegassem às bancas – arrancava-os dos caminhões distribuidores, ávidos por notícias sobre a tragédia”, relembrou.
Campanha - Antes da tragédia de 24 de agosto de 1954, aumentara a campanha contra Getúlio. Sobretudo depois que Gregório Fortunato, seu guarda-costas e espécie de secretário particular, tramou um atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, o mais impiedoso adversário civil de Getúlio. No atentado da rua Toneleros contra Lacerda, o major da Aeronáutica Rubens Vaz perdeu a vida. O episódio potencializou a razia política contra Getúlio, fazendo repercutir ainda mais intensamente as denúncias sobre um “mar de lama” no Palácio do Catete, envolvendo assessores e até irmãos do presidente.
Já na madrugada de 24 de agosto de 1954, o marechal Mascarenhas de Morais e o general Zenóbio Costa levaram ao presidente um ultimato, que vem a ser a declaração final e irrevogável para satisfação de certas exigências. O ultimato era claro: ou Getúlio aceitava uma licença oficial de 90 dias - mas que de fato seria definitiva, conforme exigência adicional das Forças Armadas -, ou seria deposto.
Irredutível - Getúlio, que se recusava a admitir a deposição, já tivera sua posição antecipada pelo jornal “Última Hora”. “Só morto sairei do Catete”, proclamara, irredutível, em uma declaração que serviu de manchete à edição de 24 de agosto de 1954 do “Última Hora”, jornal identificado com o getulismo e que revolucionou a imprensa brasileira, inclusive elevando o padrão salarial dos jornalistas, o que também atraiu o ódio dos barões da comunicação de então. Para a edição extra, sobre o suicídio de Getúlio, Samuel Wainer optou por repetir a manchete da edição do dia 24, “Só morto sairei do Catete”, acrescentando acima dela o antetítulo: “Ele cumpriu a promessa”.
Longe de um blefe, como se viu, tratava-se de uma decisão inarredável. Getúlio cumpriu o que prometera ao dar um tiro no coração, em seu quarto no Palácio do Catete, no Rio, na época a capital do Brasil. O gesto desesperado e dramático embutiu uma dignidade pessoal comovente, que deixou aparvalhados todos aqueles que até a véspera combatiam Getúlio.

SAIBA MAIS. LEIA:

* “De raposas e reformistas – PSD e a experiência democrática brasileira (1945-64)”, livro de Lucia Hippolito, editora Paz e Terra, R$ 50,50, livraria Ponto & Vírgula.

* “A UDN e o udenismo – Ambigüidades do liberalismo brasileiro (1945-1965)”, livro de Maria Victoria de Mesquita Benevides, editora Paz e Terra, R$ 43,50, livraria Ponto & Vírgula.

* “O governo Kubitschek – Desenvolvimento econômico e estabilidade política (1956-1961)”, livro de Maria Victoria de Mesquita Benevides, editora Paz e Terra, R$ 42,50, livraria Ponto & Vírgula.

* “Samuel Wainer – Minha Razão de Viver – Autobiografia”, organização e edição de textos do jornalista Augusto Nunes, editora Planeta, R$ 39,90, livraria Ponto & Vírgula.

* “A Era Vargas” e “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro”, links do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, aos quais se acessa através do menu “Arquivos Históricos” do Portal FGV (
www.fgv.br). A Fundação GetúlioVargas é uma instituição brasileira sem fins lucrativos, fundada em 1944, que se dedica ao ensino e à pesquisa em ciências sociais.

GETÚLIO 2/Crise com desfecho trágico

Ao suicidar-se, aos 71 anos, Getúlio Vargas pôs um ponto final em seu terceiro e último período de governo e na crise político-militar que fustigava o Palácio do Catete. De acordo com o relato dos jornais da época, depois de várias horas de sucessivas discussões com ministros, militares e com a própria família, o presidente subiu aos seus aposentos. Naquela altura o palácio estava praticamente vazio.
A frase que abre a carta-testamento, por ele deixada para a posteridade, é devastadora para quem lhe fez oposição. “Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte.” E acrescenta, em comovente reverência às massas getulistas: “Dei-vos a minha vida. Agora ofereço a minha morte.”
Crise agravada - A crise política que virtualmente caracterizou todo o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954) ganhou uma nova dimensão e foi agravada a partir do atentado da rua Toneleros. Ocorrido em 5 de agosto de 1954, nesse episódio foi assassinado o major-aviador Rubens Vaz e levemente ferido o jornalista Carlos Lacerda, que ganhara notoriedade pelo combate sistemático e virulento a Getúlio nas páginas da “Tribuna da Imprensa”. A inflamada pregação golpista de Carlos Lacerda, que ecoava o discurso da União Democrática Nacional (UDN), acabaria por contaminar as Forças Armadas, a partir do atentado da rua Toneleros.
As investigações revelaram a participação no atentado de integrantes da guarda pessoal do presidente. No Congresso, a bancada da UDN exigia insistentemente a destituição de Getúlio. A grande maioria da oficialidade da Aeronáutica e da Marinha, e uma parcela significativa do Exército, compartilhavam do golpismo udenista. Na imprensa emergiam sucessivas denúncias de corrupção e irregularidades administrativas incriminando familiares e personagens ligados ao presidente.
Imposição militar – No dia 22 de agosto de 1954 os brigadeiros da Aeronáutica enviaram um documento a Getúlio exigindo sua renúncia. No dia seguinte, a alta oficialidade da Marinha endossou a exigência dos seus colegas de Força Aérea.
A situação agravou-se ainda mais na noite do dia 23, quando o ministro da Guerra, Euclides Zenóbio da Costa, informou o presidente sobre a existência de um manifesto em apoio à reivindicação dos brigadeiros, assinado por vários generais do Exército, dentre os quais Álvaro Fiúza de Castro, Canrobert Pereira da Costa, Juarez Távora, Humberto Castelo Branco, Peri Bevilacqua e Henrique Lott.
Reunião na madrugada - Refratário à imposição militar, Getúlio se recusava a renunciar. Mas decidiu discutir imediatamente a questão com o ministério. A reunião ministerial teve início às 3 horas da madrugada do dia 24. Conforme os depoimentos legados para a História, o presidente indagou de cada ministro o que, na sua opinião, deveria ser feito. O ministro da Guerra, Euclides Zenóbio da Costa, declarou que a situação se agravava e que uma ampla maioria dos oficiais que comandavam tropas provavelmente não obedeceria às ordens para reprimir a Força Aérea e a Marinha. O ministro da Guerra acrescentou ainda que, se recebesse instrução neste sentido, ele daria essas ordens, mas muito sangue correria e o resultado seria incerto.
Na reunião ministerial realizada em plena madrugada, o ministro Renato Guillobel, da Marinha, observou que esta já se posicionara solidária a Aeronáutica. O ministro da Aeronáutica, Epaminondas Gomes dos Santos, salientou que nada havia a ser feito capaz de reverter a postura da sua corporação.
Palavra final – O governador do Rio, Ernani do Amaral Peixoto, que era também genro de Getúlio, apresentou a proposta de licenciamento do presidente. Tancredo Neves, o ministro da Justiça, fez uma contraproposta, defendendo que o povo deveria ser consultado através do parlamento. Na falta de um resultado concreto, Getúlio tomou a palavra e declarou: “Já que o ministério não chega a nenhuma conclusão, eu vou decidir. Determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se conseguirem, eu apresentarei o meu pedido de licença. No caso contrário, os revoltosos encontrarão aqui dentro do palácio o meu cadáver.” Dito isso, o presidente retirou-se da sala.
Os ministros e demais participantes da reunião avaliaram que seria conveniente redigir um comunicado anunciado ao povo a decisão adotada. Tancredo Neves redigiu a nota, que foi levada por Osvaldo Aranha a Getúlio, para obter a aprovação deste. Às 4h45 o País era informado da resolução do presidente: “Deliberou o presidente Vargas, com a integral solidariedade dos seus ministros, entrar em licença, passando o governo a seu substituto legal, desde que seja mantida a ordem, respeitados os poderes constituídos e honrados os compromissos solenemente assumidos perante a Nação pelos oficiais generais das nossas forças armadas. Em caso contrário, persistiria inabalável no seu propósito de defender suas prerrogativas constitucionais com o sacrifício, se necessário, de sua própria vida.”
O último ato –Ao término da reunião, o ministro da Guerra, Euclides Zenóbio da Costa, dirigiu-se ao Ministério da Guerra, onde encontrou-se com os generais que faziam oposição a Getúlio e pelos quais foi convencido de que o afastamento do presidente teria de ser definitivo. As primeiras notícias de que os generais haviam decidido por um ultimato final a Getúlio – agora apoiado pelo próprio ministro da Guerra - chegaram ao Palácio do Catete às 7 horas da manhã de 24 de agosto.
Coube a Benjamin Vargas comunicar ao irmão a decisão dos militares, que significava na prática a deposição do presidente. Minutos depois Getúlio suicidou-se com um tiro no coração.

GETÚLIO 3/A carta-testamento

Na carta-testamento, divulgada logo após seu suicídio, ocorrido por volta das 8 horas da manhã de 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas denunciava que uma campanha subterrânea de grupos internacionais aliara-se a grupos nacionais, procurando criar obstáculos ao regime de proteção de trabalho, às limitações dos lucros excessivos e às propostas de criação da Petrobrás e da Eletrobrás.
Em seguida, a íntegra do famoso documento deixado por Getúlio Vargas, que reforçou a comoção causada pelo seu suicídio:

''Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa.
“Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
“Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
“Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
“Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.
“E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte.
“Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.''

“Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas”

GETÚLIO 4/Controvérsia sobre a carta

O mais célebre texto atribuído a um presidente do Brasil, a carta-testamento de Getúlio Vargas, já foi reconhecida como “um primor de texto certo na hora certa”, conforme a definição do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, da “Veja”, em um ensaio publicado na edição no 1843 da revista, de 3 de março de 2004 (www.veja.com.br). Para Roberto Pompeu de Toledo, o texto tem ressonâncias shakespearianas e revela, de forma indiscutível, a dimensão do gênio político de Getúlio, ao potencializar os efeitos do seu suicídio.
A carta-testamento, conforme relatam documentos do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, foi encontrada por Ernani do Amaral Peixoto, governador do Estado do Rio de Janeiro e genro de Getúlio, em cima de uma mesinha de cabeceira do quarto presidencial. O documento foi lido em voz alta por Osvaldo Aranha, ministro da Fazenda, para um grupo de pessoas que se encontrava no Palácio do Catete e em seguida transmitido por telefone para a Rádio Nacional. Antes das 9 horas da manhã daquele trágico 24 de agosto a mensagem começou a ser irradiada para todo o País.
Controvérsia - Qualidades literárias à parte, uma controvérsia cerca a autoria da carta-testamento. Viceja a versão de que o autor da mesma seria, em verdade, o jornalista José Soares Maciel Filho, que teria cumprido assim seu papel de ghost-writer, que vem a ser o redator-fantasma, aquele que escreve discursos e outros textos para outro. Ou seja, o redator de aluguel que produz um texto para outro assinar.
O jornalista Roberto Pompeu de Toledo, da “Veja”, descreve Maciel como”figura destaca na corte getulista”, que inclusive ocupou as superintendências do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDE), antecessor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), que deu origem ao Banco Central (BC). “Sua glória, porém, advém do ofício de ghost-writer. Ele é lembrado até hoje, e continuará sendo lembrado por muito tempo, como o autor da carta-testamento”, salienta Roberto Pompeu de Toledo, para acrescentar: “Com esse texto, que fez sob encomenda, e deu para outro assinar, saiu da obscuridade para entrar na História.”
Testemunhos - O “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro”, do CPDOC, salienta que os depoimentos de Alzira Vargas do Amaral Peixoto, Osvaldo Aranha, José Américo de Almeida e João Batista Luzardo, dentre outros personagens intimamente ligados a Getúloio Vargas e que com ele viveram a crise de agosto de 1954, são as únicas fontes de informação sobre a carta-testamento. “Apesar de existirem alguns pontos discordantes nesses depoimentos, todos são unânimes em atribuir a Getúlio a autoria da carta”, assinala um dos trechos do texto sobre o documento.
“Outro dado fora de discussão é a participação – maior ou menor – na elaboração do documento do jornalista José Soares Maciel Filho, o redator favorito dos discursos de Getúlio”, acrescenta o texto. Na versão oferecida por Alzira Vargas do Amaral Peixoto, Maciel teria se limitado a inserir as cifras que o ilustram e a datilografá-lo. Já Miguel Teixeira afirmou que Osvaldo Aranha tivera um encontro com Maciel, no qual o jornalista confidenciara que Vargas o havia encarregado da redação final do documento, dando-lhe um pedaço de papel no qual estaria contida a idéia do manifesto e as frases finais. De acordo com Teixeira, o restante teria sido de responsabilidade exclusiva de Maciel.
Bilhete - Em torno da autoria da carta-testamento de Getúlio há ainda um episódio, que envolve um bilhete encontrado na mesa do gabinete presidencial e entregue a Alzira Vargas do Amaral Peixoto, filha predileta e fiel escudeira do presidente, na noite de 19 de agosto de 1954. O bilhete, escrito a lápis e com a letra de Getúlio, dizia: “A sanha dos meus inimigos deixo o legado da minha morte. Levo o pesar de não ter feito pelos humildes tudo o que desejava.” Seu conteúdo acabou aproveitado na carta-testamento, portanto.
No dia seguinte, 19 de agosto, Alzira interpelou o pai sobre o significado daquelas palavras, conforme seu próprio relato. De acordo com Alzira, ao ser questionado, Getúlio assegurou-lhe que não pretendia suicidar-se.
Cópias da carta – A carta-testamento teve mais três cópias conhecidas, além do exemplar encontrado no leito de morte de Getúlio. Alzira Vargas do Amaral Peixoto achou, entre os papéis retirados do cofre do pai, uma cópia assinada da carta, com erros de datilografia e correções, e uma cópia em carbono, sem assinatura. Encontrou também algumas anotações a lápis, com a letra de Getúlio, que constituíam a minuta do documento.
Haveria ainda um último exemplar da carta-testamento, que teria sido entregue por Getúlio a João Goulart, pouco antes da reunião ministerial da madrugada do dia 24 de agosto de 1954. Goulart, que viajaria naquele mesmo dia para o Rio Grande do Sul e em seguida para a Buenos Aires, teria guardado a carta sem lê-la. Segundo Alzira Vargas do Amaral Peixoto, Goulart divulgaria a carta na Argentina, caso a crise tivesse como desfecho um golpe militar.
Suspeita orquestrada – Imediatamente após a sua divulgação e conseqüente repercussão, surgiu a versão de que a carta-testamento seria apócrifa. A imprensa antigetulista, amplamente majoritária, e a UDN trataram de orquestrar a suspeita, fazendo circular a versão de que o documento teria sido feito por aqueles interessados em explorar a morte de Getúlio com fins eleitorais.
Na versão estimulada pelas forças antigetulistas, a carta apócrifa serviria para impedir a continuação das investigações contra Getúlio, iniciadas com o atentado da rua Toneleros. Isso protegeria, na referida versão, getulistas envolvidos em falcatruas.

GETÚLIO 5/As repercussões do suicídio

O impacto da notícia do suicídio de Getúlio, potencializado pela carta-testamento, mobilizou as massas nas grandes cidades. O cortejo que acompanhou o corpo de Getúlio Vargas do Palácio do Catete para o Aeroporto Santos Dumond – de onde foi transladado para São Borja, no Rio Grande do Sul – reuniu a maior multidão da História do Rio.
A morte de Getúlio provocou sucessivas manifestações populares, com comícios denunciando o envolvimento norte-americano na morte de Getúlio e responsabilizando a UDN e a oposição. Armados de paus, centenas de populares percorriam as ruas, rasgando cartazes de propaganda eleitoral de candidatos antigetulistas.
A ira popular - No Rio, as sedes dos jornais “O Globo” e “Tribuna da Imprensa”, assim como a sede da Rádio Globo, foram atacadas por populares. Dois caminhões de entrega de “O Globo” foram incendiados. O ataque à embaixada dos Estados Unidos e ao prédio da Standart Oil foi rechaçado a bala. Os edifício da Light & Power e da Companhia Telefônica também foram atacados.
Em São Paulo, milhares de operários entraram entraram em greve de protesto e promoveram manifestações no centro da cidade. Cerca de 20 mil manifestantes tentaram depredar o edifício que abrigava os jornais dos Diários Associados, sendo contidos pela polícia. Em Porto Alegre, populares queimaram as sedes de jornais antigetulistas, “O Estado do Rio Grande do Sul” e o “Diário de Notícias”, assim como da Rádio Farroupilha, depredando ainda um banco e o consulado dos EUA.
Oposição perplexa - No plano político, as conseqüências do suicídio e da carta-testamento foram devastadoras. Tornada governo, com a posse de Café Filho na presidência da República, sob garantia das Forças Armadas, a oposição foi obrigada a recuar, diante da reação popular. “Na realidade, o trauma provocado pela morte do seu principal inimigo – mais do que inimigo, a ‘razão de ser’ de um partido fundado pelos que se lhe opunham – causou nos udenistas um sentimento ambíguo de depressão e euforia, fatais para uma ação política eficiente, no sentido de gerir os frutos da vitória”, assinala Maria Victoria de Mesquita Benevides em “A UDN e o udenismo – Ambigüidades do liberalismo brasileiro (1945-1965)”, livro que surgiu de uma tese de doutorado defendida na Universidade de São Paulo (USP).
“A sensação de desnorteamento, senão apatia, tornou-se evidente na campanha para as eleições legislativas de outubro de 1954, quando os líderes nacionais udenistas passaram a temer um certo tipo de reação popular, pela presença da ‘culpa’ lançada pelos getulistas”, salienta Maria Victoria de Mesquita Benevides. “A exploração da ‘carta-testamento’ conferia novo vigor ao getulismo (a aliança PSD-PTB seria a grande vitoriosa, um ano mais tarde) e do contraste com tal força carismática, surgia pálida a oposição udenista, traumatizada e perplexa.”
O espólio getulista – O conteúdo nacionalista da carta-testamento foi imediatamente incorporado ao programa do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em nota oficial, divulgada a 25 de agosto, a Comissão Executiva Nacional e a bancada federal do partido endossaram os “princípios consubstanciados na última carta do presidente Getúlio Vargas, que são: a) combate aos abusos do poder econômico; b) defesa do regime de liberdade social; c) luta pela libertação econômica do povo brasileiro”.
O Partido Social Democrático (PSD) colhe os frutos da sua estratégia de manter um certo distanciamento crítico, a famosa “omissão preventiva”, de um governo do qual fazia parte, mas pelo qual não se sentia prestigiado, porquanto cortejava a UDN ("Desde o momento em que teve de partilhar parte do governo com a UDN, o PSD já se sentiu lesado", declara Tancredo Neves, em depoimento para a História, citado por Lucia Hippolito). A própria postura de Getúlio estimulava a eventual omissão do PSD. Getúlio “jogava na prática com um comportamento apartidário e de deslegitimização das organizações políticas, advindo exatamente de see descrédito nas instituições”, observa Lucia Hippolito no livro “De raposas e reformistas – O PSD e a experiência democrática brasileira (1945-64)”. Isso permitiu ao partido preservar seu papel de grande negociador político, justificando o chiste cunhado por Maria Victoria de Mesquita Benevides, ao descrever a correlação de forças entre as principais legendas de então: “A UDN esperneia, o PTB cresce, mas é o PSD que dá o tom.”
O suicídio de Vargas e a sua carta-testamento marcam profundamente o próprio Partido Comunista Brasileiro (PCB). Até então, os comunistas faziam críticas ácidas ao governo de Getúlio, acusado de se submeter aos interesses dos Estados Unidos e de recorrer à violência e ao terror contra o povo brasileiro. Na edição de 25 de agosto o jornal comunista “Imprensa Popular” acusou o imperialismo norte-americano de ser o responsável pela morte de Getúlio e o governo Café Filho de ser formado por “agentes furiosos dos monopólios de Wall Street”.

Lançamentos da Paka-Tatu

Editora paraense, que prima tanto pela forma como pelo conteúdo, a Paka-Tatu – que surgiu da coragem de jovens intelectuais comprometidos em transformar sonhos em realidade - já tem agendados dois lançamentos para a Feira Pan-Amazônica de Livros: “Poesia nua e crua” e “Histórias brasileiras e portuguesas para crianças”.
“Poesia nua e crua”, de Rufino Almeida, tem seu lançamento programado para 23 de setembro, a partir das 17 horas, no estande da Paka-Tatu.
“Histórias brasileiras e portuguesas para crianças”, de Walcyr Monteiro e Fernando Vale, este um autor português, terá ilustrações de João Bento e seu lançamento, previsto para 25 de setembro, será feito em dois momentos – das 10 às 12 horas e das 17 às 22 horas, no estande da editora.

CPI da Biopirataria

Nota de abertura da coluna "Repórter Diário", do "Diário do Pará", edição desta quarta-feira, 24 (www.diariodopara.com.br):
“Convidado a depor na CPI da Biopirataria, em julho, o jornalista Leonardo Coutinho, da revista ‘Veja’, não compareceu. Desta vez, foi convocado. Coutinho é autor de reportagem segundo a qual existiria um esquema de corrupção ambiental no Pará, no qual aparecem como intermediários o deputado federal Zé Geraldo e o deputado estadual Airton Faleiro, do PT. Ambos são acusados de negociar a liberação de cargas ilegais de madeira em troca de contribuições para candidatos petistas. O depoimento de Coutinho está marcado para amanhã, às 10h.”

O custo das mordomias

Da coluna "Painel". da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), edição desta quarta-feira, 24:

"Tempo real

"O TCU aprovará hoje o pedido de quebra de sigilo dos cartões de crédito corporativos da Presidência. Tão logo a 'IstoÉ Dinheiro' divulgou extratos de saques em dinheiro feitos com os cartões, os sub-relatores da CPI dos Correios foram ao presidente do tribunal, Adilson Motta.

"Janela de oportunidade

"Os membros da CPI trataram da força-tarefa de 120 auditores do TCU designados para ajudar nas investigações. Aproveitaram para pedir que lhes sejam enviados os dados referentes aos cartões de crédito corporativos.

"Vai longe

"Do líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), sobre os R$ 6,8 mi sacados com cartões corporativos do governo: 'Daqui a pouco essa lista vai superar a dos contemplados com dinheiro das contas de Marcos Valério'."

PT X PT

Assinada pelos jornalistas Ilimar Franco, Gerson Camarotti e Cristiane Jungblut, sob o título "Governo em crise, PT em guerra", matéria publicada na edição desta quarta-feira, 24, de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/), comenta os bastidores da luta interna no PT.
Abaixo, a matéria, na íntegra:
“A recusa do ex-ministro José Dirceu (PT-SP) a deixar a disputa pelo comando do PT levou o presidente do partido, Tarso Genro, a desistir de encabeçar a chapa do Campo Majoritário para as eleições de 18 de setembro. Tarso deve anunciar sua decisão hoje, e ontem à noite avisou a petistas que já estava fora da disputa. O impasse na corrente que comanda o PT obrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedir ao ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, que tentasse uma solução negociada.
“Wagner reuniu-se de manhã com Dirceu e, no fim da tarde, com Tarso. O secretário-geral do partido, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), está cotado para assumir a candidatura dos moderados.
“— Não tem conversa. Não serei uma rainha da Inglaterra. Olha o que aconteceu com Genoino. O partido precisa de uma ruptura e de pensar numa recuperação a médio e longo prazos — disse Tarso a petistas.
“À vontade nessa conversa, Tarso afirmou que o partido cometia um erro ao tentar proteger o antigo núcleo dirigente. Disse que o PT não pode contemporizar com a "bancada do Rural" e riu quando foi informado de que Dirceu o havia atacado por suas críticas à política econômica. Tarso vai se reunir hoje com dirigentes do PSB e do PCdoB.
“— Para mim está tudo bem. Posso disputar a presidência ou ir para Itu — afirmou Tarso, numa referência à fazenda onde o ex-presidente Getúlio Vargas viveu após o fim do Estado Novo até ser eleito em 1950.
“À noite, Dirceu teve uma conversa com o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, e foi direto: disse que não aceita o constrangimento imposto por Tarso e que não sairia da chapa. Dirceu disse que quem iria sair era Tarso:
“— É a humilhação! — desabafou.
“Ontem à noite, depois de um apelo dos prefeitos do PT, Tarso, segundo Marcelo Déda, abriu a possibilidade de aguardar um pouco mais para ver se Dirceu recua.

Alternativa seria um terceiro nome

“À noite, o Planalto tentava nova solução: tanto Dirceu como Tarso sairiam da disputa, abrindo caminho para uma opção de consenso, Berzoini ou Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência. O ex-chefe da Casa Civil disse a aliados que a estratégia de Tarso e de Lula era tirá-lo da chapa e, em seguida, do PT. Argumentou que sair da chapa enfraqueceria sua posição na Câmara no momento em que ele se prepara para enfrentar um processo por quebra de decoro parlamentar que pode levar à perda de seu mandato.
“Ontem, Dirceu fez chegar aos ouvidos de Lula que não admitia ser tratado daquela forma e que exigia respeito. Num desabafo, reagiu com veemência ao ultimato de Tarso e disse que, "pela porta dos fundos", não deixaria a chapa e muito menos o PT.
“Lula está trabalhando pela saída de Dirceu. Acredita que o ex-chefe da Casa Civil é um problema para o partido e que agrava mais a crise no PT. Mas para o presidente tudo o que não pode ocorrer neste momento é a implosão do partido. Wagner admitiu que a disputa no PT pode causar problemas no Congresso:
“— Se a gente quer recuperar a relação no Congresso, é evidente que o PT, como maior partido da base, precisa estar em sintonia. Qualquer tensão rebate aqui também. A orientação do presidente é esta.
“No Planalto, as declarações de Tarso foram recebidas com perplexidade. Um auxiliar de Lula avaliou que ele teria jogado a toalha e estaria encontrando uma justificativa para sair do processo eleitoral.
“— Desta forma, ele está querendo encontrar uma justificativa para sair da disputa. Ele não fala mais como dirigente partidário — observou um ministro petista.”

Negociação comprometedora

"Sereno e Valério negociavam eleições no próprio Planalto" é o título de matéria publicada na edição desta quarta-feira, 24, da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), sobre o depoimento à CPI dos Bingos de Marcelo Sereno, ex-assessor do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Em seguida, a íntegra da matéria, assinada pelos jornalistas Hudson Correa e Luiz Francisco, da Agência Folha, em Brasília:
“Marcelo Sereno, ex-assessor do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, disse ontem em depoimento à CPI dos Bingos que se reuniu com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no Palácio do Planalto para tratar de campanhas eleitorais.
“Os encontros, segundo Sereno, ocorreram ‘no fim de 2003 e início de 2004’, quando ele era chefe da assessoria especial do ministro: ‘Duas ou três vezes, ele [Valério] foi me procurar no Palácio do Planalto e eu conversei sobre campanha eleitoral [do Rio de Janeiro]. Ele queria que a empresa de marketing dele ganhasse mais fácil [contas de campanhas]’
“’O sr. tratava de campanha no Palácio do Planalto, na hora de trabalho, onde era pago com dinheiro público?’”, questionou o senador Leonel Pavan (PSDB-SC). Sereno respondeu: ‘Eu me arrependo e isso foi uma das razões de eu ter deixado o cargo’.
“Ainda segundo ele, a partir da negociação no Planalto, Valério conseguiu ser contratado para a campanha do candidato a prefeito de Petrópolis (RJ) pelo PT, Paulo Mustrangi, que foi derrotado.
“Não ficou claro se Dirceu sabia que Sereno, um de seus principais assessores, discutia em horário de serviço interesses do PT nas campanhas eleitorais. No fim do depoimento a reportagem procurou Sereno, mas ele se negou a falar: ‘Falei tudo no depoimento’.
“Marcos Valério é acusado de ser operador do ‘mensalão’ e admite que fez empréstimos de cerca de R$ 55 milhões para alimentar o caixa dois de campanhas do PT, a pedido do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Valério diz que Dirceu sabia da operação. Dirceu nega.
“Na CPI, o ex-assessor de Dirceu afirmou que não discutiu empréstimos quando esteve na Casa Civil. Sereno foi secretário-executivo, em 2002, da então governadora do Rio Benedita da Silva (PT). Ele deixou o cargo para participar da equipe de transição de Lula. No início de 2003 assumiu a chefia de gabinete da Casa Civil e, depois, tornou-se assessor especial.
“Aos senadores, Sereno disse que seu trabalho na Casa Civil consistia em ‘encaminhar as indicações [para cargos públicos] de partidos aliados’ aos diretores de empresas públicas. Ele não deu nomes.
“Em maio de 2004, após o escândalo envolvendo Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, Sereno deixou o ministério. Ontem, à CPI, Sereno disse que deixou o cargo e assumiu a Secretaria de Comunicação do PT porque queria se ‘dedicar a campanhas eleitorais’ e que sua saída nada teve a ver com o caso Waldomiro.
“O presidente da CPI dos Bingos, Efraim Morais (PFL-PB), afirmou que Sereno não falou a verdade. Para o relator da CPI, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), ‘o depoente ficou o tempo todo dizendo que não sabia. Eu acho que ele sabia muito e veio aqui protegido por um habeas corpus’.
“Acusado de manipular o fundo de pensão Nucleos (dos empregados das estatais de energia nuclear) e de usar a entidade para fazer caixa para campanhas, além de interferir a favor de bancos no Refer (fundo dos ferroviários), Sereno negou tudo. Ele depôs com habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, com o qual não podia ser preso mesmo se não respondesse a todas as perguntas.
“Houve um bate-boca entre senadores e o advogado do depoente, Roberto Podval, que tentou falar no depoimento. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) perguntou a Sereno se ele sabia que Podval é advogado do empresário Sérgio Gomes da Silva, acusado de mandar matar o prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002, e também do grupo Schincariol, envolvido em suposto esquema de sonegação. Sereno confirmou e disse que vai pagar R$ 20 mil pelo serviço de Podval.”

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta quarta-feira, 24.

“O Liberal” (PA) – Denúncias de corrupção derrubam prestígio de Lula. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Crise derruba avaliação de Lula. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Dirceu fica e força Tarso a desistir de dirigir o PT. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Sub de Dirceu negociava com Valério no Planalto. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Escândalo derruba aprovação de Lula; ele está atrás já no 1º turno. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Economia opõe Lula ao PT. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Filho de Romário conversava com chefão da Rocinha. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – CPI aumenta o cerco a Palocci. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Caem aprovação, avaliação e confiança no governo Lula. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Terça-feira, Agosto 23, 2005

Cai aprovação do governo Lula

A aprovação ao governo Lula baixou para 45% em agosto, em relação aos 54% verificados em julho, e os 55% em junho. A informação consta de pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, no “Jornal Nacional”, da Rede Globo de Televisão e imediatamente reproduzida no "Globoonline". De acordo com a pesquisa, o grau de desaprovação subiu de 38%, em junho e julho, para 47%. Não souberam informar 8% dos entrevistados.
O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre os dias 18 e 22 de agosto, em 143 municípios. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa, divulgada nesta terça-feira, é a terceira depois da crise provocada pela divulgação das denúncias de corrupção.
Com relação à avaliação do governo, 29% dos pesquisados consideraram ótimo ou bom, contra os 36% de julho e os 35% de junho. A avaliação regular passou de 41% (junho) para 40% (julho), chegando agora a 38% dos consultados. Em junho, 22% consideravam o governo ruim ou péssimo, subindo para 24% em julho e 31% em agosto.
A confiança no presidente também apresentou declínio em agosto. Em junho, 56% confiavam em Lula, em julho, 53% e agora em agosto, 43%. Em junho, disseram não confiar no presidente 38%, em julho, 42% e nesta última pesquisa, 52%. Não souberam ou não informaram 6% dos pesquisados.
O Ibope perguntou ainda a quem os eleitores creditam a culpa pela crise do governo. Cada entrevistado tinha três opções como resposta. Para 29%, o PT é o maior responsável; 28% culpam os deputados federais; 22% o presidente Lula; 19% responsabilizam os partidos aliados - PL, PP e PTB. E 16% culpam o sistema político eleitoral pela crise.
O Ibope perguntou também se os entrevistados tomaram ou não conhecimento de alguma denúncia de corrupção nas últimas semanas. Em julho, o índice dos que tomaram conhecimento era de 72%. Agora é de 81%. Os que não haviam tomado conhecimento, não souberam ou não opinaram eram 28%. Agora são 19%.
A pesquisa, divulgada nesta terça-feira, é a terceira depois da crise provocada pela divulgação das denúncias de corrupção, e foi realizada entre os dias 18 e 22 de agosto, em 143 municípios de todos o país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Serra vence no 2º turno

Na pesquisa do Ibope, divulgada na noite desta terça-feira pelo "Jornal Nacional", foi apresentada uma simulação das eleições presidenciais. Num dos quadros apresentados aos eleitores, haveria um empate técnico no primeiro turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e José Serra, com vantagem de um ponto percentual para o prefeito de São Paulo (30% contra 29%). Anthony Garotinho ficaria em terceiro com 10%. Os outros candidatos teriam 7%. Votos brancos ou nulos somariam 18% e 6% dos entrevistados não souberam ou não opinaram.
Numa outra simulação, Lula ganharia com 32%, seguido por Garotinho (17%) e pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (11%). Os outros candidatos somariam 10%, enquanto seriam 22% de votos brancos ou nulos. Já 8% não souberam ou não opinaram.
Num possível segundo turno entre Lula e Serra, a vitória seria do prefeito de São Paulo (44% contra 35%). Brancos e nulos somariam 17%, enquanto 4% não souberam ou não opinaram.
Já contra Garotinho, o presidente Lula teria 40% dos votos, segundo a pesquisa Ibope, enquanto o adversário ficaria com 31%. Brancos e nulos atingiriam 23% e 5% não souberam ou não opinaram.
Na disputa com Alckmin, a vantagem de Lula seria de 42% contra 31%. Brancos e nulos somariam 21% e 6% não souberam ou não opinaram.
O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre os dias 18 e 22 de agosto, em 143 municípios. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Dia agitado

O gabinete militar da Assembléia Legislativa do Pará justificou, enfim, sua razão de ser, nesta última terça-feira, 23, quando a galeria popular do Palácio Cabanagem foi tomada por manifestas pró e contra Lauriwal Cunha, prefeito de Barcarena. O estopim das manifestações são as suspeitas de fraude nas eleições de 2004 em Barcarena.
Na esteira das suspeitas sobre a lisura do pleito em Barcarena, um comitê interpartidário cobra celeridade no processo de revisão do eleitorado daquele município e a anulação das eleições de 2004, caso fiquem comprovadas as suspeitas de fraude.
Temendo um iminente entrevero entre os dois grupos de manifestantes, o gabinete militar imediatamente reforçou o policiamento, inclusive restringindo o acesso à galeria popular, depois que esta lotou. O que deixou de fora do Palácio Cabanagem boa parte dos manifestantes.
O comitê interpartidário que defende a revisão do eleitorado de Barcarena é formado por PSDB, PT, PL, PSB, PPS, PC do B, PT do B e PHS.

Gafe

Visível e sinceramente empenhado em cultivar uma postura de magistrado, desde que tornou-se presidente da Assembléia Legislativa, mas indiscutivelmente sem maiores intimidades com o vernáculo, o deputado Mário Couto (PSDB) acabou protagonizando uma gafe monumental, na ocasião, ao apelar pela necessidade de decoro por parte dos manifestantes que lotaram a galeria popular, depois que estes vaiaram um dos oradores.
Após advertir que o regimento interno da AL proíbe manifestações do gênero, Couto disse confiar na formação da população de Barcarena, “pacífica e hostil”, segundo declarou.

Ato falho

Quem escapou, por pouco, de protagonizar outra gafe, por conta de um provável ato falho, foi o deputado Bira Barbosa (PSDB), cuja atual legenda, na qual se abrigou após abandonar o PMDB, endossa a reivindicação de revisão do eleitorado de Barcarena.
Não fosse a interferência do deputado Arnaldo Jordy (PPS), a quem coube adverti-lo de que o seu novo partido endossava a reivindicação de revisão do eleitorado de Barcarena, Bira iria se pronunciar solidarizando-se com o prefeito Lauriwal Cunha, que vem a ser irmão da deputada Ana Cunha (PMDB).

Mistério

Perdura o mistério sobre o que afinal faz na Assembléia Legislativa a jovem senhora Joana D’Arc, ex-mulher do ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues (PT) e celebrizada por ter sido agredida por um assessor do ex-marido, em um barraco ocorrido quando o petista ainda era inquilino do Palácio Antônio Lemos.
Dona Joana tem à sua disposição uma mesa – sem gavetas e desprovida de qualquer apetrecho que sugira trabalho -, em pleno plenário, o que colide com as disposições do regimento interno do Palácio Cabanagem.

Aspone

Exibindo um manequim algo roliço e modelitos de gosto duvidoso, para ser ameno, dona Joana aboleta-se diariamente na tal mesa, para nada fazer, além de contemplar o ambiente.
O que lhe falta em matéria de elegância e discrição, sobra em arrogância, segundo é voz corrente no Palácio Cabanagem. Com isso, tonificam-se as suspeitas de que se trata, em verdade, de mais um aspone, para recorrer à gíria hoje incorporada aos dicionários e que designa ocupante de cargo sem função real ou útil.

Origem

Aspone é a abreviatura de assessor para porra nenhuma. O neologismo foi cunhado por Ronald Russel Wallace de Chevalier, o folclórico e mordaz Roniquito, um intelectual brilhante e invariavelmente turbinado por alto teor etílico, que pontificou na efervescente Ipanema dos anos 60 e 70 do século passado, como conta o escritor Ruy Castro no livro “Ela é carioca”.
O livro, editado pela Companhia das Letras, revela como o famoso bairro do Rio de Janeiro foi o epicentro da revolução de costumes que se disseminou pelo resto do Brasil.

E por falar nisso...

Baranga, vale recordar, é sinônimo de mulher feia, deselegante, mal-ajeitada, ensinam os dicionários.
Trata-se de outra gíria que também acabou incorporada aos dicionários.

Trapalhada tucana

E continuam os desdobramento do imbróglio em que foram transformadas as obras de restauração da Cetedral da Sé, em Belém, em um episódio que tem como principal protagonista o secretário executivo de Cultura, Paulo Roberto Chaves Fernandes, acusado de cultivar uma postura autocrática.
Em torno do assunto, a coluna "Repórter Diário", do "Diário do Pará", edição desta terça-feira, 23 (www.diariodopara.com.br), publica a seguinte nota, sob o título "Sé": "Agora é o Crea-PA que quer conhecer o projeto de restauração da Catedral. Está encaminhando à Procuradoria Geral da República e ao Iphan solicitação de informações sobre as intervenções que serão realizadas naquele patrimônio histórico tombado pela União. A entidade coloca sua câmara especializada de arquitetos à disposição para analisar as intervenções pretendidas e contribuir no que for necessário."
Já a coluna "Repórter 70", de "O Liberal", edição desta terça-feira, 23 (www.oliberal.com.br), faz o seguinte registro: "Ontem, no final da tarde, o secretário de Cultura do Estado, Paulo Chaves, comunicou ao chancelar da Arquidiocese de Belém, padre Ronaldo Menezes, que decidira suspender as obras de reforma da Cadetral da Sé, que deveriam começar ontem". E prossegue acrescentando: "Chaves vai esperar que a Igreja volte a se manifestar sobre o projeto, muito embora já o tenha aprovado e até assinado um convênio com o governo do Estado para a executá-lo. A Sé desde ontem está fechada."

Petista em apuros

Em matéria assinada pelo jornalista Thiago Reis, da Agência Folha, sob o título "Propaganda de Ideli é investigada", a edição desta terça-feira, 23, da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), revela que inquérito instaurado pelo Ministério Público Federal vai investigar outdoors da senadora petista Ideli Salvatti (PT/SC) em Santa Catarina.
Em seguida, a íntegra da notícia:
“O Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil público para apurar se houve irregularidades na veiculação de propaganda da senadora Ideli Salvatti (PT) em Santa Catarina.
“De acordo com o procurador da República em Tubarão (SC), Celso Antônio Três, 398 outdoors com a imagem da senadora foram espalhados neste ano pelo Estado para exaltar as obras de duplicação da rodovia BR-101 feitas pelo governo federal. Segundo ele, a Constituição proíbe propaganda pessoal de obra pública: "Não se pode associar qualquer obra ou feito da administração pública à imagem, à pessoa de alguém". A pena para a infração é de multa.
“De acordo com Celso Três, que investiga gastos do governo federal em publicidade em Santa Catarina, o fato mais "inusitado", no entanto, é que Salvatti tenha gasto mais do que o seu patrimônio para pagar os outdoors. À Justiça, na última eleição, a senadora declarou um patrimônio de R$ 132 mil. Segundo ele, um levantamento com agências de publicidade aponta um valor não menor que R$ 1.000 por outdoor dada a qualidade do trabalho -ou seja, um gasto de quase R$ 400 mil.
“Para o procurador, "quando eclodiu o problema da CPI, sumiram os outdoors, de imediato, o que chamou a atenção de todo mundo no Estado".
Outro lado

“Ideli afirma que, desde que tomou posse no Senado, passou a ter um rendimento anual de R$ 220 mil -valor superior ao informado em 2001. Ela nega ainda que os outdoors tenham custado R$ 400 mil: "Nem no centro de São Paulo custa R$ 1.000 cada outdoor". Afirma que gastou R$ 161.710, em duas prestações. Segundo ela, já foram pagos R$ 108.730. Ela afirma ter comprado 270 painéis e, depois, mais 128. A senadora afirma também que o pagamento está sendo feito por meio de seu salário, da venda de dois veículos e de um empréstimo consignado de R$ 80 mil na CEF.
“‘Só quero que ele [Três] pare de fazer prejulgamento pela imprensa e me dê direito de defesa.’ Ela diz que não teve oportunidade de apresentar provas e que irá demonstrar que pagou a conta com recursos pessoais: ‘Me perguntaram se não é estranho alguém pagar do próprio bolso. Eu respondi: o certo é pedir propina e roubar? Eu quero fazer política’.”

Os (ilibados) amigos

Sob o título "Companheiros", a coluna "Painel", da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), em sua edição desta terça-feira, 23, revela um encontro ocorrido segunda-feira, 22, entre José Genoíno, ex-presidente nacional do PT, e Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido.
Diz a nota: "José Genoino foi visitado ontem por Delúbio Soares. O ex-presidente do PT, que deixou o comando do partido uma vez revelados os empréstimos feitos com o aval de Marcos Valério, disse que fala com o tesoureiro 'como amigo', para trocar impressões sobre a crise."

Omissão de Palocci

Em sua edição desta terça-feira, 23, a "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/) revela que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ao falar sobre contratos da prefeitura de Ribeirão Preto com a empreitera Leão Leão, não citou um, assinado por ele, quando prefeito, de R$ 41.6 milhões. Palocci alegou, em nota oficial, que não foi questionado a respeito, razão de não se reportar ao fato.
Em seguida, a matéria, publicada sob o título "Palocci omitiu contrato de lixo em entrevista:
“O ministro Antonio Palocci Filho omitiu, em sua entrevista de anteontem, ter assinado em 2002, quando era prefeito de Ribeirão Preto, um contrato com a empreiteira Leão Leão, de R$ 41,6 milhões, para manutenção do aterro sanitário da cidade.
“O ministrou, acusado por seu ex-assessor Rogério Buratti de ter recebido propina da Leão Leão, citou apenas dois contratos ao se defender das acusações: um assinado em 1999 pelo então prefeito tucano Luiz Roberto Jábali e que foi considerado irregular pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), em julho de 2004, e outro emergencial, já em sua gestão, para "coleta de galhos" (leia texto nesta página).
“A existência do contrato foi revelada pelo prefeito do Rio, Cesar Maia, em seu "blog" -espécie de diário na internet usado pelo pefelista para comentar notícias e criticar adversários.
“Na tarde de ontem, a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda divulgou nota respondendo à acusação de Maia de que Palocci teria "mentido". Segundo a nota, o contrato omitido "não foi objeto de questionamento" na entrevista (leia texto nesta página).
“A nota diz ainda que o contrato assinado pelo antecessor de Palocci é o que está "sendo objeto de discussão na Promotoria local". Segundo o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil, o inquérito que apura formação de quadrilha, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro não tem um contrato específico como alvo, mas o suposto esquema de fraudes em licitações em 16 cidades de São Paulo e Minas Gerais.
“Foi nesse inquérito que Buratti, ex-vice-presidente do grupo Leão Leão e ex-assessor de Palocci na Prefeitura de Ribeirão, acusou o ministro de receber propina de R$ 50 mil mensais, entre 2001 e 2002, e repassar o dinheiro ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
“O contrato que Palocci não citou foi o primeiro aberto pelo Daerp (Departamento de Águas e Esgotos de Ribeirão Preto) em 2001, primeiro ano de seu segundo mandato, mas que só foi concluído em 2002, após questionamento do TCE.O tribunal orientou a prefeitura a mudar o edital, já que ele restringia a participação de empresas em um dos seus itens. A alteração foi feita pela prefeitura e a Leão, que já vinha fazendo o serviço de maneira emergencial, venceu a disputa. Esse contrato, aprovado pelo tribunal, tem validade até fevereiro de 2007.
“Atualmente, o Daerp paga pelos dois contratos à Leão Ambiental (empresa do grupo Leão especializada em limpeza pública) R$ 1,9 milhões mensais (inclusos 10% de reajuste neste ano). Até outubro de 2004, o repasse era maior: R$ 2,4 milhões. Segundo o superintendente do órgão, Darvin José Alves, essa redução de valores ocorreu sem a redução de serviços. "Ela [a ex-superintendente Isabel Bordini] não me explicou o porquê nem eu vou lhe explicar."
“No ano passado, o prefeito era Gilberto Maggioni (PT), vice de Palocci que assumiu o cargo quando o ministro abandonou a Prefeitura de Ribeirão. Maggioni, que não conseguiu se reeleger, também é acusado por Buratti de ter recebido R$ 50 mil mensais da Leão, após a saída de Palocci.
“Maggioni e Bordini não foram localizados ontem para falar sobre o assunto. O ex-prefeito negou na última sexta-feira ter recebido a propina.”

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta terça-feira, 23.

“O Liberal” (PA) – Um milhão ficam sem água hoje. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – 15 bairros ficam sem água hoje. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Lula diz que Palocci mostrou a “segurança de um inocente”. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Mercado se acalma, mas espera ida de Buratti à CPI. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Mercado reage bem à defesa de Palocci; MP revela mais contratos. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Juros elevam dívida em R$ 100,5 bilhões. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Governo muda licença de 200 mil servidores. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Mercado se curva a Palocci, mas ainda teme Buratti. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Fala de Palocci acalma o mercado. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

Gato escaldado...

O tempo fechou na Catedral da Sé, em Belém do Pará. Poderemos assistir nos próximos dias um antigo e desgastado embate entre a Igreja e o Estado. Nada como nos tempos do Iluminismo, mas não deixará de ser interessante.
A restauração da Catedral, prevista para iniciar na próxima semana, já causa desconfiança por parte de fiéis e párocos. Eles temem pela descaracterização da construção centenária, que é um dos principais monumentos de nossa cidade.
A preocupação não é para menos. Todos ainda lembram da demolição da muralha do antigo Forte do Castelo, feita a toque-de-caixa a mando do Landi tucano, aproveitando-se de uma liminar para dar como fato consumado o seu desejo pessoal, menosprezando, com inequívoca arrogância, os questionamentos suscitados na Justiça.
Convém recordar que a muralha demolida, embora não figurasse no projeto original do Forte do Castelo, tinha mais de cem anos e, portanto, de valor reconhecidamente histórico.
Dizem, inclusive, que os “restos mortais”da muralha foram jogados ao longo da rodovia Augusto Montenegro
Diante disso tudo, a Feliz Luzitânia poderá ser transformada mais uma vez em palco para fogueiras de vaidades. Um fogo perigoso, onde geralmente quem sai chamuscado são os contribuintes, ou seja, nós, o povo.
Tenhamos fé. Com muita sorte não teremos que conviver com uma fotografia do tão renomado arquiteto-secretário entre as imagens de santos do acervo da Catedral. (Laura Almeida*)

LAURA ALMEIDA é assistente social e colaboradora deste blog.

Menos, menos...

Não cheira bem o que rola na editoria de fotografia de um dos jornais diários de Belém.
Mesmo para os tradicionais padrões de licenciosidade da redação, andam exagerando na dose.
O desconforto com a situação já está na ante-sala da direção do jornal.

Palocci, segundo Noblat

Sob o título “A propósito da entrevista de Palocci”, o jornalista Ricardo Noblat publica em seu blog (noblat.ultimosegundo.ig.com.br/noblat/) o seguinte comentário sobre a coletiva do ministro da Fazenda do governo Lula:

“Na última sexta-feira, Rogério Buratti, ex-secretário de governo na prefeitura de Ribeirão Preto, disse a promotores do Ministério Público de São Paulo que Palocci, quando ainda era prefeito, recebia R$ 50 mil por mês de empresa de lixo em troca de favorecimento em licitação.

“Em reportagem publicada neste fim de semana, e com base em gravações de conversas telefônicas de Buratti, a revista VEJA concluiu que ele atuou como lobista de empresários de Ribeirão Preto junto ao gabinete do ministro Palocci. Basicamente, foi para responder às duas acusações que Palocci falou hoje à imprensa.

“Desmentiu Buratti e desmentiu a revista. No caso de Buratti, foi visível o empenho de Palocci em poupá-lo. Primeiro, ao qualificar de apenas "inadequado" o episódio em que Buratti se envolveu como secretário da prefeitura de Ribeirão Preto e que resultou em sua demissão. Buratti favoreceu empresários em licitações.

“Em sua entrevista, Palocci fez questão de sublinhar que "nada se provou" contra Buratti. Não explicou, porém, por que não o reconduziu ao cargo. Talvez tenha sido por isso que não se afastou dele. O número do telefone do ministro foi o quinto mais discado por Buratti ao longo de certo período do ano passado.

“Palocci preferiu dirigir suas críticas à atuação dos promotores que se apressaram em vazar o depoimento de Buratti. Insinuou que Buratti pode ter dito o que disse devido à forma como foi tratado pelos promotores. "(...) compreendo a situação em que ele estava e a pressão que sofreu", comentou Palocci.

“Uma vez preso, Buratti foi algemado, metido em um caburão, e ao reaparecer estava vestido com o macacão que identifica prisioneiros. Palocci quis fazer crer que por isso Buratti mencionou o nome dele. Solto tão logo começou a colaborar, Buratti continuará colaborando. E Palocci sabe disso.

“O melhor, pois, é não provocá-lo. Nem mesmo processá-lo - embora o razoável é que o fizesse. Afinal, Buratti acusou Palocci de corrupção por receber propina e repassá-la ao PT. Mas assim como o deputado José Dirceu até hoje não processou Roberto Jefferson, Palocci também não processará seu ex-secretário.

“Buratti deixou mal o ex-prefeito Palocci. Quem defendeu o ex-prefeito foi o atual ministro da Fazenda da República Federativa do Brasil, Antonio Palocci. Para tanto se vestiu de ministro, usou o auditório do ministério e como ministro foi tratado por uma platéia de jornalistas bem comportados.

“A maioria deles chegou ali com perguntas levadas por escrito - e limitou-se a lê-las. Quase nenhum se dirigiu ao ex-prefeito. Nenhum apertou Palocci quanto a fatos controversos do seu governo em Ribeirão Preto. Sobre eles, escreveu o repórter Lourival Sant´Anna em O Estado de S. Paulo de ontem:

"Além de dívidas, Palocci deixou, correndo na Justiça, oito ações populares, outras quatro movidas pelo Ministério Público Estadual e uma pelo Ministério Público Federal, por improbidade administrativa. O exprefeito contratou por diversas vezes o Grupo Leão Leão sem licitação, provocando ações do Ministério Público. Além disso, houve várias licitações com suspeitas de direcionamento ou superfaturamento e anuladas pela Justiça. (...)

“Na ação mais antiga e que envolve mais dinheiro, o ex-prefeito já foi condenado em primeira instância. A Justiça determinou a suspensão de seus direitos políticos e o pagamento de multa por causa de um contrato de gaveta que Palocci fechou com os fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Telos (dos funcionários da Embratel) e Sistel (dos telefônicos), em 1996, ainda no primeiro mandato.

“O patrimônio líquido da Ceterp foi avaliado, na época, em R$ 164 milhões. Palocci vendeu 49% das ações da empresa por R$ 51,2 milhões, numa operação a portas fechadas, à qual somente os três fundos tiveram acesso."

“O que disse Palocci, hoje, está longe de por um ponto final na história que Buratti mal começou a contar aos promotores. Buratti justificou sua confissão dizendo que estava se sentindo sozinho, abandonado. A entrevista de Palocci pode ser lida por Buratti como um recado de que ele não está nem ficará sozinho.

“Mesmo que ao cabo de tudo se diga de Palocci que ele foi vítima de um episódio apenas "inadequado", tal episódio agravou a crise política ora em curso, lançou suspeição sobre o ministro mais importante do governo e pode ter liquidado as chances de ele vir a ser o candidato de Lula e do PT à próxima eleição presidencial.”

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta segunda-feira, 22.

“O Liberal” (PA) – Palocci nega tudo. E fica no cargo. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Palocci fica e nega denúncias. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Palocci se explica e Lula garante sua permanência. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Palocci nega acusações, diz que fica, mas que não é insubstituível. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Palocci fala, agrada, fica e diz que economia não muda. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Palocci tira a economia do transe. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Indisponível no momento. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Fico. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Palocci fala e convence. Agora falta o presidente. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Domingo, Agosto 21, 2005

À deriva

Uma recente reportagem mostrada pela TV Liberal deve ter provocado incômodo em pessoas que de algum modo preocupam-se com as questões educacionais do nosso Estado. A Secretaria Municipal de Educação (Semec) retirou a ajuda de custo que estudantes de regiões ribeirinhas recebiam da administração anterior para ajudá-los nas despesas com transportes. É de conhecimento de todos que as localidades onde moram estes jovens não têm estrutura suficiente em muitas áreas, principalmente a de ensino.
Não é preciso ter nenhuma mente brilhante para concluir o que vai acontecer: estes jovens vão abandonar os estudos. Como custear despesas com transportes diariamente, tratando-se de jovens que vivem em uma situação de pobreza quase absoluta?
Aristóteles diz que para um ser humano ser feliz, é preciso que existam oportunidades e possibilidades. O que o grande filósofo ensina não é nenhuma novidade. Mas, filosofia não faz parte do material de campanha de muitos políticos. Mesmo que se considerem letrados.
Numa época na qual tanto se discursa sobre responsabilidade social, é urgente e imprescindível que uma outra também seja lembrada e colocada em prática - a responsabilidade moral. Já há muito tempo esquecida e deixada atrás das portas dos gabinetes refrigerados, e frequentemente desconectados da realidade objetiva, de alguns dos inquilinos do poder, sejam eles prefeitos, governadores ou presidentes. A ausência deste princípio, já causou danos à juventude. Muitos desses danos são irreversíveis. São os jovens que lotam os abrigos e as penitenciárias, ou que engrossam as filas de desempregados.
Parece que nada do que se faz para amenizar esses efeitos é levado adiante. Retroceder parece que se transformou num hábito perigoso. O mais dramático no caso desses jovens, é que a insensibilidade dos que detêm o poder coloca em risco o futuro deles.
A Semec, como resposta à reportagem, simplesmente informou, num gesto típico de Pilatos: “não é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação, custear despesas de transportes de alunos que não residam na capital”. Ou seja, parece que a secretaria quis dizer: “Fiquem aí, no meio do rio. Vão pescar!” (Laura Almeida*)

* LAURA ALMEIDA é assistente social e colaboradora deste blog.

PT X PT

Sob o título "Dirceu quer sair do PT de 'cabeça erguida'", a edição deste domingo, 21, da "Folha de S. Paulo" (de acesso restrito aos assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/), publica a seguinte matéria, em torno do destino do ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, deputado José Dirceu (PT/SP):
"Os petistas que procuraram José Dirceu na última semana para que ele deixasse a chapa do Campo Majoritário que concorre nas eleições do partido ouviram do ex-ministro da Casa Civil e deputado federal um apelo: 'Sei que vou ser cassado. Me deixem sair do PT com a cabeça erguida'.
"Os pedidos para que Dirceu se afaste da chapa que representa a tendência dominante no PT são feitas por moderados que temem um 'efeito Quércia' no partido. Mesmo morto eleitoralmente, Dirceu manteria forte influência sobre a máquina partidária, como mostram suas seguidas vitórias contra a nova direção petista.O ex-governador Orestes Quércia controla o PMDB paulista, apesar de ter perdido todas as eleições majoritárias desde que transmitiu o governo paulista a Luiz Antonio Fleury Filho em 1991. Quércia, eleito senador em 1974, na ditadura militar, foi um político importante até deixar o Palácio dos Bandeirantes.
"Ciente de que perderá o mandato e os direitos políticos por oito anos devido ao escândalo do mensalão, Dirceu argumenta que, deixar a chapa do Campo Majoritário antes da decisão da Câmara, significaria assumir uma 'condenação antecipada': 'Não sou bandido e não quero ser humilhado. Cumpri missões partidárias', tem dito o deputado a ministros e assessores do presidente Lula. Ele prometeu que não dará declarações ou adotará atitudes para prejudicar o governo, tentando dividir responsabilidade com Lula.
"Em troca, quer controlar o processo de sua saída do partido. Com a cassação, diz Dirceu, ele perderá a filiação partidária e estará fora do PT de qualquer modo: não poderá mais influenciar as decisões do Diretório Nacional. Deputados de seu grupo político que também correm o risco de cassação também deixariam a vida partidária compulsoriamente.
"O problema é que o processo de cassação deverá ser longo, e os moderados do PT têm marcada a eleição direta do novo presidente do partido para 18 de setembro. Com Dirceu na chapa do Campo Majoritário e com suas intervenções nos bastidores, eles avaliam que poderão perder o domínio de dez anos sobre o partido.
"O receio é o de uma alta abstenção, que leve não mais do que 25% dos 820 mil filiados às urnas, desiludidos com a crise que demoliu a imagem ética do PT. Nos últimos três anos, após a eleição de Lula, o PT ganhou 400 mil filiados, dobrando de tamanho.
"Segundo cálculos de um dos coordenadores do Campo Majoritário, 250 mil dessas adesões são resultado do trabalho coordenado pelo ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira -hoje fora do partido-, a mando de José Dirceu.
"Mas agora teme-se que esse inchaço, que parecia uma boa idéia para perpetuar no poder o grupo que o promoveu, saia pela culatra. 'Essas filiações todas são frágeis, sem conteúdo. A maioria dos novos filiados certamente vai ficar em casa. Pior ainda, é provável que alguns deles, sentindo-se enganados, acabem optando pela esquerda', diz um dos expoentes do Campo Majoritário.
"Hoje nem os mais convictos otimistas do Campo Majoritário crêem na possibilidade de uma vitória no primeiro turno, como se previa há menos de três meses. E, num segundo turno, temem a aliança entre representantes de correntes atuantes e disciplinadas no partido -como Raul Pont (Democracia Socialista) e Valter Pomar (Articulação de Esquerda)- e um candidato como Plínio de Arruda Sampaio, membro histórico do PT e que pode seduzir a militância 'independente'.
"'Foi feito um processo de filiação em massa pelo Campo Majoritário, gente que veio sem a adequada formação política. Ouvi dizer que fizeram isso até pela internet. O número exato de membros é uma incógnita', diz Plínio.
"Se o quórum for realmente baixo, acredita a esquerda petista, sua força aumenta. 'Os filiados que entraram o fizeram na esteira da empolgação com Lula e hoje perderam isso. Ao mesmo tempo, nossos apoiadores são os militantes históricos, mais enraizados, que vão comparecer em grande número à eleição', declara Plínio.
"Para enfrentar a ameaça de perder o controle do PT para a esquerda, os moderados gostariam que Dirceu seguisse o gesto do ex-presidente do PT José Genoino e se retirasse da chapa. Ao mesmo tempo, avaliam que terão de recorrer aos filiados recentes e que precisarão mobilizá-los por meio da burocracia partidária, como cabos eleitorais profissionais. "

Farra no planalto

Notas publicadas na edição deste domingo, 21, na coluna "Painel", da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço www1.folha.uol.folha.br.fsp/), a propósito da cafetina cuja agenda faz tremer Brasília:


"Segurança máxima


"Quando tinha de despachar suas moças para determinado endereço de Brasília muito visado pela imprensa, Jeany Mary Corner recorria a uma van com vidros dotados de insulfilm.



"Fora do combinado


"Em uma de suas negociações com Marcos Valério, Jeany Mary Corner enviou 15 moças para igual número de convidados a uma comemoração em Brasília. Já pelo fim da noite, Valério propôs uma troca geral de pares. As moças chiaram.


"Lei do comércio


"Diante da insistência dos clientes, as moças telefonaram para Jeany, que se abalou até o local para resolver a questão diretamente com Valério. 'O senhor quando vai à loja e compra uma televisão por acaso leva duas? Então não vai ter troca coisa nenhuma.' Não teve."

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais deste domingo, 21.

“O Liberal” (PA) – Grampos complicam Palocci. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Jornalismo a serviço dos interesses do Pará. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Buratti usou o nome de Palocci com empresários. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Planalto se arma para blindar Palocci. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Lula: “Querem acabar com o meu governo”. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Voto nulo ameaça política. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Estrela da TV está louca por Bem-Te-Vi. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Mercado aposta na queda de Palocci. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Buratti agenda encontros de Palocci com empresários. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Sábado, Agosto 20, 2005

Perguntar não ofende

Na seção "Tiroteio", da coluna "Painel", na edição deste sábado, 20, na "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico www1.folha.uol.folha.br.fsp/):
"Do deputado federal Roberto Freire (PE), presidente do PPS, sobre as acusações de Rogério Buratti contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci:
"-Houve um outro propinoduto do PT, anterior ao valerioduto. Será o presidente Lula a única flor nesse pântano?"

Bússola petista

Da coluna "Painel", na edição deste sábado, 20, da "Folha de S. Paulo" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no endereço eletrônico: www1.folha.uol.folha.br.fsp/):

"Bola de cristal 1

"Há pouco mais de uma semana, em conversa com dois empresários em São Paulo, José Dirceu previu que Antonio Palocci não demoraria a ser envolvido nas denúncias em curso.

"Bola de cristal 2

"Em Brasília, na segunda-feira, pessoa próxima a Dirceu antecipava que a semana não terminaria bem e que a encrenca à vista dizia respeito a Ribeirão Preto."

Em outra nota, a coluna da "Folha de S. Paulo" também faz um significativo registro:

"Muy amigos

"Esqueça a oposição. As alfinetadas mais profundas em Palocci partiram do petista Ricardo Berzoini ('Ninguém é insubstituível') e do vice-presidente José Alencar ('Um homem de bem até prova em contrário')."
De resto, em mais uma nota, a coluna "Painel" lembra:
"Feliz aniversário
"Completam-se hoje quatro anos da primeira ação judicial a levantar suspeitas sobre a coleta de lixo em Ribeirão Preto. Foi proposta pelo PSDB local contra o então prefeito, Antonio Palocci. O processo ainda tramita."

Embaixadores

Por iniciativa do advogado Antônio Carlos Teixeira, vice-presidente azulino, o Clube do Remo ganhou dois “embaixadores” no Rio de Janeiro - os prestigiados jornalistas Ancelmo Góis, de “O Globo”, e Ricardo Boechat, do “Jornal do Brasil” e da Rede Bandeirantes.
Teixeira presenteou ambos com a camisa - feita em série limitada – alusiva ao centenário do Clube do Remo.
Nos e-mails em que agradecem a cortesia do gesto, Ancelmo Góis e Ricardo Boechat revelam que já no último fim de semana envergaram a camisa do centenário.

Franklin Martins analisa a crise

Vale a pena ler a entrevista com o jornalista Franklin Martins sobre a crise que atinge o PT e o governo, no site "NoMínimo" (www.nominimo.com.br).
Habituado a cobrir CPIs desde a era Collor, o jornalista fala das surpresas da crise, lembra de sua participação no seqüestro do embaixador norte-americano, que serviu para tirar José Dirceu da prisão, e insiste em querer saber de onde saiu o dinheiro para o valerioduto.

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais deste sábado, 20

“O Liberal” (PA) – Ex-assessor acusa Palocci de receber mesada de R$ 50 mil. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Palocci acusado de receber propina quando era prefeito. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Ex-assessor envolve Palocci em corrupção; ministro nega. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Ex-assessor diz que Palocci exigia propina para o PT; ministro nega. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Palocci é acusado de receber propina; ministro nega. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Lixo põe economia em transe. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Polícia vai chamar Ronaldo para explicar festinha com drogas. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Até tu?. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Ex-assessor acusa Palocci de receber propina de R$ 50 mil. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Sexta-feira, Agosto 19, 2005

MARACUTAIAS DA CERPA/“Alemão” pode ser julgado à revelia

Como pela segunda vez consecutiva Konrad Karl Seibel, o “Alemão”, proprietário da Cervejaria Paraense S/A (Cerpa), deixou de comparecer à Justiça Federal, o juiz Rubens Rollo D´Oliveira, da 3ª Vara Federal, decidiu que se o empresário não comparecer para ser ouvido em interrogatório nos próximos 10 dias, a contar desta sexta-feira, 19, será intimado por edital e, se for o caso, julgado à revelia. Seibel responde a processo que apura a existência de caixa 2 e o não recolhimento de contribuições para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos empregados da empresa. Ele foi acusado pelo Ministério Público Federal de prejudicar a instrução processual e o procurador da República Alexandre Silva Soares chegou a pedir - verbalmente - a prisão preventiva do empresário.
Ao anunciar sua decisão de intimar Seibel por edital, o juiz da 3a Vara Penal recordou que os oficiais de Justiça tentaram intimar por sete vezes, sem cucesso, o proprietário da Cerpa. Seibel, que viajou para a Alemanha no último dia 14, deixou de comparecer perante o juízo pela segunda vez consecutiva. Na quinta-feira, 18, a alegação apresentada pelo advogado de empresário foi de que "Alemão" perdeu o vôo que o traria ao Brasil. Até quinta-feira, 18, Seibel se encontrava em Frankfurt, na Alemanha.
Esse episódio é o desdobramento do escândalo deflagrado a partir de uma inspeção do Ministério Público do Trabalho na Cerpa, realizada em agosto de 2004. Na ocasião foram constatadas não apenas fraudes trabalhistas, mas também uma relação de promiscuidade lesiva aos cofres públicos entre a cervejaria e o PSDB paraense. Foi apurado que entre o final da gestão do ex-governador Almir Gabriel e o início da administração do governador Simão Jatene, no período que coincide com as eleições de 2002, a Cerpa, valendo-se de um caixa 2, abasteceu os cofres tucanos com R$ 16,5 milhões, em contrapartida a benefícios e isenção fiscais na ordem de R$ 47 milhões.
Disso resultou um inquérito que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no qual o governador Simão Jatene é acusado de corrupção passiva, juntamente com Francisco Sérgio Belich de Souza Leão, atual secretário especial de Governo; Teresa Luzia Mártires Coelho Cativo Rosa, atualmente secretária especial de Gestão; e Roberta Ferreira de Souza, na época secretária executiva da Fazenda, em exercício. Dono da Cerpa, Konrad Karl Seibel, também conhecido como “Alemão”, é acusado de corrupção ativa e falsidade ideológica.

MARACUTAIAS DA CERPA/A caixa-preta da corrupção tucana

A denúncia feita pelo Ministério Público Federal revela a teia de corrupção tecida por tucanos de farta plumagem no imbróglio que envolve a Cervejaria Paraense S/A (Cerpa), fabricante da cerveja Cerpa, conforme documentos aos quais o jornal “Diário do Pará” teve acesso e publicou com exclusividade entre 22 e 29 de maio deste ano. A denúncia figura no inquérito 465/PA que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e revela que a cervejaria paraense, valendo-se de um caixa 2 – que vem a ser uma contabilidade clandestina, cujos valores não são declarados -, abasteceu a campanha do governador Simão Jatene nas eleições de 2002 com R$ 16,5 milhões. A contrapartida do tucanato foi conceder à Cerpa perdão e incentivos fiscais que chegaram a R$ 47 milhões.O propinoduto da Cerpa começou a regar a horta da corrupção tucana a partir do final do governo de Almir José de Oliveira Gabriel (PSDB).
No inquérito que tramita no STJ Jatene é acusado de corrupção passiva, juntamente com Francisco Sérgio Belich de Souza Leão, atual secretário especial de Governo; Teresa Luzia Mártires Coelho Cativo Rosa, atualmente secretária especial de Gestão; e Roberta Ferreira de Souza, na época secretária executiva da Fazenda, em exercício. Dono da Cerpasa, Konrad Karl Seibel, também conhecido como “Alemão”, é acusado de corrupção ativa e falsidade ideológica.
O escândalo foi deflagrado a partir de uma inspeção do Ministério Público do Trabalho na Cerpa, realizada em agosto de 2004, que constatou não apenas fraudes trabalhistas, mas também uma relação de promiscuidade lesiva aos cofres públicos entre a cervejaria e o tucanato paraense. Pelas provas reunidas, em troca do perdão fiscal e da prorrogação de incentivos, a cervejaria se comprometeu a doar, através de um caixa dois, R$ 4 milhões para a campanha de Jatene, o que fez, a partir de 30 agosto de 2002, em seis parcelas de R$ 500 mil, a última das quais teve o pagamento antecipado para o dia das eleições, 3 de outubro de 2002.
A 24 de outubro de 2002 foi feito o pagamento de mais R$ 1 milhão. Os restantes 12,5 milhões, conforme os livros de contabilidade apreendidos durante a inspeção, foram pagos entre o final do mandato de Almir Gabriel e os dois primeiros anos do governo de Simão Jatene, em retribuição a benefícios fiscais concedidos è cervejaria. O pagamento de R$ 12,5 milhões ocorreu entre 31 de agosto de 2002 e 1º de agosto de 2004. Desses R$ 12,5 milhões, R$ 6 milhões foram pagos em dez vezes. Nenhum pagamento foi contabilizado como doação de campanha.

MARACUTAIAS DA CERPA/Leão negociou a tramóia com Seibel, o “Alemão”

Segundo os relatórios sobre a movimentação financeira clandestina apreendidos pelo Ministério Público do Trabalho durante a inspeção na Cerpa, a tramóia foi negociada entre Konrad Karl Seibel, o “Alemão”, dono da cervejaria, e Francisco Sérgio Belich de Souza Leão, secretário especial de Gestão no segundo mandato de Almir Gabriel, no qual Jatene ocupou a estratégica Secretaria Especial de Produção, antes de sair candidato a governador pelo PSDB nas eleições de 2002. Sob denúncias – formalizadas pelo PDT na Justiça Eleitoral – de uso da máquina administrativa do governo Almir Gabriel, Jatene acabou eleito por uma minguada diferença na disputa com a deputada estadual Maria do Carmo (PT), a quem derrotou no segundo turno com 51% dos votos, contra 48% obtidos pela candidata petista.
Com a posse de Jatene como governador, Leão migrou inicialmente para o cargo de secretário especial de Produção, antes de tornar-se secretário especial de Governo. Na ocasião em que a Cerpasa foi aquinhoada com desconto de 95% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) devido e teve prorrogados por mais 12 anos os benefícios fiscais a ela concedidos, Leão presidia a Comissão de Política de Incentivos ao Desenvolvimento Sócio-Econômico do Estado do Pará. A isenção fiscal concedida à Cerpa e a 37 outras empresas pelo governador Simão Jatene, através de decretos assinados em 29 de setembro de 2003, provocou uma ação direta de inconstitucionalidade, movida pelo procurador-geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, que questiona a legalidade da lei estadual no 6439, de 27 de setembro de 2002, que fundamentou a renúncia fiscal.
“Afastou-se, em princípio, a hipótese de prática de crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, pela ausência de indícios de que a vantagem ilícita tenha sido prometida e recebida em troca de votos, elemento exigido pelo tipo penal para a caracterização do delito”, assinala, ao fazer a denúncia ao STJ, a subprocuradora-geral da República, Célia Regina Souza Delgado. “Aqui os indícios apontam para a prática dos crimes de corrupção ativa e passiva previstos no Código Penal, uma vez que a vantagem indevida teria sido prometida e recebida pela prática de atos de ofício”, acrescenta a subprocuradora-geral da República.

MARACUTAIAS DA CERPA/Denúncia revela um vasto leque de fraudes

Uma das mais devastadoras denúncias sobre o esquema de corrupção no qual se locupletou a elite do tucanato paraense foi feita ao procurador da República Ubiratan Cazzeta, em ofício datado de 9 de agosto de 2004, no qual a Cervejaria Paraense S/A (Cerpa) é acusada de um vasto elenco de fraudes trabalhistas e fiscais. No ofício, ao qual o “Diário do Pará” teve acesso e publicou com exclusividade, a Cerpa é denunciada por sonegar uma extensa relação de impostos, especialmente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), que representa, no dizer do denunciante, “a maior fatia do bolo sonegado”.
Na denúncia, o dono da cervejaria, Konrad Karl Seibel, o “Alemão”, a ex-mulher deste, Helga Irmengard Jutta Seibel, e um ex-sócio, Victor Villela Monteiro, são apontados como supostos beneficiários diretos de “um verdadeiro império do crime”, supostamente construído com a colaboração do ex-deputado federal Jorge Arbage, assessor especial no governo Almir Gabriel (PSDB), cargo no qual se manteve na administração do governador Simão Jatene (PSDB). De acordo com a denúncia, em troca do tráfico de influência Arbage seria semanalmente aquinhoado com uma propina no valor de “cerca de” R$ 20 mil.
“Gostaria de frisar que não sei se existe conivência do Governo do Estado nas ações sujas deste rábula (Jorge Arbage), mas é muito suspeito que a cervejaria possua já há alguns anos cerca de 11 ações na Justiça do Estado do Pará ajuizando e reparações de dano ao Estado face a sonegação de ICMS”, sublinha o denunciante, no ofício endereçado ao Ministério Público Federal.
Segundo a denúncia, o maior volume de sonegação refere-se ao ICMS, com a suposta cumplicidade da própria Secretaria Executiva da Fazenda (Sefa). “Ao longo dos anos, a empresa manteve-se parceira dos fiscais da Secretaria de Fazenda do Estado do Pará, onde (sic) todos os caminhões de cerveja que partem da fábrica são ‘intocáveis’”, relata o denunciante, que passa a detalhar o modus operandi sob o qual é feita a sonegação.
No relato feito pelo autor da denúncia, se, por hipótese, uma caixa de cerveja custa R$ 26,00, é emitida uma nota fiscal de R$ 12,00, com os restantes R$ 14,00 sendo cobrados do distribuidor, através de um recibo interno, a ser quitado no vencimento constante na nota fiscal, preferencialmente em cheque ou em dinheiro vivo. “Só que não pára aí. Algumas notas fiscais que chegam na barreira, voltam para cancelamento na fábrica, virando mercadoria de troca dos fiscais da Sefa/PA”, acrescenta a denúncia.
Na denúncia foi anexada uma tabela com os preços das notas fiscais e dos recibos, bem como as saídas de todos os produtos por distribuidor, mês a mês, durante os anos de 2000 e 2002. “Esses mapas são guardados a sete chaves na fábrica da Cerpa, pois é (sic) uma poderosa arma contra ela e contra seus parceiros – distribuidores”, adverte o denunciante. Ele conclama o Ministério Público Federal a fazer uma “devassa em grande estilo” nas distribuidoras cadastradas na Cerpasa, para rastrear a extensão da sonegação da empresa.

MARACUTAIAS DA CERPA/Artimanhas de “Alemão” para lesar o Fisco

A denúncia também reporta-se ao caixa 2 mantido pela Cerpa, através do qual a empresa integraliza o pagamento dos seus funcionários, com o adicional maquiado como gratificação por produtividade. Esse adicional, esclarece o denunciante, é etiquetado como “produção”, ou “bichona”, ou ainda “prêmio”, e é pago pela Cerpa mensalmente, no período de 10 a 15 de cada mês, a todos os funcionários, em percentuais que variam de 50% a 200% dos salários brutos, de acordo com os níveis funcionais.
Conforme a denúncia formulada, esse adicional é pago em dinheiro aos funcionários, através de uma única via do recibo, que é retida pela empresa. O denunciante sublinha, como indício da existência desse caixa dois, que em todos os processos trabalhistas movidos contra a Cerpa a petição inicial invariavelmente cita esse suposto adicional de produtividade.
A denúncia ainda inclui a acusação de uma suposta burla da Cerpa ao consumidor. No ofício endereçado ao procurador da República é relatado que a Cerpasa produz somente cervejas e chopp, nas embalagens de 600 ml, 350 ml (Cerpa Export), PEN (plástica) e barril de 50 litros (chopp). “Existe um franco desrespeito ao consumidor, pois o produto Cerpa Export, comercializado como ‘um produto’, é envasado na sua linha de produção com o mesmo conteúdo da garrafa de vidro de 600 ml”, afirma o denunciante.
O denunciante acrescenta que isso “deve-se aos ‘altos custos’ das matérias-primas para envasar a Cerpa Export”. “Uma análise de laboratório poderia comprovar o que estou informando”, desafia ainda o denunciante, que chega a citar, com os respectivos endereços residenciais, uma relação de nomes de profissionais supostamente a serviço, em diversas instâncias, dos interesses da Cerpa.

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta sexta-feira, 19:

“O Liberal” (PA) – Senado aprova minirreforma eleitoral. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Pedida prisão do dono da Cerpasa. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Delúbio admite dinheiro de Valério no 2º turno de Lula. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Caixa dois pagou apoio a Lula no 2º turno, diz Delúbio. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Indisponível no momento. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Cheiro de pizza no ar. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Aposentados: saem as novas regras do recadastramento. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Delúbio confessa caixa 2 para campanha de Lula. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Delúbio envolve Ciro Gomes no caixa 2 da campanha de Lula. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Quinta-feira, Agosto 18, 2005

Gaspari antológico

Do jornalista Elio Gaspari, em sua coluna de quarta-feira, 17, ao comentar a crise que atinge o PT e o governo Lula: “Faz tempo que o Brasil carece de um presidente que chegue ao Planalto às oito da manhã e fique lá até as seis, cuidando do cotidiano nacional. Não será fácil, mas Lula pode tentar.”

Queda livre

Em notícia que já antecipara no "Jornal da Band" de quarta-feira, 17, o jornalista Ricardo Boechat informa nesta quinta-feira, 18, na sua coluna no "Jornal do Brasil" (jbonline.terra.com.br), que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) teria apurado números indicando, pela primeira vez, a derrota de Lula frente a três potenciais candidatos tucanos a presidente - José Serra, prefeito da cidade de São Paulo; Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo; e Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente.
Boechat acrescenta que, segundo a pesquisa do Ibope, a vantagem do prefeito de São Paulo na disputa já estaria na faixa de 20 pontos percentuais.

Definitivo

“Desculpas na política não funcionam, ainda que sejam de bom-tom. Melhor faria o PT se começasse logo a depurar suas fileiras.”
Da jornalista Tereza Cruvinel, na coluna “Panorama Político”, publicada na edição desta quinta-feira, 18, do jornal “O Globo” (oglobo.globo.com/jornal/).

O que fazer? Nada*


ELIO GASPARI

Constituinte, Revisão, Conselho da República, Reforma Política. Tudo parolagem. O que o governo precisa é fazer nada. Basta que governe.
Não se deve fazer nada porque tudo o que precisa funcionar está funcionando. Há três comissões parlamentares de inquérito fazendo seu serviço, quase sempre ao vivo e em cores. A Polícia Federal e o Ministério Público cumprem suas tarefas com admirável serenidade. A imprensa e o parlamento funcionam sem qualquer inibição. As pessoas que preferem se manifestar na rua pintam suas caras, gritam e voltam para casa. A crise é produto da normalidade democrática e os instrumentos da normalidade democrática se revelam suficientes para abrigá-la. Uns poucos remendos convenientes não justificam uma reforma.
A idéia de que a cada rolo e a cada governo deve-se reformar o Estado e reinventar Pindorama é uma mistificação destinada a deixar as coisas como estão. Coisa assim: é preciso mudar as leis porque elas são falhas e, como são falhas, enquanto não forem mudadas, não serão cumpridas. De outra maneira: as leis não são cumpridas porque são falhas e são desrespeitadas porque não foram mudadas. Esses argumentos nada têm a ver com o aperfeiçoamento das leis. São disfarces da preservação do privilégio e da impunidade.
Qualquer transação de caixa dois, dessas que azeitaram a campanha de Lula e Duda Paz e Amor, envolve pelo menos três delinqüências que custam, por baixo, quatro anos de cadeia. É nessa moldura que o Ministério Público está investigando a roubalheira companheira. Não será a reforma das leis que levará Duda Mendonça a dispensar seus caraminguás caribenhos. Pelo contrário: cacarejou-os tanto com Maluf como com Lula. Ele e seus similares só vão parar de fazer campanhas com caixa dois quando tiverem medo de virar Toninho da Barcelona. Antonio Claramunt (seu verdadeiro nome) deixou o mercado de câmbio sem que fosse necessária uma reforma bancária. Bastaram a polícia, um promotor e o juiz que lhe deu 25 anos de cadeia, mandando-o para a penitenciária de Avaré. Se empresários, parlamentares, governantes e candidatos começarem a temer a Pousada Avaré, o caixa dois acaba.
Caixas-pretas e mensalões são a raiz do contubérnio dos governantes com a plutocracia. Há ministros que negam a empresários o cumprimento das leis e empresários que redigem pacotes de projetos pecaminosos para burocratas deslumbrados. Quando a Telemar se torna sócia do filho do presidente da República, um biólogo reciclado em micreiro, vê-se o grau de naturalidade com que se misturam concessionários de favores públicos e concessões de serviços privados.
Chega a ser risível que, a pretexto de uma reforma política, queira-se empurrar o voto de lista em cima da patuléia. Trata-se de um sistema no qual deputados ganham suas cadeiras seguindo uma ordem de precedência organizada pelos partidos políticos. Isso significa que a lista do PT seria organizada por Lula e seus mosqueteiros: José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino. No PTB, a tarefa seria de Roberto Jefferson. No PL, decidiria Valdemar Costa Neto.
Faz tempo que o Brasil carece de um presidente que chegue ao Planalto às oito da manhã e fique lá até as seis, cuidando do cotidiano nacional. Não será fácil, mas Lula pode tentar.

ELIO GASPARI é jornalista.

* Reproduzida do jornal “O Globo” (oglobo.globo.com/jornal/), edição de quarta-feira, 17 de agosto de 2005.

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta quinta-feira, 18:

“O Liberal” (PA) – Salário mínimo fica em R$ 300. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Câmara mantém mínimo em R$ 300 (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Pivô da crise confirma corrupção de Jefferson. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Governo derruba mínimo de R$ 384.(www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Oposição ajuda e governo derruba mínimo de R$ 384. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – É tempo de discursos, desculpas e protestos. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Indignado, Ronaldo nega ligação com traficante Bem-Te-Vi da Rocinha. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Cerco a doleiros. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Indisponível no momento. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Quarta-feira, Agosto 17, 2005

ELEIÇÕES 2006/ A ameaça ao PSDB é o próprio PSDB

A política é volátil, sabe-se, como sabe-se também que ainda estamos há mais de um ano das eleições de outubro de 2006, tempo mais do que suficiente para reverter expectativas, detonar favoritismos e turbinar inesperadas surpresas, em se tratando de processo eleitoral. Mesmo assim, diante das circunstâncias, certamente não soa temerário antecipar que, salvo um monumental acidente de percurso, no Pará o PSDB desponta, desde já, como o favorito na sucessão do governador Simão Jatene. Esse favoritismo dos tucanos deriva mais das debilidades dos seus principais adversários, o PMDB e o PT, do que dos seus próprios méritos. Na verdade, a ameaça ao PSDB reside no próprio PSDB, diante da fratura que podem provocar os interesses conflitantes que colocam em virtual rota de colisão o atual governador e o ex-governador Almir Gabriel.
No PSDB do Pará, o ceticismo em torno das possibilidades eleitorais de Simão Jatene encoraja a candidatura do ex-governador Almir Gabriel, embora o atual governador aspire a reeleição. E a reeleição, diga-se, é a única alternativa possível para Jatene permanecer no proscênio político, descartada a priori sua eventual candidatura à única vaga disponível para o Senado, que o obrigaria a desincompatibilização, opção que o tucanato paraense sequer admite cogitar. A desincompatibilização de Jatene para disputar a vaga em disputa para o Senado deixaria o PSDB, na leitura de tucanos de farta plumagem, à mercê do deputado federal Vic Pires Franco Neto, ao qual é atribuída a condição de mentor político da vice-governadora, Valéria Vinagre Pires Franco, da qual o parlamentar é marido. O casal, que pertence ao PFL, e particularmente Vic, não inspira confiança nas principais lideranças do PSDB, por conta do seu fisiologismo.
O instinto de sobrevivência, potencializado pelo temor de perder as benesses que acompanham o exercício do poder, tem estimulado o surgimento de bombeiros entre os tucanos. Mas aparentemente não há água capaz de apagar a fogueira de ambições que podem elevar a níveis insuportáveis as tensões internas do PSDB, hoje já mal dissimuladas. Fala-se muito, por exemplo, que Almir Gabriel e os filhos deste cultivam uma inocultável hostilidade em relação a Francisco Sérgio Belich de Souza Leão, o secretário especial de Governo, que é também o homem de confiança de Simão Jatene. A Leão, dizem, os Gabriel hoje só se referem como “o guloso”. E o pecado da gula tem sido o principal problema do PSDB, como bem ilustra o imbróglio envolvendo a Cervejaria Paraense S/A (Cerpa), acusada pelo Ministério Público de manter um propinoduto que abasteceu com R$ 16,5 milhões a tucanagem paraense, em troca de benefícios e isenções fiscais que chegam a R$ 47 milhões.
Informações vazadas do ninho tucano relatam que parece incontornável a animosidade entre Almir Gabriel e Francisco Sérgio Belich de Souza Leão. “Olha, hoje em dia é mais fácil o Almir sentar em uma mesa com o Jader (Barbalho, no passado patrono político do ex-governador tucano, que o tem hoje como inimigo figadal), do que sentar com o Leão”, garante um bem informado jornalista.

ELEIÇÕES 2006/ Jader define opção e PMDB congela planos

No PMDB, uma coisa desde já é certa, em termos das eleições de 2006: o ex-governador e hoje deputado federal Jader Barbalho, que é o presidente regional do partido no Pará, vai disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados. Pragmático, ele sabe que não pode correr o risco de ficar sem mandato, diante das ações movidas contra ele na Justiça, sob acusação de corrupção, e as quais responde em foro privilegiado, por ser parlamentar. Sem poder contar com o PT, devastado pelo tsunami de corrupção que atinge o partido e o governo do presidente Lula, do qual ele é um importante aliado no Congresso, no momento Jader se concentra em alinhavar um leque de fortes candidaturas para a Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados. Uma opção previsível, considerando a falta de quadros da legenda com musculatura política suficiente para disputar com chances de vitória um cargo majoritário.
O líder de maior expressão da política paraense na atualidade, em torno do qual orbitam até mesmo aqueles que a ele se opõem, Jader é também destinatário de significativa rejeição de parcela do eleitorado, que associa seu nome a denúncias de enriquecimento ilícito. E ele parece ter claro que participar de uma disputa majoritária pode conferir um caráter plebiscitário à mesma. Esse risco é tanto maior para quem, como ele, tem contra si não apenas os tucanos, que detêm a chave do cofre e dispõem ainda da máquina administrativa estadual, mas também as Organizações Romulo Maiorana, comandadas pelo empresário Romulo Maiorana Júnior e das quais fazem parte “O Liberal”, o jornal de maior tiragem da Amazônia; as rádios Liberal AM e FM; e a TV Liberal, afiliada da Rede Globo de Televisão, que é líder de audiência e dispõe, ao que se sabe, de cerca de 100 repetidoras espalhadas por todo o Pará. Ao grupo ainda se integra a TV ORM Cabo.
Destinatárias de fartas verbas publicitárias do governo Simão Jatene, as ORM têm um respeitável poder de fogo, principalmente em função do jornal "O Liberal" e da TV Liberal. As ORM disputam o mercado com o grupo de comunicação da família Barbalho, que inclui o jornal "Diário do Pará"; a Rádio Clube do Pará (líder absoluta em audiência e cujo carro-chefe é a cobertura esportiva, comandada com extrema competência pelo jornalista Guilherme Guerreiro); as rádios Diário FM e 99FM, também líderes de audiência; a TV RBA, afiliada da Rede Bandeirantes de Televisão; rádios em Marabá, Santarém e Soure; TVs em Marabá e Santarém; e 32 repetidoras da TV RBA. A esse elenco se soma a Mais TV, a televisão por assinaturas do grupo.
“O deputado aguarda uma melhor definição do quadro político nacional para se posicionar em relação a 2006”, revela uma fonte com acesso privilegiado a Jader. Isso significa dizer que foram no mínimo congelados os planos de uma coligação com o PT, que teria como candidato ao governo o deputado federal petista Paulo Rocha, cabendo ao PMDB indicar os candidatos a vice-governador e ao Senado. Em relação a esses planos, provavelmente restará a Jader assistir o réquiem político da pré-candidatura de Paulo Rocha, um dos nomes da lista de deputados beneficiados pelo valerioduto e que provavelmente serão cassados por falta de decoro parlamentar.

ELEIÇÕES 2006/A arrogante desfaçatez do PT

Alheio ao clamor das ruas, que até passado recente se arvorava a traduzir, também no Pará o PT adotou a arrogante desfaçatez de parte de suas lideranças nacionais, que tratam com menosprezo as denúncias sobre o tsunami de corrupção pelo qual foi tragado o partido. No Pará, a situação talvez seja ainda mais grave, porque todos os candidatos em potencial ao governo estadual – a senadora Ana Júlia Carepa, o deputado federal Paulo Rocha, a prefeita Maria do Carmo, de Santarém, e o ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues – tiveram seus nomes envolvidos em denúncias de maracutaias. Inocentes ou culpados, o desgaste político é inevitável.
Mais recentemente, foi a vez de Edmilson Rodrigues, ex-prefeito de Belém, cuja administração foi atingida em cheio por uma denúncia de corrupção do vereador Victor Cunha (PTB). Vice-líder do governo na Câmara Municipal de Belém, segundo ele foi detectado um rombo de R$ 9 milhões do Banco do Povo.
Antes dele, Ana Júlia foi acusada de ter sua campanha à Prefeitura de Belém, em 2004, financiada por madeireiros, em troca de benefícios ilegais concedidos a estes pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), presidido pelo ex-marido da senadora petista. Ana Júlia também despertou suspeitas diante do seu empenho em evitar que uma assessora, Joana Pessoa, fosse ouvida pela CPI da Biopirataria. Nos bastidores é dito que Joana Pessoa desempenhou o papel de caixa na campanha de Ana Júlia à Prefeitura de Belém, em 2004.
Já Paulo Rocha, após inicialmente negar, admitiu ter feito saques nas contas do empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do mensalão, neologismo que designa a propina paga a deputados da base de sustentação do governo Lula. Por isso, ele faz parte da lista de deputados ameaçados de ter o mandato cassado por falta de decoro parlamentar. A tentativa de Paulo Rocha minimizar o episódio, tentando configurá-lo como um mero caixa 2, um crime penalmente menor, acabou sepultada diante dos indícios que a contabilidade paralela do PT era abastecida com dinheiro público, gasto indevidamente a pretexto de contratos publicitários.
Por fim, segundo o ex-tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares, a ex-deputada estadual Maria do Carmo, eleita prefeita de Santarém em 2004, teve sua campanha ao governo do Pará, em 2002, turbinada pelo caixa 2 petista, exatamente aquele alimentado com dinheiro público.

ELEIÇÕES 2006/O menosprezo à ética

No Pará, em particular, o PT parece ter optado por deletar as suas históricas preocupações éticas. É emblemático que, em pleno processo de eleição do Diretório Regional, o deputado federal Paulo Rocha tenha permanecido como presidente regional do partido, embora figure na lista de parlamentares beneficiados com o valerioduto e, por isso, sujeitos à cassação do mandato, por falta de decoro parlamentar.
Até recentemente líder do PT na Câmara dos Deputados, Rocha foi pressionado a se licenciar do cargo, depois de ser flagrado mentindo sobre os saques feitos na conta do empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do mensalão, o neologismo que designa o propinoduto que abastecia os bolsos dos parlamentares da base de sustentação do governo Lula. Por aqui, porém, nenhum questionamento foi ouvido sobre o conflito ético que representa a legenda ser presidida por alguém contra quem conspiram as evidências de práticas ilícitas, para dizer o mínimo. Mesmo aqueles que se opõem ao Campo Majoritário, a tendência a qual pertence Rocha e que controla os diretórios Nacional e Regional do Pará, permaneceram silentes a respeito desse impedimento ético.
A exemplo de outros tantos partidos e políticos, aparentemente o PT aderiu à ética da conveniência. Reforçando essa suspeita, a Executiva Nacional do PT rejeitou na terça-feira, 16, a abertura de um processo disciplinar, na Comissão de Ética do partido, contra os sete deputados federais citados no esquema ilegal de financiamento patrocinado pelo publicitário Marcos Valério de Souza.

ELEIÇÕES 2006/Denúncias também atingem o PSB e Ademir

Uma alternativa capaz de se contrapor ao favoritismo do tucanato na sucessão do governador Simão Jatene, o ex-senador Ademir Andrade também teve suas chances nesse sentido esfarinhadas com a revelação de que o PSB paraense, do qual ele é presidente regional, também foi beneficiado com dinheiro do caixa 2 petista, exatamente aquele alimentado com dinheiro público. Atual presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), cargo que lhe coube na partilha dos órgãos federais entre o PT e seus aliados, desde as denúncias que o atingem ele permanece acuado, limitando-se a desmentidos que não repelem a acusação e nem convencem o distinto público.
As suspeitas de que o PSB tenha sido, sim, beneficiário do caixa 2 petista são reforçadas pela candidatura a vereador, em 2004, do filho de Ademir, Cássio Andrade, eleito para a Câmara Municipal de Belém. A campanha de Cássio, relatam fontes do próprio PT, foi cara.

Lula desce a ladeira

De acordo com nota da coluna "Painel", da "Folha de S. Paulo" desta quarta-feira, 17, sob o título "Na descendente" (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no seguinte endereço eletrônico: www1.folha.uol.folha.br.fsp/), pesquisa encomendada pelo Palácio do Planalto sinaliza para nova queda na popularidade do presidente Lula.
A nota diz o seguinte: "A sucessão de revelações do escândalo do 'mensalão' não é a única fonte de tristeza para o governo federal. Nova pesquisa à disposição do Planalto mostra o aprofundamento do desgaste da imagem do presidente Lula."

A marcha da insensatez

A Executiva Nacional do PT rejeitou nesta última terça-feira, 16, a abertura de um processo disciplinar, na Comissão de Ética do partido, contra os sete deputados federais citados no esquema ilegal de financiamento patrocinado pelo publicitário Marcos Valério de Souza. Apesar disso, o partido finalmente fez um mea-culpa, 70 dias após o surgimento do escândalo do "mensalão". "O partido faz seu primeiro pedido de desculpas à nação, pois os atos que nos comprometem, moral e politicamente perante os brasileiros, foram cometidos por dirigentes do PT", diz a resolução aprovada ontem.
A matéria que noticia a decisão da Executiva Nacional petista é assinada pelo repórter Fábio Zanini, da sucursal de Brasília, sob o título “PT rejeita processo interno contra deputados”, na edição desta quarta-feira, 17, da “Folha de S. Paulo” (acesso restrito a assinantes do jornal e do UOL, no seguinte endereço eletrônico: www1.folha.uol.folha.br.fsp/) .
Segundo revela a “Folha de S. Paulo”, o presidente do PT, Tarso Genro, apoiou o pedido de desculpas, mas foi voto vencido na decisão de não abrir processo na Comissão de Ética, o que evidencia sua dificuldade em comandar uma sigla ainda fortemente influenciada pelo ex-ministro José Dirceu.
Tarso e o secretário-geral petista, Ricardo Berzoini, votaram favoravelmente à resolução proposta pela ala "esquerda" do PT, que pedia a imediata instalação de processos na Comissão de Ética contra os deputados Dirceu, João Paulo Cunha (SP), Paulo Rocha (PA), Professor Luizinho (SP), João Magno (MG), José Mentor (SP) e Josias Gomes (BA). Mas a proposta acabou rejeitada por 9 votos a 6, com uma abstenção.
A matéria relata que mesmo enfraquecido o Campo Majoritário conseguiu aprovar no lugar da Comissão de Ética uma proposta classificada de "aguada" pelos grupos que fazem oposição interna ao governo. Ficou estabelecida uma comissão de sindicância, que terá 20 dias para apurar responsabilidades dos parlamentares nos saques da conta de Valério. Ela reunirá documentos e poderá tomar depoimentos. Devem participar o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, o presidente da Fundação Perseu Abramo (ligada ao PT), Hamilton Pereira, e o deputado estadual gaúcho Flávio Koutzii.
Mas para que seja efetivamente aberto processo contra os parlamentares -que poderia levar à expulsão- primeiro a comissão tem de apresentar um parecer, para depois o Diretório Nacional, marcado para 3 de setembro, aprovar o envio à Comissão de Ética. Ou seja, o processo foi estendido e dificultado, uma vez que aprovar processo contra os deputados no diretório -muitos deles integrantes com direito a voto- é considerado ainda mais difícil que na Executiva.
"Há graus diferentes de responsabilidade entre os filiados petistas, e uma comissão de sindicância para fazer uma triagem, antes do eventual envio à Comissão de Ética, é mais adequada", disse o secretário de Comunicação, Humberto Costa, ex-ministro.
O PT procura distiguir organizadores do esquema ilegal -como o ex-tesoureiro Delúbio Soares, único que enfrenta processo disciplinar- dos que teriam sido levados a erro, que seria o caso da maioria dos deputados.
Tarso, mesmo derrotado internamente, procurou ressaltar aspectos positivos da comissão de sindicância. "É a primeira vez que se coloca um limite concreto para tomada de decisões", afirmou.
Sobre a derrota interna, classificou de "natural". "Foi uma decisão mediada da Executiva, não necessariamente a do presidente. Estou associado a essa decisão. No PT, temos formas diferentes de abordagem. Isso é natural."
Há cerca de duas semanas, Tarso também foi mal-sucedido em uma proposta que encampou, a de negar legenda para deputados federais que renunciem ao mandato. As alas esquerdas do PT, que ameaçam deixar o partido, reagiram duramente.

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta quarta-feira, 17:

“O Liberal” (PA) – Doleiro confessa que operou para PT cita Thomaz Bastos. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Juíza baleada dentro do tribunal. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Doleiro preso diz à CPI que atendia a dirigentes do PT. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Doleiro diz que trabalhou para petistas. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Doleiro diz ter provas de que PT mandou dinheiro ao exterior. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Novas denúncias jogam mais lama nas estrelas do PT. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Pagodeiros na farra de Bem-Te-Vi. Romário é intimado no treino. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – O contra-ataque. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Doleiro preso acusa ministro da Justiça de evasão fiscal. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Terça-feira, Agosto 16, 2005

Literatura x jornalismo: entre o carvão e o diamante *


ANTÔNIO FERNANDO BORGES

Quem pensa que a literatura de aluguel de um Dan Brown é uma invenção recente, filha espúria da era da cultura de massas, talvez se surpreenda ao saber que, já no século 18, o escritor inglês Samuel Johnson sentenciava que só um idiota poderia escrever por outro motivo além do dinheiro. Conhecedor ou não da frase do extravagante personagem, o russo Anton Tchekov parece ter seguido à risca o conselho: para garantir seu sustento, escrevia contos humorísticos “a metro”. No artigo de abertura da coletânea “Lendo Tchekov”, a americana Janet Malcolm vai mais longe, afirmando que ele começou a escrever interessado exclusivamente no retorno financeiro imediato, e até arrisca: “Se tivesse surgido outro meio de ganhar a vida, Tchekov teria preferido”. Sorte da literatura.
O caso de Tchekov, certamente, não é único: seu conterrâneo Fiódor Dostoiévski e o francês Honoré de Balzac são dois outros exemplos bem conhecidos de autores que escreviam de olho menos na glória literária do que nos credores – circunstância que ajuda a explicar o caráter irregular de suas respectivas obras, cheias de altos e baixos. Preocupados em não correr esse mesmo risco, muitos escritores trataram de conciliar a vocação literária com carreiras profissionais mais prudentes. Para ficarmos apenas entre os ilustres, citemos o pobre Kafka, que era empregado modesto de uma companhia de seguros; o dublê de bancário e poeta T.S. Eliot; e, entre nós, Guimarães Rosa e João Cabral, diplomatas de carreira.
A lista dos que optaram por “esquizofrenizar” suas habilidades, dividindo-se entre a arte e o ganha-pão, é bastante extensa – e talvez só perca em tamanho para a dos escritores que acabaram se fixando nas cercanias da literatura, combinando sua ficção com a prática do jornalismo. Machado de Assis, José de Alencar, Olavo Bilac, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Rezende e Nelson Rodrigues constituem apenas uma pequena parcela dessa ilustríssima e imensa galeria, que se movia em terreno pantanoso. Afinal, mesmo aparentemente próxima, a literatura costuma se distanciar do jornalismo como o diamante do carvão: feitos da mesma substância (a linguagem, o carbono), acabam por se diferenciar profundamente em utilidade, em valor – e, sobretudo, no brilho. Que o digam os depoimentos dolorosos deixados por tantos literatos, em volumes de memórias e entrevistas.
Tudo isso vem tornar ainda mais surpreendente a trajetória de um Erico Veríssimo (1905-1975), cujo centenário de nascimento se comemora este ano. Além de grande romancista (sua saga “O tempo e o vento”, por exemplo, é inestimável), Erico foi um caso raro de escritor brasileiro que conseguiu superar este conflito e atingir a invejável condição de viver da venda de seus livros, sem que isso tenha significado abrir mão da qualidade. Talvez seja mesmo um caso único – já que é difícil estender essa virtude a um Jorge Amado ou um Paulo Coelho.
Nascido em dezembro de 1905 na província gaúcha de Cruz Alta, Erico cedo se mudou para Porto Alegre e precocemente começou a trabalhar na revista da Editora Globo. Fazia um pouco de tudo: editava, traduzia, copidescava e, assim que lhe permitiram, arriscou ali mesmo suas primeiras e ainda mal-traçadas linhas. A Globo, aliás, acabou sendo, durante décadas, a casa editorial de Erico, onde ele publicou a maioria de seus livros, desde a estréia com “Fantoches” (contos, 1932) até o memorialístico “Solo de clarineta” (1973). Se a primeira edição encalhou, já a partir do livro seguinte, o romance “Clarissa” (1933), ele pôde saborear o sucesso de vendas, em animadora escalada. Em pouco tempo, alguns de seus livros (que ele às vezes publicava à média de um por ano) chegaram a esgotar várias edições, até se tornarem verdadeiros best-sellers nacionais. É bem verdade que nem todos têm os méritos de “O tempo e o vento”, mas não há dúvida de que, desde o início, Érico já dava mostras de grande talento narrativo: exemplo disso é a prosa deliciosa da “saga de Jacarecanga”, formada por “Clarissa”, “Música ao Longe” (1935), “Caminhos Cruzados” (1935) e “Um lugar ao sol” (1936). Rejeitado a princípio pela crítica, ao morrer em novembro de 1975 o bravo gaúcho tinha se reconciliado com ela – se não como uma unanimidade, ao menos com admiração e respeito.
Infelizmente, a história de Erico é apenas a parte mais bem-sucedida da ampla e atribulada relação entre literatura e jornalismo no Brasil: a maioria de seus companheiros de ofício não teve sua “sorte”, restando-lhes amargar longas jornadas nas redações dos jornais e revistas, ao longo das décadas, para não ficarem à míngua nem morrerem tísicos ou de inanição, num estilo romântico meio fora de moda. Os interessados em saber mais sobre essa longa e trágica epopéia não devem deixar de ler o ensaio “Pena de aluguel”, de Cristiane Costa, que acaba de sair pela Companhia das Letras. O subtítulo (“Escritores jornalistas no Brasil 1904-2004”) já anuncia a proposta: além de apresentar um grande painel de um século dessa relação tanto amorosa quanto atormentada entre imprensa e arte literária, a autora retoma a curiosa enquete promovida em 1904 pelo jornalista-escritor João do Rio e mais tarde reunida no livro “O momento literário”, hoje um importante documento sobre nossa vida intelectual na alvorada do século 20. A principal pergunta que João do Rio dirigiu a seus pares foi: o jornalismo é bom ou ruim para a literatura? Ampliar e atualizar essa reflexão é a tarefa que Cristiane Costa leva a cabo em seu alentado estudo.
Seria impossível resumir, nos limites deste artigo, a riqueza do material compilado, mesmo porque nenhum resumo substituiria a leitura deleitosa do original. Mas vale a pena destacar alguns dos aspectos problematizados por Cristiane Costa. Em sua retomada da pesquisa de João do Rio, a autora entrevista 32 jornalistas-escritores de todo o país, mostrando como suas respostas abrem para uma série de outras questões. Por exemplo: as relações entre arte e mercado, ou entre a linguagem condicionada da imprensa e a liberdade criadora, imprescindível à literatura; a dramática alternativa tempo x dinheiro; enfim, o conflito entre o imediatismo do texto jornalístico e a literatura que (ao menos em tese) aspira à eternidade. Feitas as contas, muitos dos entrevistados acabam se confessando divididos, na medida em que apontam ao mesmo tempo vantagens e desvantagens nessa (falta de) opção: se o emprego numa redação rouba tempo á literatura, o salário no fim do mês garante um pouco de serenidade ao espírito. Além disso, escrever diariamente, ainda que por obrigação, ajuda a aprimorar a técnica e a delinear o estilo. O que não é nenhuma exclusividade: na vida de qualquer ser humano, as graças e as desgraças costumam vir sempre embaralhadas.
Viver entre o carvão e o diamante: na vida dos escritores-jornalistas, esse conflito é sem dúvida antigo e – como Cristiane Costa faz questão de ressaltar – também atormentava o próprio Erico Veríssimo. Premido pela jornada de dez horas diárias na redação da “Revista do Globo” e pela necessidade de sustentar a família, só bem mais tarde o gaúcho viria a admitir que escreveu seus primeiros livros às pressas, em “aparas de tempo”. Só quando passou a viver da venda dos livros é que ele pôde “caprichar mais”, como está registrado nas páginas da coletânea de artigos “A liberdade de escrever”, publicada postumamente (1997): “Esse novo caminho dos meus últimos romances não foi uma resposta aos críticos e sim a mim mesmo, à minha autocrítica. Está claro que quem mudou fui eu. Eu sabia que podia dar em meus livros mais do que estava dando”. Numa época em que tantos escrevem de olho na máquina registradora, movidos por aquela “sede de nomeada” de que falava Machado de Assis, Erico permanece como um exemplo de integridade e grandeza.
Não sendo filósofa nem psicóloga, Cristiane Costa acaba passando ao largo de uma questão crucial para o perfil de todo escritor: afinal, que vocação ou danação será essa, capaz de fazer muita gente continuar sacrificando a vida à missão inglória de fazer literatura, para além de qualquer obstáculo? Certamente, a pergunta renderia material para um outro livro. Mas, em sua famosa entrevista para a “Paris Review”, em 1956, William Faulkner arriscou uma possível resposta, ao dizer que o artista é “uma criatura arrastada por demônios”, capaz de sacrificar honra, orgulho, decência, segurança, felicidade e todo o resto para escrever seu livro: “Se um escritor tiver que roubar sua mãe, não hesitará”. Exageros de bêbado neurótico à parte, o genial (e genioso) americano acertou em cheio ao definir as dificuldades que um artista enfrenta como uma espécie de “processo de seleção natural”, capaz de separar o joio do trigo – quer dizer, os talentosos e sinceros da grande legião de simples caçadores de fama.
O rigor exemplar de Erico Veríssimo, não se acomodando e aperfeiçoando seu trabalho quando já era praticamente um campeão de vendas, vem nos lembrar que o sucesso financeiro não é tudo para o verdadeiro escritor. E que Otto Maria Carpeaux tinha uma boa dose de razão quando afirmou, num artigo sobre Camus: “Só os cínicos e os iletrados acreditam que um escritor trabalha ‘para ganhar dinheiro’. Não é verdade não. Até o fabricante mais inescrupuloso de best-sellers faz questão de ser reconhecido ou entendido, o que não é apenas um problema de vaidade”.
O resto é silêncio – por sinal, título de outro belo romance de Erico. Que falta ele nos faz.

* Reproduzido do site “No mínimo” (www.nominimo.com.br).

Em forma

Ao que parece o ex-senador Ademir Andrade, atual presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), e que é também presidente regional do PSB do Pará, já convalesceu do surto depressivo que o abateu nas duas últimas semanas, por conta do qual chegou a ficar alguns dias acamado.
Segundo fez chegar à imprensa, após a viagem a Recife, onde participou das cerimônias de sepultamento do ex-governador Miguel Arraes, Ademir Andrade pretende fazer um pronunciamento público sobre a revelação de que o PSB do Pará foi um dos beneficiários do valeirioduto.

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta terça-feira, 16:

“O Liberal” (PA) – Oposição quer reabertura das contas de Lula em 2002. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Oposição descarta impeachment. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – PF pede o bloqueio de conta de Duda em Miami. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – PF pede bloqueio de conta de Duda. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Lula decide que não precisa se explicar mais. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Lula empurra a crise com a barriga. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Cafetina diz ter fotos de deputado nu e ameaça revelar listão de festinhas. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Oposição baixa o tom. Lula silencia. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Oposição esfria discurso em favor do impeachment de Lula. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Segunda-feira, Agosto 15, 2005

ENTREVISTA/Roberto Corrêa 1: “Barata foi tão somente um mito”

“Barata é apenas um mito, e não o símbolo de uma época como foram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek — em vinculação direta e simbólica com o processo de modernização, industrialização e urbanização do Brasil. Barata foi tão-somente um mito, um estilo ultrapassado de operar a política, uma legenda que desaparecerá com os remanescentes de seus antigos correligionários, hoje com idade entre 75 e 80 e poucos anos. Com esses predicados é que Barata entrou para a História do Pará e menos para a do Brasil.”
Essa é a leitura feita pelo professor Roberto Corrêa, 60, sobre o ex-governador Joaquim de Magalhães Cardoso Barata. Economista formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), ele fez carreira como bancário no Banco da Amazônia S/A (Basa), do qual é aposentado. Professor da UFPA, Corrêa é também mestre em Ciências Políticas pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (IUPERJ). Um intelectual inquieto, e por isso compulsivamente reflexivo, e como tal prospectivo, ele também se revela obsessivamente preocupado em permanecer conectado com a realidade que o cerca, uma provável herança do seu passado de militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB), o lendário Partidão, do qual fez parte por 29 anos. Para sorte de todos nós, o intelectual se sobrepôs ao militante, contribuindo assim para elevar o nível do ensino superior, sempre na perspectiva de que este deve estar a serviço da sociedade da qual faz parte.
Com a mesma coragem revelada nos tempos da militância comunista, boa parte dela feita nos tempos sombrios da ditadura militar e com o PCB na clandestinidade, Corrêa se debruçou sobre o fenômeno que foi Magalhães Barata, lançando seu olhar crítico sobre o ex-interventor e ex-governador do Pará, a quem etiqueta de “preboste”, termo em desuso, que serve para designar antigos funcionários reais ou senhoriais. Nada mais parecido com Roberto Corrêa que essa fina ironia, que se complementa com a fala mansa, pausada, capaz de tornar palatável o tom professoral. “A leitura que faço de Barata é, portanto, a de um líder que não chega a ser carismático, mas apenas populista, no sentido de que oferecia aos pobres, aos bestializados — as massas trabalhadoras alienadas do processo político, herança maldita da República Velha —, uma caricatura imitativa ou versão cabocla dos líderes do nazi-fascismo europeu do tipo Mussolini e Hitler”, salienta Roberto Corrêa, na entrevista que se segue, concedida ao Pautalivre.com.

Qual a leitura que o senhor faz do Barata e do mito no qual ele se transformou e sobrevive ao tempo, passados mais de 46 anos da sua morte e apesar do corte histórico que representou o golpe militar de 1964?

Originalmente, Magalhães Barata seria uma espécie de preboste do nosso “napoleãozinho”, Getúlio Vargas, que tal como o verdadeiro no contexto europeu, também baixote, foi o protagonista das ações que fundam o Estado moderno, unificando o mercado nacional, introduzindo a racionalidade no serviço público, e redefinindo a representação de interesses com base nas classes sociais nos campos da política e da economia, em substituição a representação das velhas oligarquias regionais. Diferentemente de outros Estados brasileiros para onde foram designados interventores civis, o interventor do Pará era, como nos demais Estados do Norte e do Nordeste, tenente e preboste do preboste-mór de Getúlio, o tenente Juarez Távora, designado em 1930 para controlar a política do Norte em cargo que lhe valeu o jocoso título de Vice-Rei do Norte. Barata, pela marca ideológica do tenentismo, tinha por missão estratégica combater as velhas oligarquias, tendo como receituário o apelo às massas, o governo forte de inspiração fascista, e o combate sem tréguas aos comunistas e aos opositores, quase sempre pretendentes à recomposição oligárquica.
A leitura que faço de Barata é, portanto, a de um líder que não chega a ser carismático, mas apenas populista, no sentido de que oferecia aos pobres, aos bestializados — as massas trabalhadoras alienadas do processo político, herança maldita da República Velha —, uma caricatura imitativa ou versão cabocla dos líderes do nazi-fascismo europeu do tipo Mussolini e Hitler. Barata é apenas um mito, e não o símbolo de uma época como foram Getúlio e Juscelino — em vinculação direta e simbólica com o processo de modernização, industrialização e urbanização do Brasil. Barata foi tão-somente um mito, um estilo ultrapassado de operar a política, uma legenda que desaparecerá com os remanescentes de seus antigos correligionários, hoje com idade entre 75 e 80 e poucos anos. Com esses predicados é que Barata entrou para a História do Pará e menos para a do Brasil.
Os que ainda vivo se lembram de Magalhães Barata, descrevem a empáfia e a figura de um semi-ditador, de semblante grave, cercado de asseclas, capangas e de puxa-sacos, indo ao povo dos bairros pobres de Belém e aos mais recônditos rincões de um Pará majoritariamente interiorano e dendrófilo, para promover cenas patéticas para os padrões de hoje, mas que, à época, produziam o efeito cênico desejado entre os que no cenário político nacional das novas regiões urbanas brasileiras eram chamados, dependendo da região geográfica, de matutos, caipiras ou caboclos — os recém-capturados pela migração rural-urbana demandada pelo incipiente processo de industrialização dos anos 30, 40 e 50 do século passado.
Esse arranjo teatral-político compunha a imagem de um “guia“ que tinha por hábito andar em meio ao povo humilde. Com linguagem chula, ou rabacué, como se falava à época, atacava seus adversários e proclamava sua incondicional dedicação às causas dos desvalidos: o “pai dos pobres” que em comício de bairro dizia com sua voz rouca — as mulheres da Pedreira estão com a perna fina (fazendo o gesto de unir o polegar ao indicador) de passar fome! Provocando risos... No interior, fabricou seu grande e fiel reduto, com base no mais despudorado clientelismo com práticas que iam da distribuição de remédios, alimentos, roupas e dinheiro. Barata não é um símbolo, mas apenas um mito que tende a desaparecer com a geração que ainda o viu ativo, os septuagenários de hoje.
Ainda mais, Barata aparece como figura menor de um movimento que ficou conhecido na história brasileira, a partir da década de 20 do século passado, como tenentismo. Um movimento que seria habilmente utilizado por Getúlio Vargas, a quando de sua ascensão revolucionária ao poder, em outubro de 1930, para implemento das ações políticas da nova ordem revolucionária que desembocaria na ditadura do Estado Novo de 1937.
Com farda ou sem farda os tenentes eram a mistura do militarismo e da demagogia revolucionárias de 1922, 1924 e 1930. Protagonistas da anarquia militar que mais tarde, desembocaria na cena-síntese descrita por Elio Gaspari do golpe militar de 1964, na qual Geisel se dirigindo a Costa e Silva, pergunta:
— Por que o senhor não vai assumir o I Exército?
Ao que o general retrucou em tom elevado:
— Porra! Porque vou assumir essa coisa toda.
Nem tudo, porém é negativo nesta análise que faço da figura de Barata, onde certamente, muito há de sensações remotas, visto tratar-se o entrevistado de alguém que se situa apenas no plano da testemunha auditiva do que sobrou vivo do confronto verbal entre baratistas e antibaratistas e nas esparsas leituras de historiadores da época, e que reconhece a escassez de análises acadêmicas sobre essa figura e essa época de nossa história comum. Um aspecto positivo em Barata foi sua preocupação com o ensino de primeiro grau, manifesta em “dar uma incerta” nas escolas. Outras, as medidas ditas “populistas” como os decretos para redução em 25% e congelamento por um ano dos preços dos aluguéis residenciais situados na faixa popular. Outras de inspiração anti-patrimonialista, como a cassação de concessões da exploração de castanhais da zona do Tocantins feitas pelos governos anteriores aos seus apaniguados, a cassação das concessões de vastas áreas urbanas de Belém aos Lobos e Guimarães e as medidas contrárias aos interesses das velhas oligarquias e suas bases de poder, onde no ápice se deu o confisco dos bens dos ex-governadores Dionísio Bentes, Eurico Valle e Antonino Emiliano de Souza Castro. Como medida populista mais explícita em Barata, as audiências concedidas a qualquer pessoa do povo, inaugurando a agenda do clientelismo-populista do tipo “caso a caso”.
Quanto ao golpe de 1964 devo dizer que este foi a resposta lógica e natural a disfunção das instituições políticas brasileiras naquela época — denominada por Wanderley Guilherme dos Santos de paralisia decisória. Como hoje, essas instituições políticas não dão conta do conflito de interesses que se antepõe à governabilidade presidencialista que na sua forma atual parece com a denominação de “presidencialismo de coalizão”, uma vez que o presidente, eleito por um Congresso altamente fragmentado, precisa usar a caneta como moeda de troca para obter apoio parlamentar e com isso a governabilidade.
Em outras palavras, os mecanismos de transformação de votos em cadeiras legislativas e destas em coalizões partidárias não conduz a governabilidade, mas ao empreendedorismo político da pior espécie (como demonstra o “mensalão”). Vale lembrar que o regime militar de 64 trouxe consigo o bipartidarismo enquanto estratégia inicial do jogo político que tinha por objetivo retardar o retorno ao Estado de direito. O retorno ao pluripartidarismo em novembro de 1979 encontrou uma sociedade quantitativamente e qualitativamente diferente da existente à época do getulismo e do baratismo. Os partidos fundados nos entrementes da constituinte de 1946, desapareceram por inadequação funcional ao novo mercado eleitoral. Esta sociedade em que vivemos é a que tem no mercado econômico a principal referência para a vida ordinária do eleitor, o qual encara o conflito partidário como mera instância da lógica competitiva de mercado na esfera da divisão do trabalho que inclui o empresário político. Partidos e candidatos são agora produtos de marketing a serem experimentados, pelos consumidores-eleitores, sem o direito de testar seu funcionamento, previamente, como acontece com os bens duráveis. Magalhães Barata e baratismo são, portanto, meras referências históricas como o são toda a simbologia política dessa época que passou.

ENTREVISTA/Roberto Corrêa 2: “O populismo e o autoritarismo foram execrados”

Pode-se falar do PMDB paraense e do ex-governador Jader Barbalho, presidente regional do partido no Pará, como desdobramentos reciclados do baratismo e dos métodos baratistas, aí incluído o populismo?

Não apenas Jader, mas (Simão) Jatene (do PSDB, atual governador do Pará), Almir (Gabriel, do PSDB, ex-governador do Pará) e qualquer outro candidato, para qualquer cargo eletivo, que se proponha a eleger-se ou reeleger-se, termina, em face da legislação eleitoral vigente, sendo atraído pela tentação clientelista — o único aspecto que remanesce da tradição baratista. Os outros aspectos, como o populismo e o autoritarismo arrogante, foram execrados pela construção da sociedade civil, da cidadania urbanizada que verbaliza a todo o momento o direito a igualdade e que tende a homogeneizar-se com a televisão e outros recursos tecnológicos de informação, e em meio a isso tudo a internet.

É possível falar em um espólio do baratismo?

Inadmissível. Seria como admitir que na França de hoje a figura de Napoleão pudesse servir de paradigma cênico de candidatos que se dirigem a uma população que tem por hábito consultar de forma esparsa o palanque eletrônico e julgar os candidatos pela orientação de seus interesses de classe. Não, o legado ou espólio baratista perdeu-se nas brumas de uma forma de viver que há muito deixou de existir. Os grotões de miséria ainda existentes no interior do Estado não são inexpugnáveis, mesmo com as investidas do empreendedorismo político representado pelas igrejas evangélicas de atuação fortemente oportunista junto aos mais pobres e analfabetos funcionais. Lá, nesses espaços de fraca cidadania, militam também as forças da modernidade solapando as tentativas de ressurgimento do populismo autoritário e de seus currais eleitorais. O eleitor médio desses rincões é tão utilitarista quanto o eleitor mais rico da cidade grande. A diferença entre um e outro é explicada pelas diferenças de taxa de desconto psicológico de um e de outro. No primeiro caso, essa taxa é alta e por isso mesmo orienta o eleitor para demandas de benefícios imediatistas; enquanto no segundo caso, do eleitor rico e informado, as demandas por benefícios estão orientadas para o futuro.
Para uma idéia da superação moral de Barata, recolho o depoimento reflexo de Afonso Chemont, filho do político Rodolpho Chermont, ligado a Magalhães Barata, o qual assim resumia a decadência política do chefe: "(...) ele guardava uma mala de dinheiro em cima do guarda-roupa, que era usada toda a vez que um correligionário lhe visitava pedindo ajuda. O dinheiro vinha do jogo do bicho. "

Paulo Rocha: contagem regressiva

O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), deverá notificar a partir de hoje os 17 parlamentares investigados pela comissão, além do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que renunciou ao cargo há duas semanas. A informação é de "O Globo" (oglobo.globo.com/jornal/) desta segunda-feira, 15, em matéria sob o título "O cerco se fecha", assinada pela jornalista Adriana Vasconcelos. Na relação figura o deputado federal Paulo Rocha (PT/PA), presidente regiobnal do PT no Pará e que foi beneficiado com saques - que chegam a R$ 920 mil - das contas do empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do mensalão, a propina paga aos parlamentares da base de apoio do governo.
Como está previsto que até sexta-feira apresente seu primeiro relatório parcial, Serraglio estabelecerá um prazo máximo, provavelmente de 48 horas, para cada um deles apresentar sua defesa. A partir daí, a comissão deverá definir os nomes que serão enviados para o Conselho de Ética da Câmara, com a sugestão de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar, e aqueles que continuarão sendo investigados, só que pela CPI do Mensalão.

Artimanhas da lei

Em matéria intitulada "Justiça Eleitoral de mãos atadas para caixa 2" e assinada pelo jornalista Luiz Orlando Carneiro, a edição desta segunda-feira, 15, do "Jornal do Brasil" (jbonline.terra.com.br) revela que a crise pela qual foram atingidos o Congresso e o Planalto expôs mais uma limitação da Justiça Eleitoral. Mesmo diante das confissões do uso de caixa 2, as ações contra parlamentares que admitiram crimes eleitoral de abuso do poder econômico só poderiam ser acolhidas na esfera do Tribunal Superior Eleitoral até cinco dias após a proclamação formal dos resultados das urnas. A partir daí, a Justiça Eleitoral já não pode fazer nada.
- Pela legislação em vigor, as incriminações só podem ser acolhidas na Justiça eleitoral quando invocadas em recursos regulares dentro dos prazos previstos, logo após a aprovação dos pleitos - observa o jurista Walter Costa Porto.
Ex-ministro do TSE, Costa Porto é um dos integrantes da comissão especial formada pelo tribunal por iniciativa do presidente do TSE, ministro Carlos Velloso, para propor ao Congresso uma reforma urgente da legislação, sobretudo no que se refere ao controle preventivo e posterior da prestação de contas das campanhas dos partidos e candidatos. A primeira reunião da comissão - que será presidida pelo ministro José Gerardo Grossi, do TSE, e terá como relator o professor Ariel Dotti - foi marcada para sexta-feira, 19.
Em outra matéria, sob o título "A punição pode vir pelo Supremo", o "Jornal do Brasil" desta segunda-feira, 15, explica que, com a Justiça Eleitoral impedida de punir as irregularidades cometidas durante as eleições de 2002, apenas dois processos podem levar à perda de mandato dos parlamentares culpados. O primeiro, político, é o do Conselho de Ética que pode sugerir a cassação de mandato e perda dos direitos políticos por quebra de decoro parlamentar.
O segundo, criminal, pode ser feito na Justiça comum. Isso porque as confissões de uso de caixa 2 feitas até agora, como as do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do ex-presidente do PTB Roberto Jefferson, constituem até seis crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, crime contra a ordem tributária, crime financeiro de evasão de divisas e falsidade ideológica.

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais desta segunda-feira, 15:

“O Liberal” (PA) – CPI quer ouvir doleiro na cadeia. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Lula cria “gabinete de crise”. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – CPI dá início a processo de cassação de 17 deputados. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – Lula procura ofensiva contra a crise. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Lula se diz machucado e culpa “certos companheiros”. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Escândalos paralisam governo. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – Políticos do mensalão só gostam de garotas novas. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Mais 16 no paredão. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Governo investiu apenas 4% do previsto no orçamento. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Domingo, Agosto 14, 2005

Magalhães Barata, um mito que resiste ao tempo

Um mito que resiste ao tempo. Assim pode ser definido o ex-governador Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, que entrou para a História como o maior líder político do Pará e cuja lembrança perdura viva passados mais de 46 anos da sua morte, em 29 de maio de 1959. Visceralmente autoritário, um traço da sua personalidade certamente potencializado pela própria formação castrense, mas também com um forte sentimento de justiça social, ele foi incensado pelos correligionários, odiado pelos adversários e venerado pelas massas humildes. Após pontuar a política paraense por quase 30 anos, para o bem ou para o mal, Barata assumiu os contornos de um mito, na esteira do seu pioneirismo administrativo, traduzido na interiorização do Executivo, através do governo itinerante, e pelas audiências públicas, com as quais abriu as portas do poder ao povo.
O populismo de Barata obviamente cevou o mito no qual ele se transformou. E certamente neutralizou, com a força do apelo popular que ganhou seu nome, as resistências das elites, que a ele se opunham. Em uma das suas leituras sobre o fenômeno que representou Barata, o jornalista e historiador Carlos Rocque, já falecido, recordou que Barata, ao exercer o poder de forma autocrática, desapropriava terras, para destiná-la a posseiros, e congelava os preços de medicamentos e aluguéis, posturas inéditas para uma época em que a questão social era tratada como caso de polícia. Isto é, ele se valia dos poderes discricionários que dispunha, ou se atribuía, tanto para intimidar seus adversários, como para beneficiar os excluídos de então.
Com um perfil próprio de caudilho, implacável com os adversários e com um rígido senso de autoridade e disciplina, Barata comandou com mãos de ferro o Partido Social Democrático (PSD) e exerceu com pompas e circunstâncias o poder. O respeito que inspirava nos seus correligionários e a força do seu carisma junto às massas inspiraram o chamado baratismo. Embora seu inspirador fosse pessoalmente probro, e inclusive tenha morrido pobre - sendo sempre citado como paradigma de honestidade pessoal -, o baratismo sempre esteve associado ao jogo do bicho e ao contrabando, que mantinham pródigos propinodutos nos quais se abastecia o PSD, legenda que politicamente se confundia com Barata no Pará. Este, presumivelmente, coonestava a corrupção, na perspectiva - muito freqüente entre os políticos de então - de que os fins justificam os meios. Barata, resumindo, era leniente em relação a corrupção, desde que não se deixasse contaminar por ela, embora dela se valendo como um recurso para manter-se no poder. Uma peculiaridade, diga-se, própria dos líderes de sua época, que não se valiam da corrupção em benefício próprio, como se tornou hábito nos tempos atuais.
Ao morrer, Barata deixou um espólio político que a rigor não teve herdeiros, diante da falta de carisma das lideranças que emergiram no PSD, legenda que abrigava os baratistas. Ao extinguir o pluripartidarismo e instituir por decreto o bipartidarismo, o golpe militar de 1º de abril de 1964 fez desaparecer o lendário PSD, depois de promover uma razia entre os principais quadros do partido, cujos direitos políticos foram cassados, a começar pelo governador Aurélio do Carmo, pelo vice-governador, Newton Miranda, e pelo prefeito de Belém, Luiz Geolás de Moura Carvalho. A eles sucedeu como vítima do arbítrio Hélio Gueiros, que também teve os seus direitos políticos cassados e ao retornar ao proscênio político, com a redemocratização, veio a ser eleito governador, em 1986, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucedâneo do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), e depois prefeito de Belém, aí já pelo Partido da Frente Liberal (PFL), para o qual migrou após um ruidoso rompimento com o ex-governador e hoje deputado federal Jader Barbalho, com o qual posteriormente se reconciliou, abrigando-se novamente no PMDB.
Com a redemocratização, até por força da polarização entre PMDB e o Partido Democrático Social (PDS, sucedâneo da Aliança Renovadora Nacional, a Arena, como base de sustentação parlamentar do regime militar), o PSD ressurgiu absolutamente descaracterizado. Ficou reduzido, desde então, a uma legenda de aluguel de políticos menores. No Pará, por exemplo, durante algum tempo ele serviu de abrigo ao atual prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), quando este ainda pavimentava sua ascensão política, valendo-se da filantropia como recurso para a captação de votos.
A força do baratismo foi tanta e tamanha, que mesmo diluída ela está na gênese de dois dos maiores símbolos do poder no Pará, antagônicos entre si. Um desses símbolos é “O Liberal”, jornal de maior tiragem do Pará e da Amazônia e que hoje integra as Organizações Romulo Maiorana, cuja emissora de televisão, a TV Liberal, é afiliada da Rede Globo. O outro símbolo do poder é o ex-governador Jader Barbalho, cuja formação política foi permeada pela ascendência de cardeais do baratismo e que mantém incólume seu prestígio junto a parcela mais humilde do eleitorado, a despeito dos percalços políticos enfrentados no plano nacional e com a Justiça, diante das denúncias de corrupção.
“O Liberal” foi fundado por Barata para defender-se dos ataques da “Folha do Norte”, o jornal do jornalista Paulo Maranhão e que em sua época teve proporcionalmente uma das maiores tiragens do Brasil, segundo revelação feita pelo jornalista Cláudio Abramo, já falecido e que foi um dos ícones do moderno jornalismo brasileiro. Um jornal partidário, editorialmente inexpressivo, em 1966 “O Liberal” foi comprado pelo empresário e jornalista Romulo Maiorana, já morto e do qual é viúva dona Lucidéia Batista Maiorana, sobrinha de Barata e hoje presidente das Organizações Romulo Maiorana (ORM), das quais é presidente executivo Romulo Maiorana Júnior .
Jader Barbalho também tem suas raízes políticas no baratismo. Seu pai, o jornalista Laércio Barbalho, já falecido e que teve os direitos políticos cassados pelo golpe militar de 1º de abril de 1964, foi baratista. O ex-governador e hoje deputado federal, por conta disso, teve sua formação política permeada pela presença de três cardeais do baratismo. Jovem ainda, ele conviveu de perto com o ex-governador Aurélio do Carmo, o ex-vice-governador Newton Miranda, este também já falecido, e Hélio Gueiros – todos três, naquela altura, no ostracismo político, por conta do golpe militar de 1º de abril de 1964.
Em sua juventude, segundo relato de testemunhas ocasionais dos encontros, era comum Jader passar o final da tarde no escritório de advocacia do ex-governador Aurélio do Carmo, no edifício Barão de Belém, na travessa 13 de Maio. Invariavelmente lá estavam Newton Miranda e Hélio Gueiros, além do próprio Aurélio, naturalmente. Esse vínculo explica o porquê de Jader, já governador, ter feito de Hélio Gueiros seu sucessor e de fazer de Aurélio do Carmo desembargador do Tribunal de Justiça do Estado (TJE).

SAIBA MAIS. LEIA:

“História do Pará” (2 volumes), livro do historiador Ernesto Cruz, edição do governo do Pará (administração Fernando Guilhon), 1973.

“Depoimentos para a História Política do Pará”, livro do jornalista e historiador Carlos Rocque, 614 págs, edição do autor, sem indicação sobre o ano da edição.

Jornal “O Liberal”, edição de 30 de maio de 1993, caderno “Painel”, pág. 4.

A truculência do baratismo

Como era inevitável, a intolerância de Barata se reproduzia entre seus correligionários em efeito piramidal. Disso é exemplo o episódio do qual foi vítima o jornalista Paulo Maranhão, dono da “Folha do Norte” e tenaz adversário de Barata, agredido com um banho de fezes humanas. A truculência do baratismo era tanta que o prédio da “Folha do Norte” – na esquina da rua Gaspar Viana com a travessa 1º de Março, onde por muitos anos funcionou o jornal “O Liberal”, a partir de 1973 – chegou a ser tiroteado pelos baratistas. Enquanto a "Folha do Norte" existiu, a família Maranhão conservou as marcas de balas nas paredes da redação do jornal que em seu apogeu era, por força da sua expressiva tiragem, um poderoso formador de opinião, valorizado pelo talento de Paulo Maranhão.
Como retaliação dos baratistas aos ataques de Paulo Maranhão, na noite de 11 de abril de 1950, após descer do carro que o conduzira até sua casa, na avenida Nazaré, onde hoje fica o prédio da Clínica dos Acidentados, em frente ao Conjunto Arquitetônico de Nazaré, o CAN, na época praça Justo Chermont, o jornalista foi atacado por três homens, um dos quais despejou-lhe um balde com fezes.
A versão consagrada e que ficou para a História foi de que a agressão a Paulo Maranhão se fez à revelia de Barata, ainda que para agradá-lo. Uma hipótese verossímel, porquanto a intolerância dele para com a oposição se reproduzia entre seus correligionários. A agressão deu margem a um dos mais contundentes editoriais de Paulo Maranhão contra Barata, intitulado “Ato porco de um governo porco”, no qual o jornalista sentenciou: “Cada um dá o que tem, e o governo do nosso Estado não tem senão merda para dar”.
A ilação feita pelos remanescentes da época é de que a intenção teria sido constranger Paulo Maranhão, no pressuposto de que a humilhação imposta pela agressão o fizesse silenciar a respeito do episódio, o que o tornaria vulnerável ao escárnio quando o fato fosse tornado público. E coube justamente a Armando Corrêa, um dos nomes mais importantes na hierarquia do governo e a quem algumas versões atribuem a autoria intelectual da gressão a Paulo Maranhão, tornar o episódio do domínio público. Armando Corrêa anunciou, em pronunciamento feito por rádio, que fora instaurado um inquérito, a pretexto de que a agressão seria um crime de ordem pública, cuja apuração independia da vontade da vítima.
Foi a partir do noticiário sobre a instalação do inquérito que Paulo Maranhão apresentou publicamente sua versão. Desde então, enquanto Armando Corrêa foi vivo, a “Folha” só se referia a ele como “Armando Trampa”, acrescentando ao sobrenome Corrêa um dos sinônimos de excremento.
Mais vexatória teria sido, conforme reza a lenda, a retaliação a um outro jornalista da “Folha do Norte”, já morto. Sem provas documentais ou testemunhais a respeito, os relatos falam que o jornalista foi capturado por capangas de Barata e levado a uma cela da Central de Polícia, que funcionava no prédio que hoje abriga o Procon. Ali, um ladrão, preto, teria sido escalado para figurar em uma montagem fotográfica que sugeria a prática de sexo anal, na qual o jornalista surgia como participante ativo.
Essas arbitrariedades, e o silêncio leniente de Barata, refletem a idiossincrasia que movia o ex-governador, segundo depoimentos de seus próprios correligionários. O ex-governador Aurélio do Carmo, por exemplo, ao louvar a fidelidade aos amigos por parte do seu patrono político, em um depoimento sobre Barata, admitiu que este reservava a lei para os adversários, mas que costumava condescender, naquilo que fosse possível, em relação aos que lhe eram caros. “Ele era amigo dos amigos”, proclamou Aurélio, na ocasião.

Uma postura imperial

São muitos os relatos feitos sobre a postura imperial de Joaquim de Magalhães Cardoso Barata no exercício do poder. É atribuído ao ex-governador, por exemplo, o chiste segundo o qual gravidez não é doença, que supostamente lhe serviu de argumento para recusar uma licença médica pleiteada por uma professora primária que se encontrava gestante.
Algumas dessas histórias sobre o comportamento autocrático de Barata foram confirmadas por Dalila Ohana, a viúva de fato do ex-governador, em depoimento ao jornalista e historiador Carlos Rocque. Na ocasião, ele relatou pelo menos dois episódios que falam por si.
Na sua primeira interventoria, relatou dona Dalila, Barata foi procurado em palácio por uma senhora, que portava uma promissória muito velha. Ela disse-lhe que havia emprestado seis contos de réis a um português, que se recusava a pagá-la. Barata então mandou chamar o português, que se fez representar por seu advogado. Barata repeliu a intermediação e exigiu a presença do português inadimplente. Diante do mesmo, o então interventor foi incisivo:
- Ou o senhor paga a promissória, ou o senhor vai preso!
- Mas esta promissória está prescrita – argumentou o português.
- Prescrita? O que é prescrita? – indagou Barata.
- Não vale mais – explicou o português.
- Ah, não vale mais? O senhor não tomou dinheiro emprestado a ela? Dou-lhe 24 horas para pagar – sentenciou Barata.
No dia seguinte, conforme dona Dalila, o português enviou a quantia que devia por um emissário. Barata mandou um oficial de gabinete à casa da viúva, para buscá-la. Ao recebê-la em palácio, entregou o dinheiro e determinou ao seu ajudante de ordens que, no próprio carro do governador, levasse a senhora a um banco, para que ela pudesse depositar a importância recebida.
Outro relato feito por dona Dalila, que retrata de forma eloqüente o culto à hierarquia de Barata, refere-se a um almoço do ex-governador com correligionários. Na ocasião, fazia muito calor e os convidados trataram de se desvencilhar dos paletós. Ao ver todos de mangas de camisa, por sobre a porta de vaivém, Barata subiu para o segundo andar, lavou as mãos e desceu de paletó. “Vamos almoçar”, disse Barata, conforme o depoimento de dona Dalila. “Aí foi aquela corrida aos paletós”, acrescentou ela.
Dona Dalila relata, prosseguindo seu depoimento, que no dia seguinte o mesmo grupo voltou a almoçar com Barata. Na hora em que o ex-governador chegou, estavam todos de paletó. Ele subiu para o segundo andar, lavou as mãos e o rosto, e desceu sem paletó. “Vamos almoçar. Podem tirar o paletó”, concedeu Barata, conforme conta dona Dalila, acrescentando: “Era assim o Barata. Ele só queria disciplina, ordem. Na véspera achara ser um abuso ser recebido sem paletó.”

Dalila, o grande amor de Barata

Um capítulo à parte na história de Barata foi Dalila Nogueira Ohana, uma bela e corajosa mulher, filha de classe média, que desafiou os preconceitos da época e durante 21 anos manteve uma relação estável com o ex-governador, formalmente casado, mas separado da mulher. Com amor e paciência, segundo seu próprio relato, ela soube administrar a fama de sedutor do ex-governador. “O Barata foi um homem que sempre adorou as mulheres, assim de modo geral. Mas amor, amor, sentiu por mim. Diziam que ele andava com mulheres, e eu retrucava: ‘O que eu posso fazer? Ele é muito querido’”, contou em depoimento ao jornalista e historiador Carlos Rocque.
Na ocasião, dona Dalila relatou o traumático desfecho da relação, quando foi obrigada a deixar a residência governamental de forma humilhante, com Barata no seu leito de morte, para que pudesse entrar em cena a mulher de direito do ex-governador. “O senhor arcebispo, o coronel Moura Carvalho, o senador Lameira Bittencourt, 0 doutor Armando Corrêa, a esposa de Barata, todos ouviram-no chamar por mim, em seus delírios. As duas filhas também testemunharam. O Barata morreu chamando por mim. Ele sempre me teve ao seu lado, durante 21 anos, nas épocas boas e más”, desabafou dona Dalila, em seu relato a Rocque. A versão de dona Dalila sobre esse episódio foi por ela pormenorizado em um livro, intitulado "Eu e as últimas 72 horas de Magalhães Barata", que hoje é uma raridade.
No depoimento feito a Rocque, dona Dalila falou da dor de ser virtualmente expulsa de sua própria casa, impedida de acompanhar a agonia do companheiro de 21 anos. "Mas todos esses amigos do general Barata eu perdoei, à exceção do doutor Armando Corrêa. A esse jamais perdoarei, porque ele me ofendeu muito mais, atacou-me pessoalmente em uma nota que publicou no jornal 'O Liberal' atingindo a minha honra", desabafou.
Em torno da vida em comum com Barata, dona Dalila foi definitiva no seu depoimento a Rocque. "Era um homem maravilhoso. Por isso é que, depois dele, não quis ter outro lar. Os outros homens me pareciam tão vulgares...", resumiu.

ORM e Jader: conflito e origem em comum

Para entender a disputa que se trava entre as Organizações Romulo Maiorana (ORM) e o ex-governador e hoje deputado federal Jader Barbalho (PMDB), a despeito de compartilharem a mesma origem política, convém retroagir a 1982, quando voltou a vigorar a eleição do governador pelo voto universal. Naquela altura, o Partido Democrático Social (PDS) lançou o empresário Oziel Carneiro como candidato ao governo e o senador Jarbas Passarinho como postulante à reeleição para o Senado Federal. Com o apoio do então governador Alacid Nunes, inimigo figadal de Jarbas Passarinho e que por conta disse abandonara o PDS, Jader Barbalho foi o candidato a governador pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que para o Senado lançou Hélio Gueiros, Itair Silva e João Menezes, fazendo uso da sublegenda, recurso do regime militar para abrigar as tendências conflitantes que formavam o PDS. Pela sublegenda, o mais votados dos três somaria aos seus votos a votação destinadas aos demais candidatos da mesma legenda.
Nessa altura, Romulo Maiorana já profissionalizara o jornal “O Liberal”, por ele adquirido em 1966, até torná-lo líder do mercado. E também já comprara a “Folha do Norte”, em uma evidente ironia, diante de seus vínculos com o baratismo e do parentesco da sua mulher com Barata, a quem o jornal, em seu apogeu, tanto combatera. Dona Lucidéia Batista Maiorana, mulher de Romulo Maiorana e depois da morte deste presidente das ORM, era sobrinha de Barata.
A relação de Romulo Maiorana com os baratistas era tão estreita que durante muito tempo a coluna “Repórter 70”, historicamente a mais prestigiada de “O Liberal”, foi também redigida por Hélio Gueiros e Newton Miranda. Isso em pleno regime militar, pelo qual os dois tinham sido banidos da vida pública. Redigir a seção “Em poucas Linhas” cabia ao próprio Romulo, que como jornalista exibia um estilo cheio de verve.
Essa estreita relação sofreu um profundo desgaste, provocando cicatrizes indeléveis, nas eleições de 1982, quando o patriarca dos Maiorana foi compelido a apoiar o empresário Oziel Carneiro, candidato a governador pelo PDS, sucedâneo da Aliança Renovadora Nacional (Arena) como legenda de sustentação parlamentar do regime militar.
Como obtivera a concessão da TV Liberal, o que fazia dele refém do regime dos generais, Romulo acabou entrando em rota de colisão com Hélio Gueiros, um dos candidatos ao Senado na chapa pela qual Jader Barbalho era o candidato a governador. Em um dos seus ataques a Romulo, Gueiros justificou o rompimento alegando que fora estimulado a sair candidato pelo jornalista, mas que este, por força das pressões, refugara no apoio, que propunha se dar “por debaixo dos panos”. Indignado, Gueiros partiu para o ataque, de forma impiedosa e às vezes desleal, como é do seu estilo.
Gueiros, naquela altura, desfechou violentos ataques contra Romulo, alguns dos quais de caráter pessoal, através do então recém-fundado “Diário do Pará”, o jornal da família Barbalho. Romulo ignorou os ataques, e cumpriu o papel que lhe foi imposto de apoiar a candidatura de Oziel Carneiro. Durante a contagem dos votos, “O Liberal” publicou diariamente uma apuração paralela, feita pelo comitê do candidato do PDS, que conflitava com os números oficiais e sempre apresentava Jader em desvantagem. Nada disso, porém, foi capaz de impedir a vitória de Jader e a eleição para o Senado de Hélio Gueiros, que favorecido pelos votos das sublegendas.
Ao morrer prematuramente, em 1986, vítima de câncer, Romulo mantinha uma relação puramente comercial com o já governador Jader Barbalho, cujas realizações só eram noticiadas em “O Liberal” como matérias pagas, embora nem sempre identificadas como informe publicitário. Gueiros, eleito governador em 1986, ao romper com Jader se reaproximou dos Maiorana, cujo caixa regou prodigamente, em seus mandatos como governador do Estado, de 1987 a 1990, e prefeito de Belém, de 1993 a 1996.
Depois de 1982, "O Liberal" e Jader Barbalho voltaram a se defrontar nas eleições de 1990, quando o jornal encampou de forma desabrida a campanha do empresário Sahid Xerfan, candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) ao governo do Pará, com o apoio de Gueiros, então no PFL. Na época, os Maiorana fizeram voltar a circular a "Folha do Norte", à qual caberia, por assim dizer, servir de palanque impresso contra Jader. No frigir dos ovos, porém, o papel de palanque impresso coube mesmo a "O Liberal", com irremediáveis prejuízos à credibilidade do jornal, já arranhada na campanha de 1982.
Apesar disso, Jader venceu as eleições de 1990 e, no governo, chegou a deflagrar um boicote ao grupo de comunicação dos Maiorana, nos quais deixou de anunciar por uma razoável período. O boicote não chegou a prosperar, mas deixou como legado mágoas insepultas, tonificadas pelas ofensas de baixo nível disparadas por Laércio Barbalho, pai de Jader, através do "Diário do Pará", contra a memória de Romulo Maiorana, contra dona Déia e logo mais tarde contra Romjulo Maiorana Júnior, assim que este foi ungido herdeiro-mor do pai. Nas eleições de 1994, o jornal deu um discreto endosso a Jarbas Passarinho (PDS), candidato ao governo, com o apoio de Jader, candidato ao Senado. Passarinho venceu o primeiro turno, por uma pequena margem, mas acabou derrotado por Almir Gabriel, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), no segundo turno. Em 1998, quando Jader foi derrotado por Almir Gabriel, que acabou reeleito governador, "O Liberal" deu calor à candidatura do tucano, porém de forma mais discreta.
Por ser um dos proprietários do grupo de comunicação que disputa o mercado com as ORM, Jader Barbalho é tratado de forma francamente hostil pelos Maiorana. Para tanto certamente contribui o fato do maior cliente das ORM ser hoje o governo Simão Jatene, que nisso também seguiu o exemplo do seu antecessor, o ex-governador Almir Gabriel, ambos do PSDB e adversários de Jader, que já foi patrono político dos dois. Dependendo dos interesses em jogo, eventualmente recrudesce o tiroteio entre as partes, com troca de denúncias feitas, em geral, através dos jornais “O Liberal” e “Diário do Pará”.
O distanciamento crítico cultivado pelas ORM em relação a Jader se estende hoje ao seu presumível herdeiro político, o filho Helder Barbalho, ex-vereador de Ananindeua, ex-deputado estadual e hoje prefeito de Ananindeua. Desde a posse de Helder, os veículos de comunicação que compõem as ORM passaram a conceder um maior espaço às críticas contra a nova administração.

O pai

Há alguns anos atrás, vi uma cena pela TV que se tornou inesquecível para mim. Vi um pai, em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Segurava um cartaz no qual pedia justiça para o seu filho, um dos meninos emasculados daquele episódio de horror ocorrido em Altamira (PA), no inicio da década de 90.
O homem estava absolutamente só. Indiferente ao fato do seu gesto surtir algum efeito, ou não. Apenas envergava com muita dignidade aquele cartaz. Em silêncio.
Aquele pai, simbolicamente, continua lá, no mesmo lugar, clamando por justiça para a sua criança, como a aguardar uma resposta dos homens ou de Deus.
Pensemos nisso, neste 14 de agosto, Dia dos Pais. (Laura Almeida*)

* LAURA ALMEIDA é assistente social e colaboradora deste blog.

A esperança em frangalhos *

AUGUSTO NUNES

Como um escultor que implode a obra-prima, Duda Mendonça destruiu o Lula que inventou. O publicitário demorou 10 meses até concluir o monumento que celebrava a ética, a decência, a nova política; a Mudança. Para reduzi-lo a escombros, bastaram 10 horas.
Nestes dois anos e meio, Duda fez retoques que mantiveram intacta a criatura. Sabia que faltava a Lula o alicerce das idéias sólidas. Não tardou a descobrir que o monumento fora erguido em chão movediço e traiçoeiro. Nos domínios do PT crescia o pântano dos corruptos, atulhado de delinqüentes da ''base aliada''. Ao perceber que o lamaçal ameaçava alcançá-lo, resolveu contar o que sabia. E compareceu espontaneamente à CPI dos Correios.
O espantoso depoimento produziu aterradores retratos do pântano. Um deles exibe a abertura de contas em paraísos fiscais. Outro mostra a movimentação de cifras milionárias por Marcos Valério e cardeais do PT. As revelações encerraram o primeiro dos dois atos da tragédia.
A cena de abertura, dominada pelo bandido-herói Roberto Jefferson, ocorreu em 5 de junho. Até o dramático 11 de agosto, foram 67 dias marcados por revelações estarrecedoras e pelo desconcertante comportamento do ator principal, que só entraria no palco nesta sexta-feira.
Enquanto a lama se aproximava do coração do poder, Lula se entretinha com a leitura de outros roteiros. Na tragédia brasileira, deputados vendiam votos ao governo. O artista viajava. O carequinha de Minas irrompia na ribalta. O astro ambulante colecionava improvisos pelo país.
O desenrolar do drama informava que a quadrilha assaltara o aparelho do Estado para roubar o dinheiro do povo. Lula inaugurava estradas já inauguradas. Emergiam da lama bandalheiras no Banco do Brasil, na Casa da Moeda, no BMG, no Banco Rural. Lula combatia ''as elites''.
Só na sexta-feira o protagonista apareceu no teatro da crise, escalado para abrir o segundo ato com um solilóquio. Um desempenho bisonho. O elogio do próprio governo ocupou metade do tempo. E então jurou que só agora enxergou o buraco. Só agora soube da roubalheira incomparável. Só agora sentiu o mau cheiro do PT. Só agora acordou.
Os pronunciamentos anteriores foram monitorados por Duda Mendonça. Na sexta-feira, o inventor da imensa fantasia era mais que o grande ausente: era mais um adversário a combater. Havia outros. Previsto para as 9 da manhã, o discurso foi adiado até que Lula lesse a reportagem da revista Época em que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, relatava acordos obscuros avalizados por Lula e José Alencar. O monólogo nada esclareceu.
É penoso admitir que Lula - autoproclamado o mais ético dos governantes - banca o desinformado profissional para afastar-se da crise. O mais despreparado dos presidentes sabia muito. Por omissão, reduziu a frangalhos a esperança que venceu o medo.

* Reproduzido do "Jornal do Brasil" (jbonline.terra.com.br), edição deste domingo, 14.

Manchetes dos jornais

Manchetes dos jornais deste domingo, 14:

“O Liberal” (PA) – Lula tenta se salvar com tropa de choque. (www.oliberal.com.br)

“Diário do Pará” (PA) – Indisponível no momento. (www.diariodopara.com.br)

“O Globo” (RJ) – Valério pagou ao PT mais do que tomou emprestado. (oglobo.globo.com/jornal/)

“Folha de S. Paulo” (SP) – PF investiga contas de Duda no exterior. (www1.folha.uol.folha.br.fsp/)

“O Estado de S. Paulo” (SP) – Para fugir da crise, Lula se afasta do PT. (www.estadao.com.br)

“Jornal do Brasil” (RJ) – Lula enfrenta os fantasmas de agosto. (jbonline.terra.com.br)

“O Dia” (RJ) – INSS já pode liberar 350 mil benefícios. (odia.ig.com.br)

“Correio Brasiliense” (DF) – Doleiros na mira da CPI dos Correios. (www2.correioweb.com.br/cbonline/)

“Jornal de Brasília” (DF) – Doleiro quer denunciar como o PT enviava dinheiro ao exterior. (www.jornaldebrasília.com.br/)

Sábado, Agosto 13, 2005

Fuma mas não traga

Vamos combinar: depois do pronunciamento desta sexta-feira, 12, tudo é possível em se tratando do presidente e do governo Lula.
Em matéria de desfaçatez, equivale à máxima do cinismo cunhada por Bill Clinton, o que fumou (maconha), mas não tragou.